A estudante de jornalismo Patrícia de Oliveira Souza Lelis, 22, disse nesta segunda-feira (8), em entrevista coletiva à imprensa no Senado, que o presidente nacional do PSC (Partido Social Cristão), Pastor Everaldo (RJ), ofereceu dinheiro para que ela não fizesse denúncias contra o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), um dos principais nomes do partido.

[img align=left width=300]https://glaucocortez.files.wordpress.com/2016/08/imagem-de-video-feliciano-e-patricia-lellis.jpg[/img]Em Boletim de Ocorrência registrado em Brasília neste domingo (7), Lélis acusou Feliciano de assédio sexual e tentativa de estupro, que teriam sido cometidos no dia 15 de junho no apartamento funcional do parlamentar em Brasília.

Lélis afirmou que Everaldo e o chefe de gabinete de Feliciano na Câmara, Talma Bauer, 64, lhe ofereceram dinheiro quando ela procurou ajuda do PSC a respeito das acusações que pretendia fazer contra Feliciano. Ela disse que é filiada ao PSC desde março passado.

A estudante foi ao Senado para buscar apoio da Procuradoria Especial da Mulher, hoje ocupada pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). A Procuradoria também enviou ofício ao Ministério Público do Distrito Federal para pedir apuração das denúncias.

“O Bauer ofereceu dinheiro para eu ficar quieta e também o Pastor Everaldo. Eu não tenho certeza da quantia. O Pastor Everaldo, quando eu fui para [a reunião] dentro do PSC, já estava sabendo do assunto e eu não sei estimar a quantia. Estava dentro de um saco. O Bauer nunca colocou uma quantia exata, ele sempre perguntou ‘quanto você quer?’ Então eu deixo claro que o PSC sempre esteve ciente do assunto desde o início.”

Lélis negou ter recebido valores tanto de Bauer quanto de Everaldo ou do PSC. Também afirmou que não recebeu dinheiro para gravar um vídeo em que eximiu Feliciano de qualquer agressão e foram postados na semana passada em redes sociais.

Ela acusa Bauer de mantê-la em cárcere privado e coagi-la, inclusive com o uso de arma de fogo, a gravar os vídeos. O chefe de gabinete de Feliciano e policial aposentado chegou a ser detido em São Paulo na sexta-feira (5), após Lélis registrar Boletim de Ocorrência contra ele, mas foi liberado após depoimento do assessor do PRB Emerson Biazon. Lélis também acusou Everaldo em seu depoimento, na sexta.

[b]R$ 20 MIL
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À polícia, Biazon, que acompanhava a estudante em sua visita a São Paulo, afirmou em depoimento à Polícia que a jovem aceitou receber dinheiro para inocentar Feliciano. A Folha teve acesso ao depoimento, em que o assessor afirma ter recebido R$ 20 mil de Bauer, cujo destino final seria Lélis, que sabia do acordo.

Segundo ele, a jovem teria negociado o recebimento do dinheiro para parar de acusar Feliciano. Este teria sido entregue pelo chefe de gabinete do deputado, Talma Bauer, a Biazon, na quinta-feira (4), na garagem do prédio do assessor.

Ele, que diz ter conhecido a estudante após o assédio, teria recebido um pedido da jovem para repassar o valor para a conta do amigo em comum que os havia apresentado, para que ele repassasse o valor em parcelas mensais, para não levantar suspeitas da mãe de Lélis. Ele afirma que teria se recusado e que entregaria o dinheiro a Lélis quando soube que ela havia ido à delegacia.

Em depoimento, ele também negou que Bauer tenha ameaçado ou coagido a jovem e disse “não saber o porquê de ela ter feito” a acusação.

[b]ENCONTRO[/b]

Imagens obtidas pela Folha mostram a estudante e Biazon se encontrando Bauer em um hotel no centro de São Paulo na semana passada. Nas imagens, feitas pela câmera de segurança do hotel e datadas de quinta-feira, Lélis entra no saguão com Biazon. Logo em seguida, entra Bauer, que a abraça.

A data é a mesma em que Bauer teria supostamente entregado o dinheiro a Biazon em sua garagem.

No vídeo também é possível ver, em outro momento, Lélis conversando com Bauer e cochichando com Emerson em um sofá do saguão do hotel, de onde se levanta, gesticulando, e sai de cena. Os dois homens permanecem sentados no sofá, conversando, para depois saírem também, um de cada vez. No final, ela é vista saindo do hotel com Emerson, Bauer e um terceiro homem, não identificado.

O delegado Luís Roberto Hellmeister, do 3º DP (Campos Elíseos), que cuida do caso, disse que investigará a origem do dinheiro.

O gerente do hotel afirmou a fontes ouvidas pela Folha que Bauer pagou a hospedagem de todos e que ela teria pedido para que ele não dissesse a ninguém sobre sua hospedagem.

[b]OUTRO LADO
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O deputado Marco Feliciano (PSC-SP) [url=https://folhagospel.com/modules/news/article.php?storyid=32544]gravou vídeo neste sábado negando que tenha agredido Lélis[/url]. Segundo ele, o caso é “uma grande farsa” e a “verdade virá a tona”.

Como o parlamentar detém foro privilegiado no STF (Supremo Tribunal Federal), ele só poderá ser processado e julgado a partir de manifestações da PGR (Procuradoria Geral da República).

Por meio de sua assessoria, o Pastor Everaldo negou à Folha a acusação de que tentou comprar o silêncio de Patrícia. “É uma indignidade, não é verdade e vamos tomar as medidas judiciais cabíveis que o caso exige”, informou a assessoria do PSC.

A assessoria confirmou que houve uma reunião entre Lélis e outras pessoas do partido, na qual ela teria “sinalizado que teria tido algum problema com o deputado”. Em resposta, segundo a assessoria, os membros do partido pediram que ela tomasse as “devidas providências”. O deputado Feliciano foi ouvido informalmente pelo partido na ocasião, disse a assessoria, porém desmentiu “com veemência” as afirmações.

Bauer afirmou à Folha que a reunião no hotel se deu pela vontade da jovem de gravar um novo vídeo de retratação.

[b]Fonte: Folha de São Paulo[/b]