Jovens participando de culto em igreja. (Foto: Reprodução)
Jovens participando de culto em igreja. (Foto: Reprodução)

De maneira geral, a maioria dos protestantes americanos está confortável com o estilo de adoração atual de suas comunidades

Uma pesquisa realizada pela consultoria Lifeway Research revela um movimento inesperado nas igrejas protestantes dos Estados Unidos: os jovens frequentadores têm duas vezes mais chances de desejar maior presença de elementos litúrgicos e estruturados em seus cultos do que os membros mais velhos. Enquanto apenas 9% dos fiéis com 50 anos ou mais gostariam de mais liturgia, esse desejo salta para 18% entre os jovens de 18 a 29 anos e para 19% na faixa de 30 a 49 anos.

Essa busca por práticas mais tradicionais — como orações formais, leituras responsivas e credos — reflete um anseio por estrutura e profundidade teológica em meio à jornada de amadurecimento espiritual das novas gerações. A pesquisa foi realizada em setembro de 2025 com mais de 1.200 protestantes norte-americanos, apresentando uma margem de erro amostral de no máximo 3,2 pontos percentuais.

A insatisfação das gerações mais novas

O levantamento aponta que o nível de satisfação com o formato do culto varia de acordo com a idade. Apenas 69% dos frequentadores de 18 a 29 anos e de 30 a 49 anos afirmam estar satisfeitos com o nível atual de liturgia em suas igrejas. Em contraste, o índice de contentamento chega a 80% entre pessoas de 50 a 64 anos e a 77% para os maiores de 65 anos.

Atualmente, os idosos frequentam ambientes mais estruturados do que os jovens. Cerca de 29% dos fiéis com 65 anos ou mais classificam suas igrejas como muito litúrgicas, comparado com apenas 15% dos jovens na faixa de 18 a 29 anos. Essa discrepância explica, em parte, o desejo de mudança demonstrado pelas faixas etárias mais jovens.

Por que os jovens desejam mais estrutura

O diretor executivo da Lifeway Research, Scott McConnell, explica que muitos fiéis mais jovens estão no início do seu crescimento espiritual. Para esse grupo, conectar os pontos da narrativa geral das Escrituras pode ser um desafio constante.

“Elementos litúrgicos, como credos e outras práticas regulares, podem funcionar como lembretes úteis das verdades bíblicas e fornecer uma estrutura que guia os crentes durante a adoração”, afirma McConnell.

Esses ritos formais ajudam a criar um senso de estabilidade e conexão histórica que formatos de cultos mais informais ou orgânicos nem sempre conseguem transmitir de forma tão evidente aos fiéis em desenvolvimento.

O cenário geral das igrejas nos Estados Unidos

De maneira geral, a maioria dos protestantes americanos está confortável com o estilo de adoração atual de suas comunidades, independentemente da idade. Três em cada quatro frequentadores, representando 75%, consideram a quantidade de liturgia adequada. Apenas 13% gostariam de ver mais elementos estruturados, 5% preferem menos e 7% não souberam responder.

O panorama de cultos protestantes no país é bastante diversificado quanto à estrutura de suas liturgias:

  • 24% dos fiéis afirmam que suas igrejas adotam um estilo muito litúrgico.
  • 42% relatam que suas comunidades possuem alguns elementos litúrgicos.
  • 27% frequentam cultos sem nenhuma liturgia formal.
  • 7% não souberam definir o estilo adotado.

Para McConnell, a variedade de estilos não é um problema, pois diferentes expressões de adoração compartilham o mesmo objetivo básico de ajudar as pessoas a reconhecerem a presença divina e adorarem juntas de forma integrada.

Diferenças por denominação e demografia

A preferência e a presença de liturgia também variam de forma significativa dependendo do perfil dos membros e de suas denominações religiosas. Cerca de 45% dos membros de comunidades não denominacionais e 27% dos batistas afirmam não ter nenhuma liturgia no culto. Em contrapartida, 56% dos luteranos e 38% dos presbiterianos ou reformados relatam que suas igrejas são muito litúrgicas.

Os presbiterianos ou reformados figuram entre os mais propensos a querer mais liturgia adicionada, atingindo 22%. Já os luteranos (10%), os não denominacionais (9%) e os metodistas (8%) demonstram menor interesse em novos acréscimos litúrgicos. Quanto à satisfação, as igrejas não denominacionais apresentam uma taxa de 79%, superando os batistas, que registram 71%.

Outros padrões demográficos e estruturais também se destacam:

  • Os homens (26%) são mais propensos do que as mulheres (21%) a descrever sua igreja como muito litúrgica.
  • Frequentadores afro-americanos (19%) expressam maior desejo por mais liturgia do que brancos (11%) e hispânicos (10%).
  • Pessoas com ensino superior (78%) mostram maior satisfação com a quantidade litúrgica do que aquelas com ensino médio ou menos (70%).
  • Em congregações com 500 ou mais membros, 51% não têm estilo litúrgico definido, com uma taxa de contentamento de 80% entre os frequentadores.

Curiosamente, lidar com essas preferências musicais e litúrgicas não parece ser a maior preocupação dos líderes religiosos. Um estudo separado conduzido em 2019 apontou que apenas 15% dos pastores protestantes nos Estados Unidos classificaram a tarefa de gerenciar as diferentes preferências de adoração como o maior desafio enfrentado com a música em suas respectivas congregações.

Folha Gospel com informações de The Christian Post

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