O televangelista Jim Bakker (Foto: Reprodução)
O televangelista Jim Bakker (Foto: Reprodução)

Tammy Sue Bakker afirma que deixou o ministério do pai em 2022 por discordar das mensagens divulgadas e pede que cristãos demonstrem acolhimento à comunidade LGBT após a morte do televangelista.

Tammy Sue Bakker, filha do televangelista norte-americano Jim Bakker, publicou uma declaração após a morte do pai na qual pediu desculpas às pessoas que sofreram danos relacionados à igreja ou ao ministério de sua família. Ela também incentivou cristãos a contribuírem com dinheiro ou trabalho voluntário para organizações que apoiam a comunidade LGBT.

A manifestação foi divulgada no Facebook no sábado, 10 de outubro, cinco dias após a morte de Jim Bakker, ocorrida em 5 de outubro, aos 86 anos. No texto, Tammy Sue afirmou que refletia havia muito tempo sobre a possibilidade de falar publicamente sobre o assunto e mencionou o exemplo de amor que recebeu de sua mãe, Tammy Faye Bakker.

Filha se afastou do ministério em 2022

Tammy Sue contou que permaneceu em silêncio durante anos por não querer prejudicar a família nem a igreja. Segundo ela, decidiu deixar o ministério do pai em 2022 porque não se identificava com as mensagens que eram transmitidas.

Desde então, os dois permaneceram afastados. Ela também relatou que só foi informada sobre a doença do pai cerca de três horas antes de sua morte. Soube do falecimento por meio de um amigo que encontrou a notícia na internet e não sabia que ela ainda não havia recebido a informação.

Na declaração, Tammy Sue pediu desculpas publicamente a quem tenha sido ferido pela igreja ou pelo ministério da família ao longo das últimas seis décadas.

Ela reconheceu que o programa televisivo The PTL Club, apresentado por seus pais, teve impacto positivo na vida de milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, afirmou ter recebido mensagens de pessoas que doaram suas últimas economias para sustentar o ministério.

Relato menciona sofrimento causado por instituições religiosas

A filha do televangelista também criticou situações em que instituições religiosas contribuíram para o sofrimento de pessoas. Ela mencionou relatos de indivíduos rejeitados por familiares, expulsos de casa, afetados pela depressão ou que enfrentaram pensamentos suicidas.

Tammy Sue afirmou que, embora pessoas próximas lhe digam que ela não é responsável pelas ações de sua família, sente que carrega esse peso desde a infância. Segundo ela, essa experiência lhe causou sofrimento emocional durante muitos anos.

Pedido de doações para a comunidade LGBT

Em vez de enviar flores ou presentes em homenagem ao pai, Tammy Sue sugeriu que as pessoas destinassem recursos financeiros ou tempo a iniciativas de apoio à comunidade LGBTQIA+ em suas próprias localidades.

Ela pediu que os cristãos demonstrem o amor de Cristo por meio da compaixão e do acolhimento, defendendo que as pessoas deixem de lado o ódio e o julgamento.

Na mensagem, Tammy Sue argumentou que o amor de Jesus não deveria ser condicionado à mudança da identidade de alguém. Ela encerrou a declaração com um apelo por mais aceitação, compreensão e paz.

Histórico familiar de apoio à comunidade LGBT

A reportagem do The Christian Post lembra que outros integrantes da família Bakker também se manifestaram em defesa de pautas relacionadas à comunidade LGBT.

Em 2012, Jay Bakker, irmão de Tammy Sue, pediu que eleitores da Carolina do Norte rejeitassem uma proposta de emenda constitucional que definiria o casamento como uma união entre um homem e uma mulher. A emenda acabou aprovada naquele estado. Em 2015, a Suprema Corte dos Estados Unidos legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o país.

Tammy Faye Bakker, mãe de Tammy Sue e Jay, também ficou conhecida por sua postura de acolhimento às pessoas LGBT.

Quem foi Jim Bakker

Jim Bakker ganhou projeção nacional nos Estados Unidos durante as décadas de 1970 e 1980, quando apresentou, ao lado de Tammy Faye, o programa religioso The PTL Club. O casal construiu um ministério televisivo de grande alcance, que entrou em colapso após um escândalo financeiro.

Em 1989, Jim Bakker foi condenado por fraude e enviado à prisão. Após cumprir pena, retomou suas atividades religiosas e voltou a apresentar programas de televisão.

A reportagem também registra uma interpretação teológica diferente da apresentada por Tammy Sue. O site apologético Got Questions argumenta que os ensinamentos de Jesus sobre misericórdia e acolhimento devem ser compreendidos em conjunto com suas orientações para que as pessoas abandonem o pecado.

A declaração de Tammy Sue, portanto, reúne um pedido de desculpas relacionado ao legado religioso da família e um apelo para que cristãos ofereçam apoio prático a pessoas da comunidade LGBT.

Folha Gospel com informações de The Christian Post

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