Homens carregam bebês em meio aos escombros, após ataque aéreo na Síria
Homens carregam bebês em meio aos escombros, após ataque aéreo na Síria

Conforme a guerra civil na Síria se move em direção ao que pode ser seu último ano, os cristãos tentam reconstruir a nação diante de um futuro incerto.

O conflito na Síria começou com um pequeno grafite contra o governo em 15 de março de 2011. No entanto, o resultado de oito anos de guerra são mais de 11 milhões de refugiados e deslocados internos. Metade das pessoas que deixaram suas casas saíram do país.

Mais de um milhão de sírios buscaram refúgio na Jordânia, dos quais poucos milhares voltaram para a terra natal nos cinco meses após a abertura de uma fronteira vital entre os dois países.

No geral, poucos retornaram à Síria, e os que assim fizeram descobriram que a perseguição da qual fugiram ainda está presente. Muitos desaparecem no sistema prisional ou são convocados para servir o exército.

Muitos cristãos também fugiram da violência, principalmente quando o Estado Islâmico (EI) varreu o país, tomando vilarejos e cidades. Antes de 2011, os cristãos constituíam cerca de 8 a 10% da população de 22 milhões de sírios.

Agora, 80% desses cristãos já não vivem mais no país. O êxodo de jovens deixou um vácuo na infraestrutura social na cidade de Alepo, uma das mais atingidas pela guerra. Muitos idosos ficaram sem os filhos que cuidavam deles. São esses idosos que compõem grande parte da igreja que permaneceu no país.

Onde estão os cristãos desaparecidos?

No entanto, os jovens não abandonaram a Síria completamente. Um adolescente cristão disse: “Eu amo minha cidade de Alepo, principalmente as igrejas, onde você pode ver o quanto as pessoas lutaram para ter uma vida boa”.

Gabi Korajian, de 18 anos, vivia com sua família em Alepo antes da guerra, mas fugiram para Damasco. Dois de seus irmãos foram mortos enquanto serviam o exército. Ele diz: “Eu era tão pequeno, mas as circunstâncias me fizeram me sentir mais velho. Minha família sofreu muito e eu não podia fazer nada para ajudá-los. Desde a morte dos meus irmãos, só oramos por nossa segurança. Agora que estou em Damasco, quero me tornar um grande cirurgião e ajudar as pessoas a ficar vivas”.

Enquanto as forças rebeldes estão aos poucos perdendo terreno, a pergunta sobre o destino de cristãos desaparecidos continua, entre eles os líderes cristãos Dall’Oglio e Gregorios Yohanna Ibrahim, ambos sequestrados pelo EI em 2013.

Algumas semanas atrás, um jornal libanês sugeriu que eles podem estar sendo mantidos por militantes do EI em Baghouz, a última fortaleza do grupo extremista islâmico na Síria.

A analista da Portas Abertas Henriette Kats observa que “a mídia tende a focar em líderes de igrejas mais conhecidos.

No entanto, há muitos cristãos comuns desaparecidos, que também foram sequestrados durante a ocupação do EI no Iraque e Síria.

Estado Islâmico eliminado

O presidente dos EUA, Donald Trump, reafirmou na sexta-feira, 22, que forças apoiadas pelos americanos expulsaram o Estado Islâmico (EI) de seu último bastião na Síria.

No sábado (23) o presidente americano comemorou o fim Estado Islâmico e prometeu que os Estados Unidos permanecerão “alertas” à principal organização jihadista do mundo.

“Eu me alegro ao anunciar que, junto com os nossos parceiros da coalizão internacional contra o EI, os Estados Unidos libertaram todo o território controlado pelo EI na Síria e no Iraque, 100% do califado. Em algumas ocasiões estes covardes ressurgirão. Perderam todo o prestígio e poder. São perdedores e sempre serão.”

Fonte: Portas Abertas