Fachada de um templo da Igreja Universal em Angola
Fachada de um templo da Igreja Universal em Angola

Quatro líderes da Igreja Universal do Reino de Deus – entre eles o bispo Honorilton Gonçalves, ex-homem forte da TV Record no Brasil e pessoa de confiança do bispo Edir Macedo – foram acusados e indiciados pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) de Angola por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Figuram como réus “não presos” no processo-crime, além de Gonçalves, o bispo angolano Antonio Pedro Correia da Silva, ex-presidente da igreja no país, e os pastores Valdir de Sousa dos Santos e Fernando Henriques Teixeira, ambos brasileiros. Teixeira é ex-diretor da TV Record África.

A Record teve suas atividades suspensas em Angola no dia 19 de abril, e a razão apontada foi o fato de a emissora ser dirigida no país por um estrangeiro – o próprio Fernando Teixeira -, quando a lei local exige que a função seja exercida por um angolano.

O processo-crime contra os quatro representantes da Universal foi encaminhado à Justiça para “ulteriores termos processuais”, segundo o Serviço de Investigação Criminal. Ele reúne cinco volumes, com 13 anexos.
A “instrução preparatória dos autos”, segundo as autoridades angolanas, seguiu dentro do prazo previsto por lei e foi remetida ao Ministério Público angolano e ao SIC, para, em seguida, ir à Justiça.

O órgão de investigação informou ter recebido, no dia 3 de dezembro de 2019, várias denúncias contra membros da ala brasileira da Universal do Reino de Deus, subscritas por mais de 300 membros da instituição, incluindo bispos e pastores.

Agora réu, Honorilton Gonçalves era, até a ruptura com os religiosos locais, o principal dirigente da Universal em Angola, embora não no papel, pois o cargo de presidente da igreja também só poderia ser ocupado por um angolano.

Então alvo de investigações, Gonçalves teria tentado fugir do país, no início de setembro do ano passado, em um voo humanitário da companhia aérea TAAG (Transportes Aéreos Angolanos), mas foi impedido por autoridades migratórias, segundo a imprensa estatal daquele país. A assessoria da Universal no Brasil negou a informação. O bispo havia atuado antes em Moçambique, onde também enfrentou problemas com autoridades locais.

Gonçalves foi vice-presidente artístico da Record no Brasil até 2013. Era, à época, quem controlava de fato a emissora. Teve problemas com funcionários e passou a enfrentar pressões internas para deixar o cargo. Também havia adotado uma política de cortes de gastos e não vinha conseguindo bons índices de audiência. Acabou transferido para a igreja em Salvador e, daí, para a África.

Disputa pela Igreja Universal

Fundada e comandada pelo bispo Edir Macedo, a Igreja Universal enfrenta uma verdadeira batalha em Angola dividida entre uma ala formada por maioria brasileira ligada a Macedo e a outra de maioria angolana encabeçada por pastores da igreja. O movimento começou em novembro de 2019, quando centenas de líderes angolanos se rebelaram contra a administração brasileira e tomaram alguns templos pelo país.

Desde 2019, a Procuradoria-Geral da República de Angola resolveu intervir no conflito interno e move uma investigação contra a Igreja Universal sob as acusações de discriminação racial, abuso de autoridade, exigência de castração química e evasão de divisas. Enquanto as apurações não são concluídas, a PGR chegou a determinar o fechamento dos templos, em agosto de 2020, como medida mais drástica.

Fonte: UOL