A ex-policial americana Jeanne Assam (foto), de 42 anos, apareceu na mídia pela primeira vez, depois de impedir que um atirador que matou duas pessoas na saída da igreja New Life (Nova Vida), em Colorado Springs, nos EUA, fizesse mais vítimas.

Assam é considerada heroína em sua cidade desde domingo, segundo o canal de TV americano “The Denver Channel”.

– Deus me guiou e me protegeu – disse ela, para as câmeras de TV e diante dos aplausos dos moradores da cidade.

Assam fazia parte da equipe de segurança da igreja e atirou diversas vezes em Matthew Murray, de 24 anos, que abriu fogo contra o prédio. Após os disparos da mulher, o atirador se suicidou.

O pastor da New Life Brady Boyd afirmou que a ex-policial é uma verdadeira heroína porque Murray tinha “munição suficiente para fazer um grande estrago”.

Ao ser questionada pelos repórteres sobre o ato heróico, a americana disse que “não iria esperá-lo fazer um estrago maior”.

– Dou crédito a Deus – disse ela.

Segundo Assam, Murray entrou atirando na igreja pela porta direita.

– Foi caótico. Nunca vou me esquecer do barulho dos disparos. Era muito alto. Eu o vi entrando. Em minuto algum pensei em fugir.

A igreja New Life é uma das maiores do Colorado e foi fundada pelo reverendo Ted Haggard, afastado no ano passado depois de confessar seu envolvimento num escândalo sexual.

No momento dos disparos, havia cerca de 7 mil pessoas no templo, disse um pastor da congregação.

Colorado Springs – um ponto central da atividade evangélica nos Estados Unidos – abriga também os escritórios centrais do influente grupo conservador cristão Foco na Família.

Há menos de uma semana, um outro tiroteio chocou os EUA. Na quarta-feira, um jovem de 19 anos matou oito pessoas e depois se suicidou dentro de um shopping na cidade de Omaha , no estado americano de Nebraska. A polícia divulgou na sexta-feira uma carta de despedida do atirador , em que ele dizia que seria lembrado como um monstro.

Estudante brasileiro foi colega de quarto de ‘atirador do Colorado’

Uma equipe de reportagem do “Jornal Nacional” encontrou, em Santa Catarina, um estudante que foi colega de quarto de Mathew Murray, o atirador do Colorado, há cinco anos, quando morava nos Estados Unidos.

Richard Werner tem apenas uma foto do antigo colega. O rapaz gostava de andar sozinho e tinha um comportamento estranho. “Ele tinha oscilações de humor muito intensas. Umas vezes ele estava muito feliz, outras vezes muito triste. Muitas vezes, sarcástico, outras vezes até mesmo bizarro”, conta Richard.

Quando soube dos ataques dos Estados Unidos, Richard estava ao lado da mulher e conta que não ficou surpreso. “Como eu falei para a minha esposa, no momento em que a gente viu, não tinha dúvida do que estava acontecendo. Eu disse: ‘Eu sei quem fez isso’. Ela perguntou como e eu disse que havia sido o Matthew, o cara que dormia do meu lado. Ele tem a característica de fazer uma coisa desse jeito”.

Richard passou seis meses estudando nos Estados Unidos. Durante esse período, ele escreveu um diário e registrou a dificuldade de relacionamento com o colega. Ele diz que estava quase perdendo a paciência porque Matthew costumava espalhar boatos. “Ele sempre inventava histórias, destorcia fatos, tentava colocar uma pessoa contra outra”.

Richard era colega de quarto de Mathhew, dormia numa cama ao lado dele. Diz que o rapaz costumava fazer muito barulho durante a noite. “Certa noite, acordei no meio da madrugada e perguntei pra ele: ‘O que você está fazendo, cara?’. Ele falou: ‘Não me incomode. Estou falando com as minhas vozes’”.

Matthew saiu da escola antes de concluir o curso e deixou um aviso para os colegas. “Dá um recado para todo mundo: agora vocês vão conhecer a sua estrela”.

Apesar de estudar numa escola cristã, Richard diz que Mathhew costuma criticar o cristianismo. “O cristianismo, infelizmente, era uma das razões para os males do mundo. O que mais me doeu foi ver que ele transformou tudo aquilo que a gente aprendeu lá, que era amor, nesse ódio”.

Fonte: Globo Online e G1