
Alerta global indica que a violência contínua e a pressão social extrema ameaçam extinguir a população cristã sobrevivente em território sírio
A sobrevivência do cristianismo na Síria enfrenta uma ameaça sem precedentes devido à instabilidade na transição de poder e à persistência de conflitos armados no país. Após a queda do regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, facções armadas continuam a disputar o controle de territórios, inviabilizando a consolidação de um Estado inclusivo. O diagnóstico consta em um relatório enviado à Organização das Nações Unidas pelo Centro Europeu para a Lei e a Justiça (ECLJ).
Antes do início da guerra civil, a população cristã em solo sírio era de aproximadamente dois milhões de cidadãos. Atualmente, esse contingente encolheu para uma faixa entre 300 mil e 500 mil pessoas. Esse declínio severo é impulsionado por uma espiral de falta de segurança, fuga do país e avanço da islamização nas políticas públicas e nos currículos de ensino.
Embora o grupo HTS, uma dissidência da al-Qaeda que assumiu o protagonismo político, tenha prometido construir uma Síria inclusiva e respeitosa com as minorias, episódios de violência sectária continuam a ocorrer. No ano passado, um atentado suicida contra uma igreja resultou na morte de 25 fiéis. O país também registrou o massacre de centenas de alauitas, conflitos entre drusos e beduínos em Suwayda e combates entre forças governamentais e curdos em Aleppo após impasses eleitorais.
A organização apontou que a comunidade não pleiteia vantagens em relação aos demais grupos.
“Os cristãos não buscam um status de privilégio, mas simplesmente uma participação igualitária na vida nacional. No entanto, eles enfrentam uma pressão social crescente: pregações islâmicas em bairros cristãos, a islamização gradual de certas políticas públicas e currículos escolares, restrições ao álcool e uma retórica que retrata os cristãos como fouloul — apoiadores do antigo regime.”
A governabilidade e a composição do parlamento atual também são alvos de críticas das entidades internacionais. Um terço dos assentos da assembleia legislativa foi preenchido por indicação direta do presidente Ahmed al-Sharaa, sem consulta popular direta. Esse modelo de distribuição de poder gerou descontentamento e culminou nos choques armados em Aleppo. Para os defensores de direitos humanos, a punição dos responsáveis por crimes violentos ocorridos na transição não pode ser seletiva.
A entidade alertou que o cenário atual ultrapassou a esfera do preconceito religioso habitual.
“Além da própria discriminação, a própria sobrevivência do cristianismo na Síria está agora em jogo. As escolas cristãs estão se tornando cada vez mais vulneráveis, as famílias no exílio continuam a perder suas propriedades, e os ataques terroristas, a violência, os sequestros e a impunidade generalizada geraram um profundo sentimento de abandono.”
Para interromper a saída em massa dessa população histórica, especialistas apontam que as estratégias globais precisam ser reformuladas.
“Proteger apenas a liberdade de culto, portanto, não é mais suficiente. Condições políticas, jurídicas, de segurança e econômicas devem ser estabelecidas para permitir que os cristãos permaneçam permanentemente em sua terra natal.”
Folha Gospel com informações de The Christian Today






