Vários grupos políticos da Índia acusaram hoje o partido extremista hindu Bharatiya Janata Party (BJP), o principal da oposição, de incentivar a violência ao distribuir um CD com propaganda antimuçulmana.

A gravação foi distribuída na semana passada no estado de Uttar Pradesh (norte) por ocasião das eleições regionais que começam no sábado e que durarão um mês, provocando numerosas denúncias por seu “conteúdo inflamatório”, segundo a agência “Ians”.

O CD inclui, entre outras coisas, detalhes gráficos do massacre de uma vaca – animal sagrado na religião hindu – realizado por açougueiros muçulmanos. Em outro ponto, há encenação da história de uma jovem hindu enganada e maltratada por um muçulmano.

Também se refere à comunidade muçulmana com termos depreciativos, em meio a numerosas referências aos principais líderes do BJP, entre eles o ex-primeiro-ministro Atal Bihari Vajpayee.

Os dirigentes do BJP se desvincularam do conteúdo do CD e asseguraram que eles não deram consentimento à distribuição do material, o que não impediu que os líderes de outros partidos levassem o caso à Comissão Eleitoral.

Uma delegação de representantes políticos apresentou hoje denúncia na comissão para reivindicar “ações contra os líderes do BJP por cometer um ato criminoso”. Ao mesmo tempo, pediram os máximos dirigentes do partido extremista a apresentar desculpas à comunidade muçulmana.

O polêmico CD foi distribuído por um dirigente local do BJP em entrevista coletiva em Lucknow, capital de Uttar Pradesh, como parte da campanha eleitoral de seu partido.

No entanto, o vice-presidente do BJP, Mukhtar Abbas Naqvi, assegurou hoje desconhecer o conteúdo do disco e negou que a distribuição seja parte da estratégia de campanha do partido.

Está previsto que a Comissão Eleitoral, que deu instruções às autoridades estatais para que façam um relatório contra o presidente do BJP – Rajnath Singh -, anuncie no sábado se tomará atitudes contra o partido.

Em outras ocasiões, diferentes representantes do BJP foram acusados de fomentar o ódio contra os muçulmanos e por perseguição religiosa contra as minorias.

Fonte: Portas Abertas