Manifestantes foram às ruas de Madri (capital da Espanha) e de outras cidades espanholas neste domingo em protesto contra o plano do governo para reformar a lei sobre o aborto. Em Madri, segundo a organização da passeata, 500 mil pessoas participaram do protesto. A polícia, por sua vez, fala em 10 mil manifestantes, segundo a rede de TV SER.

O governo espanhol que modificar a atual legislação sobre o aborto, de 1985, para permitir a interrupção da gravidez por opção da gestante até a 14ª semana e até a 22ª semana se os médicos detectarem risco grave à saúde da mãe ou deficiências graves no feto.

A reforma deve estabelecer, ainda que, após a 22ª semana, sejam permitidos abortos no caso dos médicos diagnosticarem risco de morte.

Os protestos foram organizados por grupos contrários ao aborto, como Direito de Viver, Médicos pela Vida e Provida Madrid, e pela Igreja Católica.

Em outras cidades espanholas também ocorreram protestos. Segundo a polícia, na cidade de Toledo cerca de 300 pessoas foram às ruas; em Valladolid, 400 pessoas realizaram uma manifestação –os movimentos, segundo o site do diário espanhol “El País”, foram organizados, entre outros meios, através do site de relacionamentos Facebook.

Na cidade de Girona (nordeste da Espanha), um grupo de pessoas a favor do aborto e outro contra se encontraram e acabaram em uma acirrada discussão, e não se tornou um enfrentamento físico devido à presença da polícia, que havia preparado um cordão de segurança para separar as duas manifestações, diz o “El País”.

A porta-voz do conservador PP (Partido Popular), Soraya Sáenz de Santamaría, disse que as manifestações ocorreram porque o governo tratou da reforma da lei do aborto de maneira “frívola”. Ela disse não concordar com a reforma “nem com o modo como foi empreendida e nem com o fato de que jovens possam abortar dos 16 aos 18 anos sem o consentimento dos pais”.

Já a porta-voz do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol, do primeiro-ministro espanhol, José Luiz Rodríguez Zapatero), Mar Moreno, disse que o PP defende, no caso do aborto, uma “moral ‘prêt-à-porter’, uma moral de temporada”. Ela disse que respeita as manifestações, mas acrescentou que o partido oposicionista está por trás dos protestos.

“Como é possível que durante oito anos de governo do PP, nos quais se fizeram 500 mil abortos, não se viram manifestações [como as de hoje]?”, questionou.

Fonte: Folha Online