Manuela D’Ávila (PCdoB), candidata a vice-presidente na chapa de Fernando Haddad (PT), nas eleições de 2018
Manuela D’Ávila (PCdoB), candidata a vice-presidente na chapa de Fernando Haddad (PT), nas eleições de 2018

A candidata a vice na chapa presidencial do PT, Manuela D’Ávila (PCdoB), entrou com um recurso no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para suspender um anúncio de Jair Bolsonaro (PSL) e para pedir direito de resposta.

No horário eleitoral de quinta-feira (25), a campanha de Bolsonaro usou um trecho de uma entrevista de Manuela que sugere que ela não é católica. A propaganda adversária ainda aponta que a candidata e seu cabeça de chapa, Fernando Haddad (PT), são ateus, o que já foi negado por ambos.

O trecho da frase de Manuela usada pela campanha de Bolsonaro é “brasileiros que não são cristãos, como eu”. A vírgula, no caso do trecho escrito, altera o sentido da frase. Para a defesa de Manuela, Bolsonaro usou o trecho de “forma maliciosa e com evidente intenção de manipular o verdadeiro teor da fala”.

No vídeo original, Manuela respondia a uma perguntava em que apontava ser contra o ensino religioso nas escolas. “Então, tu pega um estudante brasileiro que é de religião afro, ele não tem a liberação para nenhum de seus rituais. Os católicos ou cristãos como eu todos os domingos são liberados. Os metodistas que têm um determinado turno de um dia do nosso calendário útil. Então, acaba que isso prejudica e faz com que brasileiros que não são cristãos como eu sejam penalizados, não é certo”.

Segundo a defesa, no trecho usado por Bolsonaro, a interpretação da frase “brasileiros que não são cristãos como eu” é errada. “O trecho desonestamente selecionado pelos representados confere interpretação dúbia”, dizem os advogados. “É possível compreender que a fala da candidata se vale de elipse para informar que ‘faz com que brasileiros que não são cristãos, como eu [sou], sejam penalizados, não é certo’.”

No mesmo recurso, o PT critica a associação do partido ao assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em 2001. Segundo os advogados, “nem mesmo as autoridades policiais, que investigaram profundamente o crime cometido contra Celso Daniel encontraram provas ou sequer indícios que pudessem transformar a tragédia em um crime político”.

Para os defensores, a campanha de Bolsonaro apresentou “absurdas hipóteses, que representam mentiras descaradas com fins estritamente eleitorais”. “A manifestação durante propaganda eleitoral gratuita das pessoas representadas ataca Manuela D’Ávila e o Partido dos Trabalhadores com informações inverídicas, difamatórias e injuriantes, sem qualquer legitimidade ou fundamento, constituindo-se em um verdadeiro manifesto político que agride os candidatos, sem qualquer possibilidade de contraditório, contraponto ou debate”, dizem os advogados.

O recurso está sob responsabilidade do ministro do TSE Carlos Horbach, que ainda não se manifestou no processo. Procurada pela reportagem, a defesa da campanha de Bolsonaro ainda não se manifestou. Esta sexta é o último dia permitido para que inserções e o programa eleitoral gratuito sejam exibidos na TV.

Fonte: UOL