Após renunciar ao cargo de presidente da Bola de Neve, a pastora Denise Seixas, que brigava judicialmente pelo comando da instituição, desistiu das acusações ao conselho deliberativo da igreja de desvio de dinheiro e fraudes.
Apesar do pedido da viúva do apóstolo Rina pela extinção do processo, a Polícia Civil ainda investiga irregularidades na organização religiosa.
A Subprocuradoria-Geral de Justiça Jurídica do Ministério Público de São Paulo recebeu a denúncia de irregularidades na igreja Bola de Neve em 16 de dezembro de 2024 e o encaminhou para a 5ª Promotoria de Justiça Criminal em 7 de janeiro deste ano. No dia 31 do mesmo mês, a promotoria requisitou instauração de inquérito policial.
Disputa judicial
Composta por mais de 500 templos e com cerca de R$ 250 milhões de arrecadação anual, a instituição reúne milhares de pastores, líderes religiosos e fiéis.
Após a morte do fundador, Rinaldo Luiz de Seixas, vítima, em novembro do ano passado, de um politraumatismo depois de um acidente de moto, a viúva de Rina e o conselho deliberativo foram protagonistas de ampla disputa pelo comando da sede religiosa.
A pastora e cantora gospel Denise Seixas acusou o colegiado de fraude e desvio de dinheiro.
Um documento com supostas provas foi enviado ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), que investiga o caso.
Denise reuniu indícios de atuação indevida por parte de membros do conselho deliberativo da Bola de Neve, que, segundo ela, “poderiam resultar em sérios prejuízos irreparáveis de ordem material e/ou moral, principalmente com relação à sua credibilidade pública”.
A Justiça reconheceu Denise como presidente interina da igreja evangélica. No entanto, ela renunciou ao cargo em 13 de fevereiro.
Desvio de dinheiro
Denise Seixas teria oficializado o Banco Bradesco, instituição financeira em que mantém a conta corrente da igreja, para cumprimento de ordem judicial. Ela havia solicitado o acesso a todas as contas de titularidade da Bola de Neve, após a morte do ex-marido.
No entanto, a pastora acusou o conselho de ter passado a movimentar as receitas recebidas pela instituição religiosa por meio de outra conta bancária, mantida em outra instituição financeira, sob o nome fantasia BMP Money Plus, com razão social BMP Sociedade de Crédito ao Microempreendedor e a Empresa de Pequeno Porte Limitada.
A queda do número de cristãos nos Estados Unidos desacelerou após anos de declínio, revelou uma nova pesquisa, divulgada na quarta-feira (26).
O “Estudo da Paisagem Religiosa”, realizado pelo Pew Center, mostrou que 62% dos americanos se identificam como cristãos.
Apesar da porcentagem representar uma queda em relação a 2007 – quando 78% se identificaram como cristãos – os pesquisadores descobriram que a população cristã permaneceu estável desde 2019 no país.
O estudo revelou que o número dos desigrejados também estabilizou. Cerca de 29% dos americanos se identificam como religiosos que não congregam, incluindo ateus (5%), agnósticos (6%) ou “nenhuma religião” (19%).
“É impressionante ter observado esse período recente de estabilidade na religião americana após esse longo período de declínio”, comentou Gregory Smith, um dos coautores do estudo.
Mudança duradoura?
“Uma coisa que não podemos saber com certeza é se esses sinais de estabilização de curto prazo serão uma mudança duradoura na trajetória religiosa do país”, pontuou.
Os EUA ainda continua sendo um país de fé, com a maioria (83%) acreditando em Deus, 86% crendo que as pessoas têm alma ou espírito, e sete em cada 10 americanos acreditando no Céu, no inferno, ou em ambos.
A pesquisa do Pew afirmou que há uma possibilidade do declínio da fé voltar no país, já que as gerações mais jovens são as que menos possuem crenças.
Enquanto 80% da população mais velha se identifica como cristã, apenas 46% dos adultos mais jovens seguem o cristianismo.
“Esses tipos de diferenças geracionais são uma grande parte do que impulsionou os declínios de longo prazo na religião americana”, explicou Smith.
“À medida que grupos de pessoas mais velhas e altamente religiosas faleceram, eles foram substituídos por novos grupos de jovens adultos que são menos religiosos do que seus pais e avós”.
Mudança da fé ao longo da vida
Segundo Michele Margolis, cientista política da Universidade da Pensilvânia, o envolvimento religioso tende a mudar ao longo da vida dos americanos.
“Então, quando você se casa e tem filhos, este é um momento em que os estudiosos notaram que a religião tem mais probabilidade de se tornar importante”, afirmou Margolis.
Para a pesquisadora, a questão daqui para frente será descobrir se os adultos americanos mais jovens vão rejeitar a religião ou se alguns deles retornarão à fé à medida que envelhecem.
O novo estudo ainda mostrou que a maioria dos imigrantes nos EUA são cristãos (58%), e que a quantidade de americanos que pertencem a outras religiões, fora o cristianismo, está aumentando, embora ainda seja uma pequena parcela da população (7%).
Entre os cristãos americanos, 40% são protestantes e 19% são católicos. Os 3% restantes incluem mórmons, cristãos ortodoxos, Testemunhas de Jeová e outros grupos cristãos menores.
A pesquisa do Pew Center foi realizada entre julho de 2023 e março de 2024, com 36.908 entrevistados, em todos os estados dos EUA.
Bandeira da Nicarágua ao lado da Catedral Velha em Managuá, capital do país. (Foto: canva)
O governo ditatorial de Daniel Ortega continua expulsando líderes cristãos da Nicarágua. Desta vez, mulheres foram alvo da repressão.
Segundo a Missão Portas Abertas, cerca de 30 líderes foram obrigadas a saírem do país, no dia 28 de janeiro, nas cidades de Manágua e Chinandega.
“Disseram a elas que tinham que sair, e permitiram que levassem alguns de seus pertences”, relatou uma fonte local.
Martha Patricia Molina, pesquisadora e autora do relatório “Nicarágua: uma Igreja Perseguida?”, descreveu a expulsão como uma “noite do terror”.
Segundo ela, os agentes da ditadura “só permitiram que levassem alguns pertences, apenas o suficiente para suas mãos. O paradeiro das cristãs expulsas é desconhecido”.
No mesmo dia, o governo também apreendeu todos os móveis e objetos da casa do líder cristão Rolando Álvarez. Ele está exilado da Nicarágua desde janeiro de 2024.
“Vários caminhões brancos foram usados para remover todos os pertences, como uma cruz. Os que viram a remoção me relataram como foi doloroso”, disse Martha.
A pesquisadora, que também é advogada, já registrou quase mil ataques da ditadura contra a Igreja desde 2018.
Igrejas fechadas e líderes perseguidos
A Nicarágua enfrenta uma crise política, social e de liberdades que se agravou após as polêmicas eleições gerais realizadas em 7 de novembro de 2021, quando Daniel Ortega foi reeleito para um quinto mandato.
Desde então, mais de 256 igrejas evangélicas foram fechadas pelo governo nos últimos quatro anos, segundo a organização de direitos humanos Nicarágua Nunca Más.
Pelo menos 200 líderes religiosos fugiram do país. Mais de 20 foram foram destituídos de sua cidadania e 65 foram indiciados por conspiração e outras acusações.
Segundo o diretor do ministério Mountain Gateway, John Britton Hancock, que também foi alvo do governo Ortega, há 100 pastores presos neste momento.
Desde 2018, o governo fechou mais de 5.400 ONGs, sendo que várias delas eram evangélicas.
A Portas Abertas relatou que a comunidade cristã nicaraguense tem se oposto ao regime de Ortega há anos, com líderes cristãos criticando a repressão violenta de manifestantes e as restrições à liberdade de expressão.
Os cristãos evangélicos se tornaram alvos de repressão e restrições em sua liberdade religiosa. Em meio a perseguição crescente, muitos estão se reunindo nas casas para poder cultuar a Deus sem chamar a atenção das autoridades.
Cristãos sofrem perseguição por causa da fé em Jesus
Seja pela vasta extensão territorial ou o número recorde de habitantes, a Ásia é uma região com grande destaque no cenário global. Não é diferente no contexto de perseguição aos seguidores de Jesus. O país com o maior índice de perseguição aos cristãos, a Coreia do Norte, fica na região, assim como outras nações que fazem parte do Top50 da Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2025.
Um dos desafios para a igreja na Ásia são as guerras civis. Em Mianmar, o conflito com a junta militar causou deslocamentos em massa, incêndio de igrejas e morte de cristãos em bombardeios. No Oriente Médio, que faz parte da Ásia, a situação no Iêmen, o 3º país da LMP 2025, é semelhante. A guerra causou deslocamentos e fome severa, que afetam profundamente a comunidade cristã local.
Outro destaque na Ásia é a ascensão acelerada das nações da Ásia Central no ranking. Além do Quirguistão, país que subiu 14 posições, o Cazaquistão e o Tajiquistão também aumentaram na pontuação de violência. O aumento da violência é devido a invasões a igrejas que ocorreram com mais frequência e a relatos de cristãos que enfrentaram tratamentos violentos de forma individual.
A crise em Manipur, na Índia, também continua a deixar um rastro de destruição de casas e das igrejas e deslocados internos. Entre tantos desafios, a Igreja Perseguida na Ásia precisa de orações e apoio para continuar sendo sal e luz nos países mais perigosos para cristãos. Descubra mais no mapa e e-book gratuitos da Lista Mundial da Perseguição 2025.
A violência usada pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI) para dominar o Iraque causou a fuga de 1,3 milhão de cristãos do país, que foram obrigados a se refugiar em outras nações. Dos 200 mil seguidores de Jesus que restam no país, muitos se tornaram deslocados dentro do território, como Bushra e sua família.
Com a invasão dos jihadistas em junho de 2014, Bushra, o esposo e os três filhos fugiram de Mosul, onde moravam. Na fuga, foram parados pelos soldados do EI e obrigados a dar o pouco dinheiro que tinham, além das chaves da casa e os documentos de identificação.
Todos foram para Qaraqosh, onde encontraram a família da fé. “Fugimos para Qaraqosh, onde passamos 20 dias. Quando chegamos, os cristãos locais nos apoiaram muito e não nos deixaram passar necessidade. Eles foram generosos, embora sua situação também fosse instável. As pessoas de lá não sabiam que logo enfrentariam o mesmo destino”, testemunha a cristã de quase 50 anos.
Com os bombardeios, um líder cristão ligou para Bushra e alertou que ela, o esposo e os filhos junto com as famílias do pai e irmão fugissem para Erbil. Os cristãos foram apoiados com roupas, aquecedores, carpetes e outros itens de necessidades básicas.
“Ficamos em um prédio inacabado onde muitas famílias estavam. A igreja separou um pequeno espaço para cada família. Embora a situação fosse difícil, as igrejas fizeram o melhor que puderam para nos fornecer nossas necessidades básicas, como comida e outras coisas”, reconhece Bushra.
Há quatro anos, a cristã e seu marido tiveram que vender a casa em Mosul por um preço baixo para comprar uma casa pequena em Erbil. O esposo da cristã, que sustentava a família com seu trabalho, faleceu e agora ela vive com uma renda de menos de 500 reais por mês. “Peço que orem para que Deus nos envie sustento e que ele nos proteja e mantenha todos os cristãos seguros, isso é o mais importante para nós”, completa.
Sete igrejas foram alvo de ataques incendiários na mesma noite, na Nova Zelândia, no último sábado (22).
Segundo a BBC, quatro igrejas na cidade de Masterton sofreram danos, enquanto outras três igrejas foram alvejadas, mas não pegaram fogo.
Os ataques aconteceram entre às 4h e 5h da madrugada. A Igreja Anglicana da Epifania, a Igreja Católica de São Patrício Masterton, a Igreja Batista Masterton e a Igreja Equippers Masterton foram incendiadas.
Doze caminhões do Corpo de Bombeiros foram precisos para apagar as chamas. Os templos tiveram danos moderados a significativos, com janelas quebradas, cadeiras queimadas e estofados chamuscados. Ninguém ficou ferido.
Uma funerária na região, que possui uma capela, também foi incendiada por volta das 10 horas, felizmente ninguém estava no prédio.
As autoridades estão investigando o ataque. “Os incêndios estão sendo tratados como suspeitos e foram encaminhados à polícia”, disse um porta-voz do Corpo de Bombeiros e Emergências.
O líder da Igreja Batista de Masterton, David Dew, afirmou que os danos no templo poderiam ter sido piores caso os bombeiros não tivessem chegado rapidamente. O pastor relatou que acha que alguém jogou um objeto pela janela para iniciar o incêndio.
Para Dew, os incêndios foram criminosos e planejados. “Este ato deliberado é muito perturbador. Você normalmente não tem sete bombas incendiárias à mão, você tem que fazê-las”, comentou, em entrevista ao The New Zealand Herald.
Comunidade em choque
O prefeito de Masterton, Gary Caffell, afirmou que os ataques assustaram e geraram choque entre os moradores.
“Você simplesmente não espera que algo desse tipo de coisa aconteça, e particularmente em um lugar como Masterton”, observou ele, à mídia local.
A polícia reforçou o patrulhamento na região e em cidades vizinhas, e a comunidade ofereceu ajuda às igrejas atingidas.
“Tem sido uma manifestação de apoio da comunidade de comerciantes que estão dispostos a ajudar, de organizações que têm salões e prédios nos quais as igrejas podem ter cultos se precisarem, tem sido notável”, contou o prefeito Caffell.
“[As igrejas] ficaram surpresas com o apoio da comunidade. Eles também estão, como o restante, muito felizes por não haver edifícios absolutamente destruídos ou vidas perdidas”, acrescentou.
Após os ataques, um homem publicou vídeos nas redes socias afirmando que foi o responsável pelos incêndios e expressou sentimentos antirreligiosos e antimonarquistas. “Olá, eu ateei fogo às sete igrejas. Sete estrelas, sete velas”, afirmou ele.
A polícia informou que está investigando os vídeos. No ano passado, uma igreja na cidade de Auckland foi incendiada durante dois ataques na mesma noite.
Renato Fleischner, diretor de operações da Editora Mundo Cristão (Foto: Divulgação/Editora Mundo Cristão)
O público evangélico pode ser considerado o maior segmento de leitores do Brasil. A afirmação é de Renato Fleischner, diretor de operações da Editora Mundo Cristão, que celebra 60 anos de atuação em 2025.
Segundo ele, os números de vendas de livros cristãos mostram um público fiel e engajado, que consome literatura principalmente para edificar sua fé.
“A Mundo Cristão tem demonstrado um crescimento contínuo no mercado editorial. Em 2024, registramos a venda de mais de 310 mil exemplares de livros físicos e um aumento de 45% no faturamento em relação ao ano anterior”, disse Fleischner em entrevista ao site Guiame.
“O sucesso de títulos voltados para a espiritualidade, como As 5 Linguagens do Amor, que já vendeu mais de 2 milhões de cópias, e a série O Poder, de Stormie Omartian (confira os livros aqui), que ultrapassou 5 milhões de exemplares vendidos, indicam um público amplo e fiel, interessado em literatura cristã para edificação pessoal, familiar e comunitária.”
O crescimento da população evangélica no Brasil tem impacto direto no mercado editorial cristão, conforme explica Fleischner.
“O aumento do número de evangélicos tem impulsionado a busca por materiais que fortaleçam a fé e a prática cristã”, destacou. “Nós acompanhamos essa demanda com uma curadoria editorial focada em questões essenciais da espiritualidade, oferecendo publicações que ajudam os leitores a ouvir melhor a voz de Deus, edificar suas comunidades e fortalecer seus relacionamentos familiares.”
A editora, que já lançou diversos best-sellers ao longo das décadas, também aposta na diversidade de conteúdos para atender ao público cristão.
“Além de obras voltadas à espiritualidade e à vida devocional, temos investido em ficção cristã, um segmento que vem ganhando força desde 2023 com o lançamento de Corajosas (veja aqui)e que será expandido ainda mais em 2025.”
60 anos de história
Ao longo das últimas seis décadas, a Mundo Cristão acompanhou e impulsionou transformações no mercado editorial cristão. Desde a publicação de O Mais Importante é o Amor, no final da década de 1960, até a criação da Nova Versão Transformadora (NVT) da Bíblia em 2016 (veja aqui), a editora tem se destacado pela inovação e acessibilidade.
“Desde nossa fundação, temos buscado formas de tornar a mensagem cristã mais acessível ao público brasileiro”, afirmou Fleischner. “Em 2016, a chegada da NVT ofereceu um novo frescor para o reencontro do leitor com o texto sagrado, aliando erudição e comunicabilidade.”
Além das publicações tradicionais, a editora tem investido no mercado digital. “Publicamos e-books desde 2012, lançamos audiobooks em 2017, e agora temos o MC Global, um projeto para levar a literatura cristã brasileira para um público internacional”, disse o diretor. Outra inovação da Mundo Cristão foi a publicação da Bíblia Filament, uma das edições mais tecnológicas do texto sagrado. “Esse projeto sincroniza o texto impresso com um aplicativo móvel que oferece desde notas explicativas até vídeos, áudios, mapas interativos e devocionais.”
Ficção cristã e planos para o futuro
Nos últimos anos, um segmento tem se destacado no mercado cristão: a ficção cristã. “Desde 2023, temos visto um crescimento exponencial desse gênero”, afirmou Fleischner. “O livro Corajosas (veja aqui) marcou essa virada, e a partir de 2025, traremos lançamentos mensais, incluindo obras de autores nacionais e traduções de grandes sucessos internacionais.”
O impacto foi significativo: entre 2022 e 2024, o faturamento com ficção cristã cresceu mais de 5000%. “Esse movimento mostra que o público cristão busca narrativas envolventes que, além do entretenimento, carregam mensagens de fé e transformação”, disse o diretor.
Para celebrar as seis décadas da editora, além de novos lançamentos, a Mundo Cristão também modernizou sua identidade visual e criou uma nova logomarca. “Estamos nos preparando para um novo ciclo de crescimento, e a atualização da nossa identidade reflete essa nova fase.”
O futuro da leitura no Brasil passa pelos evangélicos
A forte presença do público evangélico no mercado literário reforça que os hábitos de leitura da comunidade cristã seguem crescendo.
“Os evangélicos leem porque acreditam que a leitura fortalece a vida espiritual, o casamento, a família e a comunhão com Deus”, concluiu Fleischner.
“Olhando para o futuro, acreditamos que a literatura cristã continuará sendo uma ferramenta essencial para o fortalecimento da fé e da cultura no Brasil.”
Mulher cristã olhando para uma cruz, na Coreia do Norte (Foto: Reprodução/TWR)
Há décadas, a Coreia do Norte é o país mais fechado para o Evangelho do mundo, proibindo igrejas, Bíblias e evangelismo.
No país, que ocupa o 1° lugar da Lista Mundial da Perseguição 2025 da Missão Portas Abertas, se uma pessoa que se converteu ao cristianismo for descoberta, enfrenta prisão, tortura, trabalho forçado em campos de prisioneiros e até a morte. O cristão é considerado um criminoso e as punições atingem toda sua família, até a terceira geração.
Avivamento na Coreia do Norte
Mas nem sempre foi assim. Antes da separação do país em Coreia do Norte e Coreia do Sul – ao final da Guerra da Coreia na década de 1950 – havia cerca de 500 mil cristãos na região que hoje é a Coreia do Norte.
Antes mesmo dos primeiros missionários protestantes chegarem na área em 1886, já havia uma pequena comunidade de cristãos.
Em 1907, um grande avivamento marcou a história da nação, com a capital Pyongyang sendo chamada de a “Jerusalém do Oriente”. Centenas de igrejas surgiram, várias reuniões de avivamento foram realizadas e instituições de ensino cristãs foram criadas.
Os pais e avós de Kim Sang-Hwa (pseudônimo), uma cristã norte-coreana, viveram nessa época e desfrutaram da liberdade religiosa na região.
Em entrevista ao Guiame, a desertora contou o testemunho de fé de sua família. “Eu sou a terceira geração de cristãos na minha família, pois meu pai e meus avós se converteram antes da Guerra da Coreia entre 1950 e 1953. Porém, eu já nasci em um contexto de extremo controle do governo sobre todo cidadão norte-coreano e, principalmente, sobre o cristão que é visto como traidor do sistema, do governo e do país”, contou ela.
Mesmo nascendo em uma família cristã, Kim não sabia que seus pais eram convertidos e nunca havia ouvido sobre Jesus em casa. No país, os pais mantêm a fé escondida dos filhos, porque as crianças são incentivadas a denunciar os pais na escola.
“As crianças norte-coreanas são estimuladas a entregar seus pais, caso encontrem uma Bíblia (livro preto) em casa ou encontrem seus pais em atitudes suspeitas”, explicou Sang-Hwa.
Descobrindo que seus pais eram cristãos
Até que aos 9 anos, ela descobriu a crença da família. “Um dia, vasculhando uma gaveta de uma mesa de escritório, vi que essa mesa tinha um fundo falso. Enfiei a mão e senti um papel diferente e achei que fosse dinheiro. Ao puxar, veio um livro preto sem inscrição alguma na capa. Abri e li: ‘No princípio criou Deus os céus e a terra’. Fechei rapidamente e entendi que aquele era o livro preto. Tremi, chorei, fiquei confusa. Não sabia o que fazer: entregar meu pai para a professora, perguntar a ele sobre o livro proibido”, lembrou Kim.
Mesmo com medo, Kim decidiu perguntar ao pai e ele lhe apresentou o Evangelho pela primeira vez.
“Ele me mostrou o céu, estrelas, a terra e a grama sobre nossos pés e disse que tudo o que há, inclusive os seres humanos, foram criados por Deus. Eu, como toda a população norte-coreana não sabia o que era criar, o que era criação. E de repente, eu estava me deparando com um Deus, um ser superior a Kim Jong Il e Kim Jong Un, que tinha criado tudo o que existia”, relatou.
A menina aceitou Jesus e iniciou uma jornada com Deus. “Foi assim, perguntando ao meu pai incessantemente e lendo a Bíblia, que fui crescendo em graça e verdade”, testemunhou Kim.
A norte-coreana foi transformada em sua identidade depois de conhecer o Evangelho. “Quem conhece a Deus tem a sua identidade devolvida”, ressaltou.
“Na Coreia do Norte, o cidadão não se reconhece como cidadão. Tudo o que ele tem e é, pertence ao Estado. E ele acha isso normal, pois é a sua única referência. Quando conhecemos Jesus absolutamente tudo muda. Nós temos um Deus com quem conversar e sabemos que somos ouvidos. Nós não somos mais cidadãos de um país que não se relaciona. Mas somos cidadãos do Reino dos Céus e temos uma identidade como filhos amados de Deus”, refletiu.
Vigiados por agente secreto
Kim ainda revelou que sua família viveu a fé em secreto, assim como todo o restante dos cristãos no país.
“A igreja na Coreia do Norte é secreta. Os negócios de família (comércios e serviços) são utilizados para encontros de cristãos e para evangelismo. Mas isso também é muito perigoso e, sempre que descoberto, os cristãos são mortos ou enviados para campos de trabalhos forçados”, explicou ela.
“O evangelismo é feito no corpo a corpo. Começando por nossos filhos, de forma bem restrita, com restrição de palavras e orações e até a forma de falar, pois estamos passíveis de sermos delatados por nossos filhos, esposos e esposas”.
A norte-coreana disse que seu pai evangelizou um vizinho durante 30 anos, mesmo enfrentando riscos. Quando este homem estava no leito de morte, revelou que era um agente secreto do regime comunista.
“Na cama, para morrer, ele chamou meu pai, que foi orar por ele. O homem revelou que foi designado para investigar a nossa família. Ele sabia que éramos cristãos e por 30 anos não nos delatou”, contou.
Durante décadas, a família de Kim foi protegida por Deus. “A graça de Deus é abundante sobre a Igreja Perseguida na Coreia do Norte. Não tememos a morte”, testemunhou Sang-Hwa.
“Ainda criança, quando eu evangelizava um coleguinha, tinha certeza de que, se fosse morta por isso, estaria com Jesus na mesma hora e que poderia levar aquele colega a conhecer a Cristo. Isso era motivador para mim”, destacou.
Na vida adulta, Kim fugiu para a China com seu esposo, também cristão, e seu filho. O casal temia que um dia sua fé fosse descoberta.
“Conhecemos muitos cristãos norte-coreanos refugiados na China e fizemos um grupo de adoração e ensino bíblico e isso fez com que fôssemos fortemente monitorados e perseguidos”, disse.
“Em alguns anos, resolvemos sair também da China e ir para um país livre de perseguição a cristãos, que foi a Coreia do Sul, onde estamos até hoje e nossos outros filhos nasceram”, acrescentou.
Liberdade religiosa no Brasil
Em viagem ao Brasil com a Missão Portas Abertas, Kim conheceu de perto a liberdade religiosa que as igrejas brasileiras desfrutam.
“Eu só tenho a dizer o quanto vocês podem adorar livremente a Deus. O quanto vocês podem evangelizar livremente. O quanto isso é possível e até estimulado no Brasil”, afirmou.
“Por favor, aproveitem a liberdade que vocês têm para adorar a Deus, buscar a Deus, ter comunhão um com os outros e, principalmente, para falar de Jesus. O fim está próximo e a perseguição global é uma realidade. Aproveitem a liberdade religiosa que vocês têm”, encorajou ela.
Ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução)
Na última terça-feira (18), o ex-presidente Jair Bolsonaro foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), ao Supremo Tribunal Federal (STF), por tentativa de golpe de Estado e outros crimes como liderança de organização criminosa armada, grave ameaça contra o patrimônio da união, entre outras ações.
Preferido pela maioria do leitorado evangélico, os acontecimentos dessa semana criaram um clima de incertezas no cenário político para 2026. Mas qual deve ser a postura da igreja em meio a esse turbilhão todo e como isso impactará as próximas eleições?
“Acredito que a denúncia muda pouco o cenário eleitoral. Como toda base populista, o bolsonarismo conta com um grupo de eleitores que vota nele independentemente de qualquer coisa. É um compromisso de fé, literalmente. Não sou jurista e, como leigo, não posso avaliar a força jurídica da denúncia, mas sua gravidade, ao menos do ponto de vista moral, é evidente”, afirma o teólogo e escritor especialista em política, Gutierres Fernandes.
Ele lembra que o próprio Bolsonaro chegou a admitir que havia recebido propostas para ‘virar a mesa’. “Golpe de Estado não é brincadeira; trata-se da destruição do Estado, da Constituição e do tecido social. É uma crise gravíssima, pois pode comprometer o próprio sistema de justiça e a legalidade de um país. Infelizmente, muitos não compreendem a gravidade de um golpe de Estado”, enfatiza.
Para o teólogo, autor do livro “Quem tem medo dos evangélicos?: Religião e democracia no Brasil de hoje“, países instáveis, marcados por históricos de golpes e contragolpes, não se desenvolvem e, muitas vezes, retrocedem. “A democracia liberal, republicana, o Estado de Direito e o império das leis são os pilares que sustentam a prosperidade das nações”.
Por outro lado, Fernandes afirma que igreja sempre sofre prejuízo quando se associa diretamente à política. “Quando um candidato é apresentado como ‘o candidato da igreja’, todos os erros desse candidato inevitavelmente recaem sobre a própria igreja. É uma questão de lógica. A instrumentalização política da fé transforma a comunidade cristã em refém dos escândalos, incoerências e fracassos de figuras públicas que, muitas vezes, não representam genuinamente os valores do evangelho, mas apenas os utilizam para fins eleitorais”, alerta.
União entre igreja e Estado é um sinal de alerta
Na sua visão, um dos maiores riscos para a sociedade é quando a igreja tenta se unir ao Estado, experiência essa que, ao longo da história, nunca deu certo. O teólogo acredita que esse distanciamento é necessário e que isso mantém a autoridade moral da igreja e o seu testemunho diante do mundo.
Jornalista e teólogo Gutierres Fernandes, autor do livro “Quem tem medo dos evangélicos?”, pela Editora Mundo Cristão. Foto: Arquivo Pessoal.
“Ao longo da história, sempre que a igreja se fundiu ao Estado, sua missão foi comprometida. É essencial retomarmos um princípio que nasceu com os antigos batistas e que foi central para a construção das democracias modernas: a separação entre Igreja e Estado. Essa separação não significa hostilidade à fé ou marginalização da influência cristã na sociedade, mas sim a preservação da integridade da igreja e da liberdade religiosa”, justifica.
Fernandes faz questão de ressaltar que o evangelho não precisa do Estado para avançar e a igreja não precisa do favor de governantes para cumprir sua missão. “Sua força está no Espírito Santo, não no apoio de partidos ou líderes terrenos. Quando a igreja abandona essa verdade, corre o risco de se tornar irrelevante espiritualmente, trocando sua vocação profética por mero ativismo político”, adverte o teólogo, que completa:
“O compromisso da igreja deve ser com o Reino de Deus, não com projetos de poder. O que transforma a sociedade não são alianças políticas passageiras, mas a fidelidade à mensagem de Cristo. O verdadeiro impacto cristão na esfera pública ocorre não quando a igreja se torna uma força eleitoral, mas quando seus membros vivem e testemunham o Evangelho”.
Larry Sanger, cofundador da Wikipédia (Foto: reprodução/ Wikipedia)
O cofundador da Wikipédia, Larry Sanger, se declarou publicamente que se tornou cristão após anos de ceticismo. Em seu blog, cujo texto ocupa 48 páginas, Sanger relata seu reencontro com Deus.
Batizado como Lawrence Mark Sanger, ele afirmou que os cristãos são chamados a viver a missão “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”, e que sua forma de cumprir essa missão foi compartilhando sua própria história de conversão.
“É finalmente hora de confessar e explicar, de forma completa e pública, que sou cristão”, escreveu. “Os seguidores deste blog provavelmente já suspeitavam disso, mas já passou da hora de compartilhar meu testemunho adequadamente”.
E continuou: “Fui chamado a ‘ir por todo o mundo e pregar o Evangelho a toda criatura’. Uma das maneiras mais eficazes de fazer isso é contar a história da sua conversão”.
Cristianismo e ceticismo
Sanger nasceu em uma família cristã com pais luteranos. O casal se conheceu na Missouri Synod, a mais conservadora das duas maiores denominações luteranas nos EUA.
Ele recorda que, quando criança, fazia muitas perguntas. Aos 12 anos, Sanger foi confirmado na igreja luterana, mas logo depois parou de frequentá-la e, durante sua adolescência, perdeu completamente a fé.
Sanger compartilhou que passou 35 anos como descrente, sendo “um devoto da racionalidade, do ceticismo metodológico e de um rigor um tanto quanto duro e prático (mas sempre de mente aberta)”.
Seu círculo social, influenciado por seu campo de estudo em filosofia analítica e seu interesse pela filósofa Ayn Rand, era predominantemente ateu.
“Tenho um doutorado em filosofia, com formação em filosofia analítica, um campo dominado por ateus e agnósticos. Uma vez, frequentei as margens da comunidade de Ayn Rand, que também é fortemente ateísta. Portanto, velhos amigos e colegas que perderam o contato podem estar surpresos [sobre sua conversão]”, escreveu.
Propósito como cristão
Sanger negou ser um “inimigo da fé” ao estilo de Richard Dawkins, afirmando que era “apenas um cético” que criticava ambos os lados do debate sobre Deus.
“Espero especialmente alcançar aqueles que são como eu costumava ser: pensadores racionais que talvez estejam abertos à ideia, mas simplesmente não convencidos”, confessou.
Segundo Sanger, Dawkins e o filósofo Daniel Dennett eram “grosseiros e desagradáveis”, enquanto o apologista cristão William Lane Craig, embora sério, era “intelectualmente desonesto”.
Sanger relatou que sua conversão ao cristianismo teve início quando suas objeções à fé começaram a desaparecer gradualmente, “uma por uma”. Ele também mencionou o comportamento dos cristãos como algo que o impactou.
“Observei que os cristãos nas redes sociais muitas vezes (embora nem sempre) se comportam com maturidade e graça, enquanto seus críticos frequentemente agem como trolls desagradáveis”, disse ele.
Sanger começou a ler a Bíblia em 2019. Ele passou tempo orando e reexaminando antigos argumentos filosóficos sobre a existência de Deus, antes de retornar à fé “silenciosamente e desconfortavelmente” em 2020.
Fonte: Guia-me com informações de Christianity Today