Até o próximo ano, o Departamento de Projetos da Federação Luterana Mundial (FLM) deverá apresentar um sistema de compensação para as emissões de CO2 que os diferentes setores e seus funcionários produzirem, inclusive as resultantes de viagens aéreas.

As igrejas filiadas ao organismo ecumênico internacional serão convidadas a adotar esse sistema de compensação.

A resolução foi aprovada pelo Conselho Central da FLM, reunido em Arusha, no norte da Tanzânia, de 25 a 30 de junho. Os conselheiros pediram às 141 igrejas filiadas ao organismo para se inserirem com mais vigor, ética e teologicamente, na análise das conseqüências da ação humana na natureza, com vistas ao problema do aquecimento climático.

Sugeriram, ainda, que luteranos dos 78 países onde estão presentes fiquem atentos aos costumes indígenas e à sabedoria popular, para deles aprenderem como sujeitos integrados na Criação e levarem uma vida duradoura.

Conselheiros incentivaram os executivos do organismo a buscarem parceria com o Conselho Mundial de Igrejas, com outras entidades da sociedade civil, para a realização de fóruns com o objetivo de lutar pela diminuição de 40% nas emissões de CO2 até 2020, alcançando índices de 1990.

O aumentos dos preços de produtos alimentícios também esteve na pauta do Conselho, em Arusha. A crise alimentar não é uma anomalia de curto prazo, e atinge de modo mais incisivo as populações pobres, constatou.

As causas da crise são muitas, desde uma estrutura injusta de acesso e uso da terra, métodos de produção, cultivo de terras voltadas ao biocombustível, comércio e especulação internacional, urbanização e estilo de vida.

O Conselho foi informado que cerca de 70 países adotaram restrições para viajantes estrangeiros portadores do HIV/Aids, discriminando-os e dificultando, ou até mesmo impedindo, o seu ingresso nesses Estados. Igrejas luteranas foram incentivadas a se engajarem em ações de combate a esse tipo de discriminação. O secretário-geral da FLM, Ishmael Noko, deverá remeter correspondência ao governo dos Estados Unidos pedindo que elimine tal restrição.

Luteranos entendem que a comunidade internacional não pode assistir calada a catástrofe humana que se instala no Zimbabwe, assim como procedeu com o genocídio em Ruanda anos atrás. O Conselho agradeceu os países vizinhos do Zimbabwe que acolheram fugitivos do país africano, ameaçados pelo governo de Mugabe.

O grêmio decisório da FLM entre as assembléias gerais recebeu o relatório produzido em consulta realizada em março sobre o testemunho de mulheres ordenadas. A consulta pediu que o organismo ecumênico prepare documento para a assembléia geral de 2010, no qual constem os motivos e as justificativas daquelas denominações luteranas que ainda não ordenam mulheres ao ministério sacerdotal.

A consulta solicitou à FLM que destaque o testemunho de pastoras e bispas nos festejos do jubileu da Reforma protestante, que será celebrado em 2017.

Fonte: ALC