A Igreja Metodista do Brasil (IMB) vai instituir grupo de trabalho, integrado por pessoas de diferentes tendências, que vai analisar e esclarecer a própria igreja e a sociedade a respeito das implicações decorrentes da decisão do 18. Concílio Geral reunido em julho, em Aracruz, de retirar-se dos organismos ecumênicos que tenham a presença da Igreja Católica e de grupos não-cristãos.

A medida foi anunciada pelo bispo Paulo Tarso de Oliveira Lockmann, do Rio de Janeiro, na segunda etapa do 18. Concílio Geral da Igreja Metodista, reunido nos dias 12 a 14 de outubro na Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Recurso impetrado contra a decisão da retirada da igreja de organismos ecumênicos não pôde ser apreciado nesta fase do Concílio por falta de tempo hábil, e deverá ser analisado pela nova Comissão Geral de Constituição e Justiça, recém eleita.

“A Igreja Metodista não deixou de ser ecumênica”, frisou no Concílio a bispa Marisa de Freitas Ferreira Coutinho, do Recife. “Teremos tempo de amadurecer a questão do ecumenismo, discutir com mais profundidade, ajudar o povo de Deus a ter mais segurança sobre este tema. Somos povo metodista e vamos ter que trabalhar juntos para a glória do Senhor”, justificou.

Ao chegarem ao templo de Rudge Ramos para a celebração de abertura da segunda etapa do Concílio, delegados foram surpreendidos pelo protesto de um grupo de jovens metodistas e católicos. Vestindo camiseta branca com os dizeres “Estamos em luto(a)”, o grupo pedia que os 79 delegados que votaram pela saída da Igreja Metodista de organismos ecumênicos justificassem o voto.

“Não viemos aqui para pedir que os delegados reconsiderem a votação. Nem somos delegados, não temos o direito de pedir isso. Também não vamos interromper a plenária. Apenas viemos deixar nossa opinião, que acreditamos ser também a opinião de Cristo. Não ser ecumênico é não ser cristão”, declarou para o Serviço de Imprensa da Igreja Metodista um dos organizadores do protesto, o jovem Rafael de Freitas, membro da congregação de Rudge Ramos.

Ao final do culto, os jovens lamentaram que nenhum delegado os tenha procurado para justificar o voto. Na homilia da celebração de abertura do Concílio, o bispo João Carlos Lopes, de Curitiba, instou a igreja a realizar o seu trabalho de maneira excelente, para que ela receba o certificado “ISO Eternidade”. “Excelência não se alcança com competição, nem com o ser melhor do que os outros – ser excelente é ser o melhor de nós mesmos”, disse.

Por 106 votos a favor, 22 conta e duas abstenções o 18. Concílio Geral da Igreja Metodista aprovou proposição dando autonomia às oito Regiões Eclesiásticas de desenvolverem programas e projetos missionários, ouvido o Colégio Episcopal. Por medida de contenção, as quatro áreas que compõem a sede nacional da Igreja – Administrativa, Educacional, Social e Missionária – e que têm quatro secretários-executivos, passarão a ser coordenadas por apenas um secretário, informa o Serviço de Imprensa.

O Concílio de Rudge Ramos concedeu título de bispo honorário aos reverendos Stanley da Silva Moraes, Geoval Jacinto da Silva e Josué Adam Lazier. O título recebido não implica ônus financeiro, mas é uma honraria e um reconhecimento pelos serviços que prestaram na qualidade de bispos.

Também por decisão conciliar, alunos e alunas das faculdades de Teologia da Igreja Metodista que estiverem no último ano do curso poderão receber o título de pastores acadêmicos, quando em exercício no ministério pastoral.

Fonte: ALC