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Livro "Cristianismo leve: O antídoto bíblico contra uma cultura de legalismo" (Foto: Montagem/Folha Gospel)
Em pleno século 21, ainda existem comunidades cristãs que adotam normas rígidas que não estão presentes nas Escrituras, mas que acabam moldando a vida religiosa dos fiéis. Proibições ligadas ao consumo de bebida alcoólica, uso de tatuagens, vestuário e participação em atividades como praia, piscina, cinema, shows seculares ou eventos esportivos. Também surgem restrições a práticas cotidianas, como assistir partidas de futebol ou realizar atividades aos domingos – além do descanso e do culto.
Cristianismo leve, novo livro do teólogo Pedro Pamplona, parte dessas situações para rebater tais exigências e como o leitor pode conduzir a vida espiritual com base no que está efetivamente registrado na Bíblia.
Pamplona, que é pastor da Igreja Batista Filadélfia, em Fortaleza, professor e apresentador do podcast Biblioteca Pamplona, define o legalismo como a ideia de que a aceitação divina depende do cumprimento de regras adicionais ao texto bíblico. Ele descreve como isso se manifesta tanto na relação pessoal com Deus quanto no convívio comunitário, quando critérios individuais passam a ser utilizados para validar a fé do outros. Nesse contexto, o livro também aborda pressões relacionadas à vida conjugal, como cobranças para que solteiros se casem ou para que casais tenham filhos, além da imposição de alinhamento político específico como sinal de pertencimento espiritual.
O evangelho é uma boa notícia, não uma lista de regras. É uma boa notícia não apenas de que vamos para o céu e podemos viver como quisermos, é a notícia de um reino que tem sua própria ética. (Cristianismo Leve, p. 87)
Este livro da Editora Mundo Cristão oferece instrumentos para que o leitor avalie quais orientações derivam das Escrituras e quais resultam de tradições humanas, permitindo reorganizar a prática da fé de acordo com princípios presentes nos textos bíblicos. A obra é indicada para quem deseja revisar suas práticas religiosas, líderes envolvidos em formação espiritual e pessoas interessadas em compreender como determinadas exigências se consolidam na vida comunitária.
Sobre o autor: Pedro Pamplona possui especialização em Estudos Teológicos pelo Centro Presbiteriano Andrew Jumper e é mestre em Teologia Sistemática pelo Instituto Aubrey Clark. É pastor da Igreja Batista Filadélfia, em Fortaleza, apresentador do podcast Biblioteca Pamplona e professor do curso Teologia e Leitura Inteligente. É casado com Laryssa e pai de Davi, Ester e Isabel.
Ficha técnica Título: Cristianismo leve Subtítulo: o antidoto bíblico contra uma cultura de legalismos Autor: Pedro Pamplona Editora: Mundo Cristão Onde encontrar: Amazon (clique aqui)
Pastor cubano, Elier Muir Ávila, e seu filho, Jonathan Muir Burgos (Foto: Reprodução)
Um pastor evangélico cubano, Elier Muir Ávila, e seu filho, Jonathan Muir Burgos, de 16 anos, foram detidos em 16 de março, em Morón, Cuba, após protestos que eclodiram na noite de 13 de março e se estenderam pelo dia seguinte.
As manifestações foram motivadas por uma semana de apagões e escassez de suprimentos médicos e alimentícios, levando manifestantes a saquear e incendiar a sede do Partido Comunista local.
O pastor já foi liberado, mas seu filho permanece detido no Departamento de Investigações Técnicas (DTI) em Ciego de Ávila.
Autoridades cubanas interrogaram Jonathan Muir Burgos sobre sua participação nos protestos e supostos apelos por liberdade.
A família luta pela libertação rápida do adolescente, especialmente devido à sua condição de saúde delicada.
A organização Christian Solidarity Worldwide, através de sua Diretora de Advocacy, Anna Lee Stangl, emitiu um comunicado exigindo…
O Parlamento da Escócia votou em 17 de março contra um projeto de lei que legalizaria o suicídio assistido para adultos com doenças terminais, provocando uma forte reação dos líderes da Aliança Evangélica do Reino Unido, que afirmaram que o resultado protege pessoas vulneráveis e defende o valor da vida.
Os legisladores votaram 69 contra o projeto de lei sobre morte assistida para adultos com doenças terminais (Escócia) e 57 a favor. Um membro se absteve, enquanto dois não votaram. O resultado reverteu o apoio anterior à medida em sua primeira fase, em maio de 2025, quando foi aprovada por 70 votos a 56.
A legislação proposta permitiria que adultos com doenças terminais, com 16 anos ou mais, com prognóstico de seis meses ou menos e considerados capazes de tomar decisões, solicitassem assistência médica para pôr fim às suas vidas. De acordo com o projeto de lei, dois médicos precisariam aprovar o pedido, e um profissional de saúde forneceria uma substância que o paciente poderia optar por autoadministrar.
Os líderes da Aliança Evangélica acolheram favoravelmente o resultado, enfatizando as preocupações com a coerção, a proteção e o impacto social mais amplo das leis sobre morte assistida.
Danny Webster, diretor de defesa da Aliança Evangélica do Reino Unido, afirmou que a lei proposta “pouco fez” para garantir que indivíduos vulneráveis não fossem pressionados a tirar a própria vida e não protegeu totalmente os profissionais médicos que não desejassem participar.
“Enquanto grupos de pressão que defendiam uma mudança na lei compravam anúncios nas primeiras páginas de todos os principais jornais escoceses, a campanha de resistência à mudança abrangia todos os setores da sociedade”, disse Webster. “De grupos médicos a ativistas pelos direitos das pessoas com deficiência, de especialistas jurídicos a líderes cristãos, a coligação da oposição que pediu cautela e que, por fim, conseguiu persuadir os políticos a rejeitar a mudança, foi poderosa e diversificada.”
Peter Lynas, diretor da Aliança Evangélica no Reino Unido, descreveu a decisão como uma reafirmação da necessidade de priorizar o cuidado e a proteção daqueles que se aproximam do fim da vida.
“A legislação proposta era insegura, inviável e corria o risco de prejudicar o valor das pessoas idosas, com deficiência ou em fase terminal”, disse Lynas. “A Escócia deve ser um lugar onde todos possam viver com dignidade e prosperar.”
Ele acrescentou que a votação deve estimular um investimento renovado em cuidados paliativos e de fim de vida em todos os serviços de saúde e assistência social.
O governo escocês manteve uma posição neutra em relação à legislação ao longo de todo o debate, permitindo que os membros do Parlamento votassem de acordo com sua consciência.
O projeto de lei foi apresentado por Liam McArthur, membro do Parlamento Escocês representando Orkney. Após a votação, ele disse estar “devastado” com o resultado e argumentou que a decisão atrasaria o que descreveu como uma mudança legal inevitável.
Essa rejeição marca a terceira vez, desde a criação do Parlamento Escocês em 1999, que os parlamentares votaram contra propostas para legalizar a morte assistida.
A decisão também evidencia as divisões persistentes no Reino Unido sobre o assunto. Na Inglaterra e no País de Gales, a Câmara dos Comuns aprovou legislação semelhante em dezembro de 2024, embora ela ainda esteja sob análise na Câmara dos Lordes e não tenha se tornado lei.
Um grupo de defesa dos valores judaico-cristãos na Austrália lançou um banco de dados para monitorar violações da liberdade religiosa dos cristãos.
A Declaração de Canberra, um grupo que apela aos líderes australianos para que reconstruam os fundamentos judaico-cristãos do país, lançou em 11 de março o Índice Australiano de Liberdade Cristã (ACFI, na sigla em inglês), com um relatório de 40 páginas sobre as correntes anticristãs em 2025.
O lançamento do índice e do relatório ocorreu em um webinar no qual importantes líderes cristãos e especialistas jurídicos mapearam a discriminação religiosa na Austrália.
Os participantes do painel argumentaram que as leis antidiscriminação na Austrália silenciam a igreja. Eles defenderam que um índice formal deve comprovar ao governo que forças estruturais corroem os direitos religiosos. Para corroborar essa afirmação, o grupo está organizando uma pesquisa para registrar as violações dessas liberdades.
“O ACFI reúne diversas linhas de evidência para pintar o retrato mais abrangente da liberdade cristã na Austrália já produzido”, disse Kurt Mahlburg, um dos líderes da Declaração de Canberra.
Outro líder, Warrick Marsh, disse que a Austrália precisa de liberdade para compartilhar o evangelho, “e essa é provavelmente a liberdade mais importante”.
“Estamos perdendo essas liberdades há muitos, muitos anos – há décadas – e precisamos nos posicionar”, disse Marsh.
Ele descreveu o Índice como uma “linha divisória” para mostrar aos políticos, à mídia e àqueles que se opõem ao cristianismo os benefícios da liberdade religiosa. Ele argumentou que a Austrália deve manter seus fundamentos como uma nação que considera a liberdade cristã um valor central.
Os líderes pretendem criar um banco de dados com provas concretas e resultados de pesquisas para ilustrar como o Estado restringe as liberdades cristãs. Eles planejam apresentar o documento a políticos e à mídia como prova de que os cristãos australianos enfrentam crescente discriminação.
Uma das principais preocupações envolve a “regra do silêncio”, na qual os cristãos sofrem pressão para manter sua fé em privado, especialmente em relação a questões como gênero, criação de filhos e educação, disse George Christensen, ex-membro do Parlamento representando a CitizenGO.
Mahlburg observou que o grupo está auditando as leis estaduais após incidentes em que o estado obrigou escolas cristãs a contratar funcionários que não compartilham das crenças religiosas das instituições. Ele também citou casos de leis que obrigam profissionais da saúde a participar de abortos e eutanásia, além de restrições à pregação de rua perto de clínicas de aborto.
“Queremos ver quais estados são os mais livres e quais são os menos livres”, disse Mahlburg. “Esperamos que isso irrite os legisladores nos diferentes parlamentos.”
O painel destacou a falta de uma proteção legal robusta para a crença religiosa na Austrália. Enquanto os Estados Unidos se baseiam na Primeira Emenda, Mahlburg observou que a Austrália oferece apenas pequenas “isenções” em vez de direitos fortes.
“O que me impressiona é que, na Austrália, não temos a liberdade religiosa explicitamente protegida por lei – pelo menos não de forma robusta”, disse Mahlburg.
Ele acrescentou que, embora a Seção 116 da Constituição australiana ofereça uma “ressalva” à liberdade religiosa, o governo não conseguiu aproveitá-la.
“Nas últimas duas décadas, os governos federal e estaduais aprovaram leis contra a discriminação e a difamação”, disse Mahlburg. “A liberdade cristã na Austrália tornou-se uma série de ‘exceções’ ou isenções em outras leis… Estruturalmente, a situação na Austrália não é boa.”
Christensen lamentou que os cristãos estejam aprendendo uma “nova regra” na Austrália: “Fiquem quietos”.
“A ideia é que sua fé não deve ser vivida abertamente ou expressa em áreas ‘controversas’ como gênero, criação de filhos ou educação”, disse Christensen. “Não é paranoia; é um padrão de expansão de regras e sistemas baseados em reclamações sendo usados para nos pressionar ao silêncio. As pessoas estão se autocensurando para proteger seus empregos.”
Christensen refutou a ideia de que a capacidade de “ainda ir à igreja e cantar hinos” constitui verdadeira liberdade religiosa, chamando isso de “uma versão vazia da fé”. Ele relatou que o Departamento de Estado dos EUA já manifestou interesse no índice.
Outros participantes incluíram Michelle Pearse, CEO da Australian Christian Lobby (ACL); Peter Downie, Diretor Nacional da FamilyVoice Australia; e Augusto Zimmerman, professor de direito que está fundando faculdades de direito cristãs. Zimmerman, que está criando uma faculdade de direito cristã em Sydney, argumentou que a “proteção” do Estado por meio de leis antidiscriminação continua sendo injustificada.
“Quero que o Estado me deixe em paz”, disse Zimmerman. “O maior pecado da Austrália é a idolatria do governo. Precisamos parar de pedir mais leis e começar a votar em políticos que as revoguem. Não me sinto mais livre neste país. O que Deus dá, ninguém pode tirar.”
A Declaração de Canberra se descreve como uma comunidade ativa, solidária e em crescimento, formada por pessoas que têm uma visão de uma Austrália onde as crianças estejam seguras, as mulheres estejam protegidas, as famílias sejam felizes, todos tenham oportunidades justas, o incentivo seja recompensado, a integridade seja primordial, a vida seja preciosa e a liberdade seja para todos, inclusive para aqueles que professam a fé. Onde todos possam desfrutar da prosperidade que advém da revitalização dos valores judaico-cristãos que formam a base de nossa nação.
A Declaração de Canberra apela aos líderes nacionais para que protejam a vida, defendam o casamento, apoiem a família, reconstruam os fundamentos judaico-cristãos, garantam a liberdade religiosa e protejam as crianças.
Senador Carlos Viana. (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou um prazo de cinco dias para que o senador Carlos Viana, atual presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, preste esclarecimentos sobre a destinação de emendas parlamentares. A solicitação surge após dois deputados apontarem que Viana teria direcionado cerca de R$ 3,6 milhões para a Fundação Oasis, uma entidade descrita pelos parlamentares como o braço social da Igreja Batista da Lagoinha.
A Igreja Batista da Lagoinha é justamente um dos focos de investigação da CPMI do INSS, o que levanta questionamentos sobre a eventual violação de princípios de impessoalidade e transparência na alocação desses recursos. A situação se torna ainda mais complexa considerando que a igreja também foi mencionada em investigações anteriores relacionadas a fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. O contexto se agrava com a atuação de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, que exercia a função de pastor na instituição religiosa.
Investigação sobre repasses à fundação
As informações detalhadas na decisão indicam que os repasses financeiros para a Fundação Oasis ocorreram em distintas ocasiões. Em 2019, um montante de R$ 1,5 milhão foi destinado à entidade por meio de uma “emenda pix” direcionada à prefeitura de Belo Horizonte. Posteriormente, em 2023, a unidade da fundação localizada em Capim Branco, na região metropolitana de Belo Horizonte, recebeu R$ 1,47 milhão. O ciclo de repasses se completou em 2025, com um novo aporte de R$ 650,9 mil à mesma filial.
A sequência dessas transferências foi apresentada ao Supremo como indicativo de uma “relação de financiamento habitual” com a Fundação Oasis. Os deputados que apresentaram a petição argumentam que a conduta do senador Viana, à frente de uma CPMI que apura a igreja, poderia configurar uma violação aos preceitos de impessoalidade e transparência que regem a alocação de verbas públicas.
Preocupações com o cargo de presidente da CPMI
Adicionalmente, as alegações apresentadas incluem a preocupação de que o senador, em sua posição como presidente do colegiado, possa utilizar o cargo para obstruir as investigações em andamento que afetam a fundação. Essa possibilidade levanta sérias questões sobre a integridade e a imparcialidade dos trabalhos da CPMI.
Além de exigir as explicações de Carlos Viana, o ministro Flávio Dino também determinou que a Advocacia do Senado se pronuncie formalmente sobre o caso. A busca por esclarecimentos visa garantir a lisura nos processos e a confiança nas instituições.
A reportagem buscou contato com Carlos Viana e com a Fundação Oasis para obter seus posicionamentos sobre as alegações. O espaço permanece aberto para manifestações.
A decisão foi tomada pela Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), que concedeu habeas corpus e determinou o trancamento definitivo da ação penal. Os desembargadores entenderam que as postagens analisadas não configuram crime, por não apresentarem incitação à violência ou à discriminação.
O caso ganhou repercussão nacional e internacional por envolver debate sobre liberdade de expressão e legislação brasileira relacionada à transfobia.
Origem da denúncia
A investigação começou após duas publicações feitas pela estudante em 2020 na rede social X (antigo Twitter). Nos textos, ela afirmou que pessoas trans mantêm o sexo biológico de nascimento, mesmo após tratamentos hormonais ou cirurgias.
As declarações motivaram a deputada Erika Hilton a apresentar denúncia às autoridades, o que levou o Ministério Público Federal a abrir um processo criminal por suposta prática de transfobia.
A acusação se baseava na interpretação jurídica derivada de uma decisão do Supremo Tribunal Federal de 2019, que equiparou homofobia e transfobia ao crime de racismo. Nesse enquadramento, cada acusação poderia resultar em pena de dois a cinco anos de prisão, podendo chegar a até dez anos no total caso houvesse condenação em duas acusações.
A estudante chegou a ser formalmente notificada da denúncia em 2025.
Entendimento do tribunal
Na análise do caso, os magistrados do TRF-5 concluíram que as postagens não continham ataques, ameaças ou incentivo à hostilidade contra pessoas trans.
Segundo o voto do relator, o conteúdo tinha caráter opinativo e fazia referência a argumentos de natureza filosófica ou científica, sem evidenciar intenção deliberada de discriminar — elemento necessário para a configuração do crime.
Com esse entendimento, o colegiado decidiu pelo arquivamento do processo.
“A decisão do tribunal me traz grande alívio e esperança de que a liberdade de expressão seja protegida no Brasil ”, disse Borges. “ A verdade importa. Declarar fatos biológicos em uma publicação nunca deveria resultar em prisão. Todos os brasileiros merecem falar livremente e defender aquilo em que acreditam, mesmo que suas opiniões sejam diferentes das de quem está no poder .”
Com esta decisão, o Tribunal estabelece um importante precedente jurídico, segundo o qual opiniões como as partilhadas por Borges não constituem motivo para acusações criminais de “transfobia”.
Esta é a primeira vez que um tribunal federal no Brasil é chamado a se pronunciar sobre o mérito da criminalização da liberdade de expressão com base em uma acusação de “transfobia”.
“Elogiamos a decisão do tribunal em favor de Isadora. Esta é uma vitória promissora para a liberdade de expressão no Brasil, mas isso nunca deveria ter acontecido. Mesmo quando as acusações são rejeitadas, o efeito desse tipo de censura excessiva é o de inibir a liberdade de expressão em todo o país, já que as pessoas ficam atentas ao que dizem por um legítimo receio de processo criminal”, disse Julio Pohl, consultor jurídico da ADF Internacional.
“Casos de censura semelhantes ao de Isadora estão em curso e continuam a surgir no Brasil. Devemos continuar a lutar contra a censura desenfreada que temos visto no país, até que nenhum brasileiro tema ser punido por sua expressão pacífica.”
Repercussão do caso
A defesa da estudante recebeu apoio jurídico da organização internacional ADF International, que atua em casos relacionados à liberdade religiosa e de expressão.
O processo também ganhou atenção internacional após ser citado em artigos e debates sobre limites da legislação brasileira em relação a manifestações de opinião nas redes sociais.
Especialistas apontam que o caso ocorre em um contexto mais amplo de discussões jurídicas no país sobre liberdade de expressão, discurso de ódio e a aplicação da decisão do Supremo que equiparou homofobia e transfobia ao crime de racismo.
Com o arquivamento determinado pelo tribunal, a ação penal contra a estudante foi encerrada, embora o Ministério Público ainda possa recorrer da decisão.
Crescente padrão de censura no Brasil
Desde que uma decisão do Supremo Tribunal Federal do Brasil, em 2019, equiparou a “homofobia” e a “transfobia” ao crime de racismo, e sem que o Congresso tenha aprovado uma legislação nesse sentido, indivíduos em todo o Brasil têm enfrentado, cada vez mais, investigações e processos criminais por expressarem suas opiniões pacificamente.
Em 2025, a influenciadora digital Isabella Cepa enfrentou investigações criminais por uma publicação online sobre ideologia de gênero. Da mesma forma, Nine Borges (sem parentesco com Isadora Borges) está sob investigação criminal por “transfobia” devido a conteúdo publicado no Instagram.
Em outro caso, o pastor Douglas Baptista, das Assembleias de Deus, enfrentou acusações criminais por escrever um livro com uma visão cristã da sexualidade. As acusações foram retiradas, mas permanecem como evidência da tendência mais ampla e assustadora de censura governamental no Brasil à expressão pacífica na internet.
A ADF Internacional também representa cinco legisladores brasileiros (o senador Eduardo Girão e os deputados Marcel Van Hattem, Adriana Ventura, Gilson Marques e Ricardo Salles) perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Os legisladores contestam violações de seu direito à liberdade de expressão perante a Comissão. Eles alegam que suas liberdades de expressão foram violadas em decorrência da crescente censura estatal, que culminou com a proibição do conteúdo sexual explícito no Brasil em 2024. A censura no Brasil tem sido um problema persistente e crescente desde 2019.
Folha Gospel com informações de Metrópoles e ADF International
Fachada de um templo da Igreja Universal (Foto: Reprodução)
A Igreja Universal do Reino de Deus prepara uma grande demonstração de força para a Sexta-feira da Paixão, em 3 de abril de 2026. A denominação alugou nove estádios de futebol em diferentes regiões do Brasil para o evento “Família ao Pé da Cruz”. A iniciativa visa não apenas a tradicional celebração religiosa às vésperas da Páscoa, mas também enviar um recado político, consolidando a imagem da igreja como uma força influente no cenário nacional.
A escolha de múltiplos estádios simultaneamente é inédita e reflete a ambição da igreja em projetar sua relevância. O evento busca reunir fiéis em locais icônicos como o Maracanã, no Rio de Janeiro, a Neo Química Arena e o Pacaembu, em São Paulo, além de outros grandes palcos em Brasília, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte, Belém e Teresina. Essa estratégia demonstra a capilaridade da Universal e sua capacidade de mobilização em larga escala.
Uma mensagem de força política
O evento “Família ao Pé da Cruz” carrega um viés político notório, especialmente com a proximidade das negociações eleitorais. A Igreja Universal, fundadora do partido Republicanos, busca reforçar sua influência junto ao presidente Lula e ao senador Flávio Bolsonaro, apesar de se sentir preterida em articulações recentes. A iniciativa, promovida pelo bispo Renato Cardoso, genro de Edir Macedo e apontado como seu sucessor, foi descrita por ele como “a maior lata de conservas da família”, uma referência irônica a manifestações culturais que a igreja busca contrapor.
Ainda que pesquisas recentes minimizem o impacto de manifestações culturais específicas na popularidade presidencial, líderes evangélicos utilizam esses fatos como forma de desgastar o governo. Dados recentes indicam uma desaprovação significativa do governo Lula entre os evangélicos, o que a igreja pretende capitalizar.
Os desafios do aluguel de grandes arenas
O aluguel de estádios para eventos religiosos já é uma prática consolidada entre igrejas evangélicas, mas a Universal inova ao reservar nove locais simultaneamente. Essa movimentação representa um investimento considerável. Em dezembro, por exemplo, a Neo Química Arena foi alugada por R$ 2,9 milhões para um show gospel. Mais recentemente, o Pacaembu cobrou R$ 1,25 milhão para a cessão de seu gramado. Esses valores evidenciam o alto custo associado à realização de eventos de grande porte em locais de renome.
Historicamente, governos já destinaram recursos públicos para auxiliar na realização de celebrações religiosas. Em São Paulo, a prefeitura aportou R$ 4 milhões para um evento gospel, enquanto o governo do Rio de Janeiro anunciou um patrocínio de R$ 5 milhões para a estrutura do “Família ao Pé da Cruz” da Universal. Essa prática levanta discussões sobre o uso de verbas públicas em eventos de cunho religioso.
Relações políticas e estratégias futuras
A relação entre a Igreja Universal e o PT, e especificamente com Lula, tem um histórico de altos e baixos. Houve períodos de forte antagonismo nos anos 80 e 90, com críticas veementes e tentativas de associar a imagem de Lula a religiões de matriz africana. Posteriormente, a igreja demonstrou apoio a Lula em eleições dos anos 2000 e também à ex-presidente Dilma Rousseff. Apesar do apoio a Jair Bolsonaro em eleições recentes e de ter o governador de São Paulo em seus quadros, o partido Republicanos busca manter uma posição neutra no primeiro turno das próximas eleições, concentrando esforços nas disputas estaduais.
O partido também enfrenta desafios internos e estratégicos. Enquanto alguns membros buscam candidaturas em diferentes esferas, como a tentativa do ex-prefeito Marcelo Crivella de retornar ao Senado, a cúpula do Republicanos demonstra preferência por outras estratégias, como alavancar candidatos à Câmara dos Deputados. A definição de alianças e candidaturas, especialmente em estados como o Rio de Janeiro, continua sendo um ponto de atenção e articulação política.
O evento “Família ao Pé da Cruz” se configura, portanto, não apenas como um marco religioso, mas como uma poderosa declaração de força e influência política da Igreja Universal do Reino de Deus no cenário brasileiro.
Fachada da Lagoinha Church em Orlando, EUA (Foto: Reprodução)
A unidade da Igreja Batista da Lagoinha localizada no bairro nobre de Belvedere, em Belo Horizonte, encerrou suas atividades no último domingo, 15 de março. O fechamento ocorre após a prisão de seu pastor, Fabiano Campos Zettel, em 4 de março, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.
Fabiano Campos Zettel, que também era presidente do quadro de sócios e administradores da igreja, foi detido pela Polícia Federal. Ele é apontado como operador financeiro de um grupo investigado por fraudes financeiras bilionárias, liderado por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Apesar do encerramento das atividades presenciais, o CNPJ da organização permanece ativo.
A prisão de Zettel não foi o único desdobramento em sua carreira religiosa e profissional. Ele já havia sido afastado de atividades ministeriais anteriormente, após se tornar alvo das investigações relacionadas ao escândalo do Banco Master. Casado com Natália Vorcaro Zettel, irmã do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Campos Zettel é considerado uma figura de confiança do empresário em questões de negócios e investimentos.
O pedido de prisão de Zettel, expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o descreve como um dos principais executores financeiros do grupo ligado ao Banco Master. As investigações apontam para a atuação do pastor em esquemas de fraudes financeiras de grande escala, com valores que podem atingir cifras bilionárias.
Em paralelo, o ministro do STF André Mendonça, responsável por relatar o Caso Master na Corte, atendeu a um pedido da Polícia Federal e prorrogou por mais 60 dias o inquérito que apura o escândalo. A justificativa apresentada pela PF envolve a alta complexidade do caso, o volume expressivo de documentos apreendidos e a necessidade de análises técnicas aprofundadas para a conclusão das investigações. O pedido formal de prorrogação foi feito pela instituição na terça-feira, 17 de março.
A atriz Jessie Buckley conquistou o Oscar 2026 de Melhor Atriz (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
A atriz Jessie Buckley, de 36 anos, conquistou neste domingo, 15 de março, o Oscar de Melhor Atriz. A cerimônia, realizada no Dolby Theatre em Los Angeles, viu a artista receber a estatueta por sua atuação no filme Hamnet: A Vida Antes de Hamlet. Durante seu discurso, Buckley enfatizou a relevância da família, do casamento e da maternidade, coroando uma temporada de premiações de sucesso.
Buckley agradeceu o apoio de sua família irlandesa, presente na plateia, e dedicou o prêmio aos seus pais. “Mãe, pai, obrigada por nos ensinarem a sonhar e a nunca nos definirmos por expectativas, mas sim pela nossa própria paixão”, declarou a atriz.
Cristãos em uma igreja no Sudão (Foto: Portas Abertas)
Líderes religiosos e organizações humanitárias internacionais alertam que o aumento da violência no Sudão do Sul pode levar a frágil nação a uma nova guerra civil, instando os líderes políticos a interromperem as operações militares e retomarem o diálogo para evitar mais sofrimento à população civil.
Líderes religiosos e grupos de ajuda humanitária afirmam que os recentes ataques a comunidades e operações de assistência apontam para uma deterioração da situação de segurança, que ameaça o frágil acordo de paz de 2018 no país. As preocupações surgem em um momento em que organizações humanitárias relatam aumento do deslocamento populacional e redução do acesso à ajuda em algumas das áreas mais afetadas.
O Conselho de Igrejas do Sudão do Sul, um órgão ecumênico que representa as igrejas Católica, Anglicana, Presbiteriana e Evangélica, afirmou que o país está se aproximando de um momento perigoso. O conselho tem desempenhado um papel importante nos esforços de construção da paz no país, facilitando iniciativas de reconciliação e diálogos comunitários durante e após a guerra civil.
Líderes religiosos instaram os líderes políticos a priorizarem o diálogo em vez da ação militar, afirmando que o uso contínuo da força poderia prejudicar o processo de paz.
“O ano de 2025 foi o pior, o ano em que nosso povo perdeu a confiança devido ao fracasso repetido na implementação de uma paz genuína em nosso país por parte dos líderes políticos e de algumas elites”, disse Stephen Ameyu Martin Mulla, Arcebispo da Arquidiocese Católica Romana de Juba, em uma recente coletiva de imprensa .
A Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas, uma rede global que representa mais de 100 milhões de cristãos das tradições congregacional, presbiteriana e outras reformadas, afirmou que os ataques demonstram a rapidez com que o país pode voltar a mergulhar em um conflito generalizado.
“A escalada da violência ameaça minar a frágil paz que foi construída nos últimos anos”, afirmou a organização em um comunicado público.
O grupo instou os líderes políticos do Sudão do Sul a reafirmarem o acordo de paz e apelou à comunidade internacional para que apoie os esforços destinados a prevenir um conflito mais amplo.
Líderes religiosos locais fizeram coro com essas preocupações.
Líderes cristãos afirmam que as igrejas continuam profundamente preocupadas com o impacto da intensificação da violência sobre famílias comuns que já enfrentam pobreza, deslocamento e insegurança alimentar.
Líderes católicos regionais também condenaram os ataques recentes.
Governo reconhece preocupações e culpa oposição armada
Em resposta, o governo do Sudão do Sul afirmou compartilhar das preocupações levantadas pelos líderes religiosos, mas defendeu as operações militares em curso como necessárias para manter a segurança e a estabilidade.
Em comunicado datado de 17 de março, o gabinete do presidente Salva Kiir afirmou que as autoridades permanecem comprometidas com a paz e com a plena implementação do acordo de paz revitalizado.
“O Governo da República do Sudão do Sul partilha das preocupações manifestadas pelo Conselho de Igrejas do Sudão do Sul relativamente à situação política, de segurança e humanitária no país”, afirmou o comunicado.
No entanto, as autoridades afirmaram que as operações de segurança em todo o país, incluindo no estado de Jonglei, fazem parte da responsabilidade constitucional do governo de manter a lei e a ordem.
“Estas operações não são arbitrárias; são respostas a ameaças à segurança, visando restaurar a estabilidade e proteger os civis”, afirmou o comunicado.
O governo acusou elementos armados da oposição ligados ao Movimento Popular de Libertação do Sudão/Exército de Oposição (SPLM/A-IO) de lançarem ataques contra posições governamentais entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
Segundo o comunicado, os ataques tiveram como alvo áreas como Waat e Pajut e ameaçaram avançar em direção à capital, Juba, o que levou a uma resposta militar das forças governamentais.
“O Governo reitera que não iniciou essas hostilidades e apela ao SPLM/A-IO e a todos os atores armados para que cessem as suas atividades militares e priorizem o diálogo”, diz o comunicado.
Ao mesmo tempo, as autoridades reconheceram o impacto da violência sobre os civis, particularmente mulheres, crianças e idosos, e condenaram os ataques contra não combatentes.
O governo afirmou que os indivíduos responsáveis por tais atos serão responsabilizados perante a lei.
ONGs pedem proteção para civis
Entretanto, uma coligação de organizações não governamentais (ONGs) afirmou que a escalada dos confrontos está colocando os civis em grave risco e limitando o acesso humanitário.
“A proteção dos civis deve ser priorizada, e todas as partes devem cumprir integralmente o direito internacional humanitário”, afirmaram as ONGs em comunicado divulgado pela ReliefWeb , um serviço de informações humanitárias administrado pelas Nações Unidas.
Os grupos apelaram a uma desescalada imediata da violência e instaram os atores armados a permitirem a passagem segura da ajuda humanitária. Alertaram que a continuação das hostilidades poderia agravar uma crise humanitária já grave num país onde milhões dependem de assistência externa.
O Sudão do Sul, a nação mais jovem do mundo, emergiu de uma brutal guerra civil em 2018, após cinco anos de combates entre as forças leais ao presidente Salva Kiir e as alinhadas ao líder da oposição e primeiro vice-presidente, Riek Machar. O conflito matou cerca de 400 mil pessoas e deslocou milhões.
Apesar do acordo de paz, a violência esporádica continuou em algumas partes do país, frequentemente alimentada por tensões políticas, milícias armadas e disputas por recursos e poder local. As tensões atingiram um ponto crítico no início de 2025, quando o governo colocou Machar em prisão domiciliar e o acusou de traição após uma série de ataques de milícias.
Organizações humanitárias afirmam que os ataques recentes evidenciaram a fragilidade da segurança na região. Segundo relatos citados por grupos religiosos e organizações de ajuda humanitária, um ataque mortal no início de março no condado de Abiemnom, próximo à fronteira com o Sudão, deixou pelo menos 169 mortos, entre mulheres e crianças. Milhares de moradores fugiram da violência, alguns buscando abrigo em uma base das Nações Unidas.
Organizações cristãs internacionais uniram-se a grupos humanitários para alertar sobre o agravamento da situação.
‘O diálogo é o único caminho a seguir.’
Bispos do Sudão e do Sudão do Sul descreveram os assassinatos como evidência de uma piora na situação de segurança, que poderia levar o país a uma maior instabilidade.
Os bispos disseram que a violência reflete “uma nova descida ao abismo da depravação humana”, de acordo com o Catholic World Report, um veículo de notícias que cobre assuntos da Igreja global.
Eles instaram os líderes políticos a buscarem a paz e a protegerem os civis, alertando que a continuidade da violência agravaria o sofrimento humanitário.
Grupos humanitários afirmam que a crise já está afetando as operações de ajuda, com diversas organizações relatando que a insegurança em algumas regiões forçou a suspensão temporária das atividades humanitárias, deixando as comunidades sem serviços essenciais, como assistência médica e alimentar.
Agências humanitárias afirmam que o acesso a populações vulneráveis está se tornando cada vez mais difícil, uma vez que os confrontos armados interrompem as rotas de transporte e criam condições inseguras para os trabalhadores humanitários.
A coligação de ONGs alertou que a situação poderá deteriorar-se ainda mais se as hostilidades continuarem.
“A escalada da violência está colocando os civis em grave risco”, afirmaram as organizações, apelando a todas as partes para que respeitem o direito internacional humanitário e protejam o pessoal e as instalações humanitárias.
As Nações Unidas também expressaram preocupação com as implicações mais amplas da violência.
As forças de paz da ONU permanecem destacadas em diversas partes do país para ajudar a proteger civis e apoiar o processo de paz, embora a missão tenha enfrentado desafios na resposta a focos localizados de confrontos.
Analistas afirmam que a estabilidade do Sudão do Sul permanece intimamente ligada à cooperação entre Kiir e Machar, cuja rivalidade política alimentou a guerra civil anterior.
Qualquer ruptura na relação entre os dois líderes poderia desestabilizar o governo de unidade nacional criado pelo acordo de paz de 2018.
Líderes religiosos têm desempenhado um papel visível nos esforços de paz no passado, incluindo a participação em iniciativas de reconciliação e o incentivo à unidade nacional.
Por ora, organizações humanitárias e líderes religiosos afirmam que evitar uma escalada ainda maior da violência é essencial.
Sem uma ação rápida, alertam, a violência poderá agravar uma crise humanitária já grave e ameaçar a frágil estabilidade que o país tem lutado para manter desde a guerra civil.
“O diálogo é o único caminho a seguir”, afirmam líderes religiosos, instando os líderes políticos do Sudão do Sul a colocarem os interesses do povo do país acima das disputas políticas.