A Igreja Católica manteve o convite que fez ao rabino Henry Sobel para um encontro com o Papa Bento XVI durante a sua visita ao Brasil, no mês que vem. Mas o rabino só vai representar a Comunidade Israelita Paulista (CIP) se voltar a ocupar a presidência da entidade.

Sobel está afastado do cargo desde o mês passado, depois de ser preso em Palm Beach, no estado americano da Flórida, acusado de furtar gravatas numa loja da grife francesa Louis Vuitton. Ele foi levado à prisão do condado de Palm Beach, pagou uma fiança de US$ 3 mil e foi liberado.

O encontro com o Papa está marcado para a quinta-feira, dia 10, segundo dia da visita a São Paulo (veja a agenda do Papa no Brasil). Também participarão da reunião, no Mosteiro de São Bento, no centro da capital, representantes de outras religiões. O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Odilo Scherer, disse que o convite está mantido.

– O convite foi feito e, por enquanto, não houve motivo para ser retirado – disse dom Odilo, que não comentou as acusações contra o rabino.

Logo após o incidente nos Estados Unidos, o rabino, de 63 anos, voltou ao Brasil, afastou-se da presidência do rabinato da CIP e foi internado no Hospital Albert Einstein. Primeiro, ele negou as acusações e depois pediu perdão afirmando que estava tomando remédios fortes que o deixavam fora de controle .

Segundo nota do hospital logo no dia da internação, em 31 de março, o rabino vinha fazendo uso ‘imoderado’ de medicamentos hipnóticos e diazepnícos por conta de ‘insônia severa’ nos últimos dias. De acordo com o boletim, esses medicamentos são ‘causadores potenciais de quadro de confusão mental e amnésia’.

Os remédios hipnóticos são vendidos com tarja preta e usados para conter estados de ansiedade, agitação, estresse, insônia, irritabilidade e quadros de síndrome do pânico e depressão. Os diazepínicos são derivados do diazepan, mais conhecido no mercado como Valium, provocam relaxamento muscular e psíquico. Eles são ansiolíticos, tranqüilizantes e, também, hipnóticos.

O rabino é a voz mais ativa da comunidade judaica em São Paulo e no país. Sobel nasceu em Portugal, mas é cidadão americano, onde se formou rabino. Participou do livro “Brasil: Nunca Mais”, ajudando a reunir documentação sobre torturas durante a ditadura militar. Sempre fez questão de estabelecer um contato próximo com as religiões cristãs. Em uma entrevista, Sobel disse que pretende continuar a defender todos os valores morais e éticos que sempre defendeu como judeu, como homem e como rabino.

A primeira audiência do rabino Henry Sobel na Flórida, Estados Unidos, foi marcada para o dia 23 de abril.

Fonte: Gazeta do Povo