Bandeira do Paquistão (Foto: Folha Gospel/Canva)
Bandeira do Paquistão (Foto: Folha Gospel/Canva)

Ataque ocorreu na província de Punjab e provocou a fuga de mais de 35 famílias cristãs por medo de novos episódios de violência; polícia informou que mais de 15 manifestantes foram presos.

Uma multidão incendiou a residência e a farmácia de um cristão no Paquistão após ele ser acusado de compartilhar conteúdo considerado blasfemo. O episódio aconteceu em 9 de outubro, na vila de Gharial Kalan, próxima a Narang Mandi, no distrito de Sheikhupura, província de Punjab. Com receio de novos ataques, mais de 35 famílias cristãs deixaram suas casas.

O homem, identificado como Kamran Masih, de 40 anos, é pai de três filhos e administrava uma pequena farmácia na localidade. Ele foi detido pela polícia em 8 de outubro, depois que moradores muçulmanos o acusaram de compartilhar, em grupos de WhatsApp, um vídeo considerado ofensivo à religião islâmica.

Ataque ocorreu após prisão do cristão

De acordo com fontes ouvidas pela publicação, a notícia da prisão fez com que familiares de Masih e outros cristãos começassem a sair da vila, temendo uma reação violenta.

No dia seguinte, dezenas de pessoas se reuniram em frente à farmácia e à residência do homem. Durante o protesto, alguns participantes atearam fogo aos dois imóveis.

Uma fonte ouvida sob condição de anonimato afirmou que a intervenção policial impediu que outros imóveis pertencentes a cristãos fossem danificados.

As autoridades enviaram um contingente policial para proteger os moradores e suas propriedades. Um representante do gabinete do chefe de polícia do distrito de Sheikhupura informou que o caso estava sendo investigado, mas não divulgou detalhes adicionais devido à sensibilidade da situação.

Mais de 15 manifestantes foram presos

Ejaz Alam Augustine, parlamentar cristão da Assembleia de Punjab, afirmou que ele e outros representantes cristãos mantiveram contato com a polícia e as autoridades distritais para acompanhar a segurança dos moradores.

Segundo Augustine, a prisão de Masih ajudou a conter a situação. Ele também declarou que policiais de alto escalão garantiram que o episódio seria investigado e que mais de 15 pessoas suspeitas de incendiar a casa e a farmácia haviam sido detidas.

Um parente de Masih descreveu o ataque como algo sem precedentes na vila, onde cristãos e muçulmanos historicamente conviviam de maneira pacífica. Ele disse não compreender a acusação contra o familiar e afirmou que o homem tinha boa reputação na comunidade.

Até a publicação da reportagem, não estava esclarecido quais dispositivos específicos da legislação paquistanesa contra a blasfêmia seriam aplicados ao caso.

Acusações de blasfêmia provocam temor entre cristãos

O episódio ocorre em um contexto de preocupação com o uso das leis de blasfêmia no Paquistão. Organizações de direitos humanos e especialistas jurídicos alertam que essas normas podem ser utilizadas indevidamente em disputas pessoais e outros conflitos, atingindo de forma desproporcional minorias religiosas.

Embora o país não tenha executado pessoas pelo crime de blasfêmia por meio de uma sentença estatal, acusações desse tipo já foram associadas a ataques de multidões, mortes extrajudiciais e longos períodos de detenção antes do julgamento.

Em 9 de julho, um protesto violento foi registrado em Karachi, na província de Sindh, após a suposta entrega de uma página do Alcorão queimada a um comerciante muçulmano, acompanhada de fotografias de um cristão e de sua mãe. Segundo o ativista Asif Bastian, centenas de pessoas se reuniram nas proximidades da residência do homem, deixando entre dez e 15 famílias cristãs praticamente confinadas em suas casas. A polícia enfrentou hostilidade dos manifestantes, e o governo provincial mobilizou forças adicionais para restabelecer a ordem.

Poucos dias antes, mais de duas dezenas de famílias cristãs também haviam deixado suas casas na província de Punjab por medo de violência após acusações contra o pastor Sajeel Robin, que mora nos Estados Unidos. Segundo o defensor dos direitos humanos Joseph Nayyar, anúncios feitos por alto-falantes de mesquitas acusaram o religioso de publicar vídeos ofensivos ao islamismo e ao profeta Maomé. A polícia orientou os cristãos a saírem temporariamente da região como medida de precaução.

Paquistão está entre os países com maior perseguição a cristãos

Na Lista Mundial da Perseguição de 2026, elaborada pela organização Portas Abertas, o Paquistão aparece na oitava posição entre os 50 países onde os cristãos enfrentam as formas mais severas de perseguição.

A organização aponta problemas como discriminação sistemática, violência de multidões, conversões forçadas, trabalho em condições de servidão e violência de gênero. Também alerta que falhas na aplicação da lei e a impunidade contribuem para que responsáveis por ataques contra cristãos escapem de punições.

No caso de Kamran Masih, a polícia informou que a investigação estava em andamento e que os responsáveis pela violência seriam submetidos aos procedimentos legais.

Folha Gospel com informações de Christian Daily International em parceria com a Morning Star News

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