Pastor Y Nuen Ayun. (Foto: ICC)
Pastor Y Nuen Ayun. (Foto: ICC)

O pastor Y Nuen Ayun, de 59 anos, foi condenado a 7 anos e meio de prisão e quatro anos de liberdade condicional pelo Tribunal Popular da Província no Vietnã. A sentença, proferida em 5 de agosto, decorre de acusações de violação da segurança nacional devido à sua liderança religiosa nas Terras Altas Centrais do país.

Ayun estava detido desde outubro de 2025 sob a alegação de liderar a Igreja Evangélica de Cristo das Terras Altas Centrais, na província de Dak Lak. A decisão judicial reflete o controle rígido do governo comunista vietnamita sobre as atividades de minorias religiosas, especialmente do grupo étnico Montagnard e Ede, ao qual o pastor pertence.

Acusações de violação da segurança nacional

Os promotores do caso enquadraram as ações do pastor Ayun sob o Artigo 116 do Código Penal do Vietnã, que tipifica o crime de “minar a política de unidade nacional”. De acordo com as autoridades, as atividades religiosas tinham como objetivo real criar uma organização religiosa separada para as minorias étnicas locais.

As investigações apontaram que Ayun mantinha contato com o pastor A Ga, residente nos Estados Unidos e classificado pelo governo vietnamita como terrorista. O regime acusa A Ga de apoiar movimentos separatistas por meio de igrejas protestantes nas Terras Altas Centrais.

Entre as condutas atribuídas ao pastor Y Nuen Ayun estão a organização de encontros religiosos virtuais e presenciais, o recrutamento de participantes e o envio de relatórios para organizações internacionais de direitos humanos. O líder religioso também teria recebido cerca de 7,7 milhões de dongs vietnamitas (aproximadamente 1.520 reais) para financiar seu trabalho local.

Reações e apelos internacionais pela libertação

Organizações de defesa dos direitos humanos reagiram duramente à condenação. A International Christian Concern (ICC) afirmou que o Partido Comunista do Vietnã utiliza acusações vagas e fabricadas para silenciar líderes cristãos, principalmente das minorias montanheses.

A organização Christian Solidarity Worldwide (CSW) fez um apelo público pela libertação imediata e incondicional do pastor. O presidente da CSW, Mervyn Thomas, destacou que o Vietnã desafia os padrões internacionais de direitos humanos, o que contrasta com a sua posição de membro do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com Thomas, as minorias das Terras Altas Centrais são injustamente rotuladas como separatistas quando buscam apenas praticar sua fé de maneira pacífica.

Perseguição sistemática contra cristãos no Vietnã

O Vietnã ocupa o 55º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026 da missão Portas Abertas. Em regiões remotas do país, onde prevalecem religiões étnico-animistas, a conversão ao cristianismo gera graves consequências sociais.

As restrições impostas pelo governo e pelas comunidades locais geram pressões específicas para os diferentes grupos da sociedade vietnamita:

  • Violência comunitária: Novos cristãos sofrem ameaças de expulsão das aldeias e têm suas casas frequentemente destruídas.
  • Ações de autoridades: Cultos são interrompidos, reuniões de estudo bíblico são proibidas e líderes sofrem detenções e multas.
  • Pressão sobre mulheres: Mulheres cristãs enfrentam casamentos forçados precoces, violência doméstica e risco de tráfico humano para a China.
  • Penalidades para homens: Homens cristãos sofrem discriminação no trabalho e coerção no serviço militar obrigatório, onde são impedidos de ler a Bíblia.

A prisão de líderes como o pastor Ayun compromete a sustentabilidade financeira das famílias e o funcionamento das próprias comunidades religiosas locais. O cenário expõe os severos limites à liberdade de crença que persistem no país em pleno ano de 2026.</p.”

Comentários