Cristãos sofrem intensa perseguição no Paquistão. (Foto: reprodução)
Cristãos sofrem intensa perseguição no Paquistão. (Foto: reprodução)

O óbito de Amir Peter ocorreu devido a complicações de diabetes sob custódia enquanto outros dois homens foram absolvidos recentemente por falta de provas

Um homem cristão mantido sob custódia no Paquistão faleceu antes de ser submetido a julgamento por acusações de blasfêmia consideradas infundadas por seus familiares. Amir Peter, que sofria de diabetes, enfrentou complicações graves de saúde no período de detenção após ser denunciado por comerciantes locais em julho de 2025, conforme dados disponibilizados pela organização Portas Abertas.

O caso chama atenção para as duras condições de detenção e a lentidão do sistema judicial paquistanês, país classificado na oitava posição da Lista Mundial da Perseguição 2026. Processos relacionados a ofensas religiosas costumam arrastar-se por longos períodos nos tribunais, gerando graves consequências aos acusados antes de qualquer decisão definitiva.

Em contrapartida, julgamentos recentes realizados em Lahore resultaram na absolvição de outros dois cidadãos de fé cristã que haviam sido denunciados sob alegações semelhantes. Dennis Albert, detido em abril de 2024 sob acusação de profanar o Alcorão ao sair de seu riquixá, foi inocentado devido à inconsistência nos depoimentos das testemunhas e à falta de comprovação de provas digitais. O magistrado fundamentou a decisão em diretrizes da Suprema Corte do país, que determinam o benefício da dúvida em favor dos réus.

O segundo caso envolveu Nadeem Masih, um homem com deficiência visual de 51 anos que prestava serviços de pesagem em um parque. Ele havia sido acusado de ofender o profeta Maomé, mas a defesa comprovou que a denúncia fora motivada por atritos estritamente pessoais. O tribunal analisou os fatos e determinou sua absolvição.

Apesar dos desfechos favoráveis na Justiça, a mera acusação de blasfêmia gera represálias graves e duradouras no país, incluindo ameaças de morte e deslocamento forçado de famílias. Um porta-voz da Portas Abertas Internacional detalhou as repercussões enfrentadas pelas vítimas e cobrou rigor nas investigações.

“Ser acusado de blasfêmia é algo extremamente sério no Paquistão e tem consequências que mudam a vida da pessoa envolvida e de sua família. Pedimos que as investigações sejam conduzidas de forma rigorosa por agentes experientes e que todas as evidências sejam cuidadosamente examinadas.”

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