Fachada de templo da Assembleia de Deus em Pernambuco
Fachada de templo da Assembleia de Deus em Pernambuco

A juíza Alyne Dionísio Barbosa Padilha, 3ª Vara Cível da Comarca de Garanhuns, em Pernambuco, determinou nesta terça-feira (27) que o pastor Ailton José Alves, presidente da Assembleia de Deus em Pernambuco (IEAD-PE), reintegre ao quadro de membros da denominação o presbítero Giovanne Cardoso de Farias, que havia sido excluído após denúncias feitas ao líder da igreja.

O processo disciplinar que motivou a exclusão do presbítero Giovanne Cardoso aconteceu em 2015.

O presbítero Giovanne Cardoso foi excluído da igreja e do cargo,sem ter cometido nenhum pecado, após seus diversos vídeos de denúncias contra a diretoria da Assembleia de Deus em Pernambuco viralizarem no Youtube e se viu às voltas com um processo de desligamento promovido contra si.

Segundo consta nos autos, tudo aconteceu sem que seu direito de defesa fosse exercido.

Conforme consta na ação, a Comissão e a IEADPE lhe negaram o documento que tinham em sua posse, que é a ata de reunião do dia 22.09.2015, realizada em Garanhuns, que trata do seu processo disciplinar.

Após ser excluído sem direito a ampla defesa e ao contraditório, o presbítero Giovanne Cardoso protocolou na Justiça daquele Estado uma ação de reintegração aos quadros, que foi deferida liminarmente.

A questão se desenrola, segundo o autor, por retaliação em virtude de denúncias que vão de nepotismo a desvios financeiros.

Recentemente, em um de seus vídeos ele denunciou a compra de uma mansão de R$ 4 milhões de reais pelo presidente da Igreja. Também foi notória sua denúncia de contracheques milionários na Diretoria da Igreja, o que ensejou a ida às redes sociais da Igreja do vice-presidente Ailton José Júnior.

Mesmo sem apresentar provas em contrário, o vice-presidente anunciou que irá processar o denunciante.

Na decisão, a magistrada apontou que houve “cerceamento de defesa” no processo disciplinar movido contra Cardoso e que também “há violação de direitos e garantias fundamentais do cidadão com assento constitucional”.

“O fato é que, as provas que acompanham a peça inicial, sinalizam – por ora – que ao Promovente não foi chancelado, em tempo hábil para formular sua defesa, documentos imprescindíveis, como o estatuto da Instituição Religiosa Ré, vez que, apesar de notificado para audiência de instrução administrativa na comissão de ética para o dia 19/12/2015, até o dia 07/12/2015, apesar de reiterar solicitação para acesso de documentos, desconhecia teor da reunião que recebeu denúncia em seu desfavor e desconhecia os moldes do estatuto da Igreja Ré”, pontuou a magistrada em sua decisão em favor do presbítero Geovanne Cardoso.

A juíza determinou o reingresso imediato de Giovanne ao cargo de presbítero, sob pena de multa diária de R$200,00 (duzentos reais) limitada até R$10.000,00 (dez mil reais)

“Ante o exposto, nos termos do art. 300 do Código de Processo Civil, DEFIRO a tutela de urgência determinando a intimação da ré para imediatamente proceda o REINGRESSO do postulante aos quadros de seus membros na qualidade que anteriormente ocupava – PRESBITERO (doc. de ID. nº 38073175) -, com as respectivas prerrogativas institucionais com previsão nos art. 52 e seguintes do Estatuto regente, no prazo de 15 dias, sob pena de multa diária de R$ 200,00 (duzentos reais), limitada até o importe de R$ 10.000,00 (dez mil reais).”, determina a juíza.

Pastor Ailton José Alves, presidente da Assembleia de Deus em Pernambuco (IEAD-PE)
Pastor Ailton José Alves, presidente da Assembleia de Deus em Pernambuco (IEAD-PE)

O que pesa sobre o pastor Ailton José Alves, são graves acusações tramitando na Justiça, Polícia Federal e Ministério Público. Segundo alguns membros, Ailton é ”um Saul fora do plano de Deus, um opressor tirano”.

”É triste, a igreja do Senhor em mãos tão confusas como essa desastrosa gestão, desde que assumiu. Lamentável, um homem desaprovado por Deus. Provavelmente este caso abrirá um precedente, e muitos outros surgirão. O que só agravará a sustentabilidade desse homem na liderança da igreja, submetida a sucessivos escândalos”, disse um dos fiéis.

Leia a decisão na íntegra, aqui.

Fonte: Buxixo Gospel e JM Notícia