Um trágico acidente de trânsito no Zimbábue resultou na morte de pelo menos 27 pessoas e deixou outras sete feridas após a colisão frontal entre um micro-ônibus e um caminhão de carga. A batida ocorreu na rodovia Harare-Masvingo, nas proximidades da ponte Honeyspruit, localizada no distrito de Chikomba.
As vítimas eram membros da Igreja Apostólica Africana, também conhecida como igreja Mwazha. O grupo viajava de Dema em direção a Ndarikure, em Mvuma, para participar de uma conferência religiosa no momento da colisão, que aconteceu por volta das 20h30 do horário local.
Detalhes sobre a colisão e as vítimas
O micro-ônibus transportava fiéis vestidos com as tradicionais vestes brancas da denominação. Relatos apontam que o veículo estava superlotado, transportando cerca de 34 passageiros no momento do impacto. O caminhão envolvido carregava equipamentos de mineração vindos da África do Sul com destino ao distrito de Goromonzi e possuía placas de registro estrangeiras, operando sem licença local.
A colisão ocorreu quando o caminhão tentou ultrapassar outro veículo na rodovia. Imagens divulgadas pela emissora estatal ZBC mostraram o micro-ônibus reduzido a destroços totalmente queimados. O ministro do Governo Local e Obras Públicas, Daniel Garwe, confirmou que 24 pessoas morreram imediatamente no local e outras três faleceram no Hospital Geral de Chivhu.
Resposta governamental e estado de desastre
Diante da gravidade da tragédia, o presidente do Zimbábue, Emmerson Mnangagwa, declarou Estado de Desastre, invocando a Seção 27(1) da Lei de Proteção Civil do país. A medida permite a mobilização emergencial de recursos governamentais para dar suporte aos sobreviventes e às famílias enlutadas, cobrindo despesas médicas e de sepultamento.
O desafio da segurança viária no país
Esse trágico evento reacende as discussões sobre as condições de transporte na região. As autoridades locais frequentemente associam acidentes a condutas imprudentes de motoristas e à infraestrutura precária das vias, estimando que o erro humano responde por 94% dos acidentes de trânsito no Zimbábue.
As vans privadas de passageiros, popularmente chamadas de kombis, representam o principal meio de transporte diário da população, mas operam frequentemente com excesso de passageiros. Em resposta a esse cenário, o governo implementou reformas regulatórias em 2024 para aumentar a segurança, incluindo:
- Restrição de circulação de veículos de até 26 assentos para rotas de até 37 milhas a partir de sua área permitida.
- Exigência de instalação de dispositivos de monitoramento de velocidade em veículos de transporte público.
- Recomendação oficial para que passageiros de longa distância deem preferência a ônibus maiores em vez de kombis.
Estatísticas alarmantes de trânsito na África
A agência nacional de estatísticas do país aponta que o Zimbábue registra, em média, um acidente de trânsito a cada 15 minutos e pelo menos cinco mortes diárias nas estradas. Acidentes anteriores recentes, como o incêndio de um micro-ônibus em abril que matou 18 pessoas, reforçam a urgência de melhorias na segurança das vias.
O panorama é igualmente crítico em nível continental. Segundo a Comissão Econômica das Nações Unidas para a África, acidentes de trânsito vitimam anualmente cerca de 300 mil pessoas no continente africano. Esse número representa um quarto das fatalidades globais de trânsito, ainda que a população do continente detenha apenas 3% da frota mundial de veículos registrados.







