Jair Bolsonaro, Silas Malafaia e Magno Malta
Jair Bolsonaro, Silas Malafaia e Magno Malta

Se hoje é um dos escudeiros mais verborrágicos de Jair Bolsonaro (PSL), o pastor Silas Malafaia já lhe dedicou palavras pouco generosas no ano passado. Estava magoado.

O hoje presidenciável representava a “direita radical”, disse em vídeo.

“Não existe direita radical? Você que tá enganada, minha filha. Sabe qual é a direita radical? É aquela que prega que quer fechar o Congresso Nacional.”

O nome de Bolsonaro não é mencionado, mas o alvo é claro.

Em entrevista ao programa Câmera Aberta, 19 anos atrás, o deputado foi questionado se ele fecharia o Congresso caso chegasse à Presidência.

“Não há menor dúvida, daria golpe no mesmo dia! Não funciona! E tenho certeza de que pelo menos 90% da população ia fazer festa, ia bater palma, porque não funciona. O Congresso hoje em dia não serve pra nada, só vota o que o presidente quer. Se ele é a pessoa que decide, que manda, que tripudia em cima do Congresso, dê logo o golpe, parte logo para a ditadura”, afirmou à época.

Em seu rompante contra Bolsonaro, Malafaia diz a fiéis que o acompanham numa transmissão ao vivo: “Eu queria dizer pra vocês que, assim como a turma da esquerda radical tem seus contratados para plantar notícia contra quem é contra eles, a turma da direita radical também tem. E se você não falar o que eles querem, mandam o pau em cima de vocês”.

O líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo afirma que não é vinculado a partidos políticos nem tem paixões na área, por isso fala o que bem entende.

O candidato que não nomeia, mas claramente é Bolsonaro, não reunia, segundo ele, uma trinca de qualidades vital para quem quer ser presidente da República.

“Competência política?”, ele questiona e gargalha. “Competência administrativa? Integridade não é a única fonte para alguém ser presidente. Anote o que eu tô te falando.”

Também afirma que “os intolerantes estão na direita e na esquerda, vamos deixar de ser trouxa”.  E continua: “Eu tô rindo como o povo de Deus come pela mão dos outros. É incrível, viu? Eu fico é assim, de boca aberta”.

O desentendimento entre os dois começou após Malafaia ser indiciado na Operação Timóteo, em fevereiro de 2017 —a Polícia Federal o citou sob suspeita de lavagem de dinheiro num esquema de corrupção em cobranças de royalties da exploração mineral.  Ressentiu-se por achar que Bolsonaro não ficou ao seu lado, ao menos não de forma enfática.

“Na tribuna da Câmara, achei que a defesa dele foi fraca. Ele sabe que não tive envolvimento algum com essa vagabundagem. Quem toma a pancada é que sabe a dor”, diz à Folha.

Malafaia passou parte da pré-campanha apoiando João Doria (PSDB), que ainda sonhava com a candidatura ao Planalto. Isso colaborou para que virasse saco de pancadas para bolsonaristas. “Os caras começaram a me fustigar, eu pra sacanear falei isso [de direita radical].”

Acabou mudando para Bolsonaro quando o plano do tucano não se concretizou. Em março, reuniu-se com Magno Malta, o capitão reformado e o filho Flávio Bolsonaro na sede de sua igreja, no Rio.

Foi Magno, pastor como ele, quem fez a ponte para que Malafaia e o capitão reformado fizessem as pazes, conta.

Na semana passada, durante um culto, o pastor também comentou o episódio, para ele já superado.

“Ele me defendeu, mas não me defendeu como deveria, por isso fiquei invocado. Foi por isso, eu estava com raiva, quando a gente está com raiva fala umas bobagens e eu estava indignado. Porque eu defendi ele na questão da Maria do Rosário, que chamou ele de estuprador. Na hora que chegou minha vez, deu um depoimento lá no Congresso, eu falei: é isso, cara? Tinha que meter nas redes sociais. Depois que acabou tudo, [Bolsonaro disse] vem gravar uma live, aí agora eu não quero.”

Fonte: Folha de São Paulo (Anna Virginia Balloussier)