A Justiça condenou a Igreja Universal do Reino de Deus, no Ceará, a indenizar em R$ 100 mil um pastor de sua denominação que alegou ter sido forçado a fazer vasectomia para poder atuar no ministério pastoral. Segundo testemunhas ouvidas no processo, pelo menos 30 pastores já foram submetidos à cirurgia, realizada em uma clínica clandestina. A sentença da 11ª Vara do Trabalho de Fortaleza foi confirmada pela Terceira Turma do Tribunal Regional do Trabalho do Ceará (TRT-CE).
“A exigência da submissão ao procedimento de vasectomia, conforme evidenciado pelos depoimentos, viola de forma flagrante diversos dispositivos normativos. Ademais, tal conduta viola os princípios fundamentais da dignidade da pessoa humana e dos valores sociais do trabalho”, afirmou a juíza do trabalho Christianne Fernandes Diógenes Ribeiro.
De acordo com a magistrada, essa prática representa um flagrante abuso do poder diretivo do empregador, ultrapassando todos os limites razoáveis, além de violar de forma grave os direitos da personalidade dos trabalhadores, sendo considerada uma lesão de natureza gravíssima.
“Diante da gravidade dos fatos comprovados, da extensão do dano, que afeta de forma permanente e irreversível a vida dos trabalhadores, do caráter reiterado e institucional da prática, bem como da capacidade econômica da reclamada, entendo que se configura uma lesão de natureza gravíssima. Pelo exposto, condeno a reclamada ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 100 mil, em razão da submissão forçada do trabalhador a procedimento de vasectomia”, sentenciou.
Segundo o relator do processo na Terceira Turma do TRT-CE, desembargador Carlos Alberto Rebonatto, a indenização visa não apenas compensar o sofrimento do trabalhador, mas também desencorajar a Igreja a persistir em tais práticas abusivas, visto que ficou devidamente comprovado o dano moral sofrido pelo pastor.
“Não merece reparo a sentença que condenou a reclamada ao pagamento da indenização, a qual observou os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da extensão do dano”, afirma.
Por meio de nota, a Igreja Universal negou ter imposto ou sugerido tal procedimento ao pastor. Argumentou que a decisão de realizar a vasectomia “é de foro íntimo e pessoal, não tendo qualquer relação com as atividades desempenhadas na Igreja”. Sustentou que as alegações do trabalhador são infundadas e visam apenas ao enriquecimento em causa própria.
Entenda o caso
O pastor que moveu a ação trabalhista contra a Igreja Universal alegou que foi levado a uma clínica clandestina para fazer a vasectomia e que isso foi colocado como requisito pela Igreja para que ele exercesse o cargo de pastor.
No processo, ele afirmou que não houve esclarecimento técnico sobre os riscos da cirurgia nem assinatura de termo de consentimento para a realização da vasectomia, e que todos os preparativos para o procedimento, incluindo o custeio, foram de responsabilidade da Igreja.
Testemunhas ouvidas pela magistrada de primeiro grau confirmaram as alegações do pastor. A primeira afirmou que foi “intimidada” a fazer a vasectomia com apenas 20 dias de casada. Relatou que o procedimento não foi realizado em clínica ou hospital, mas em uma “sucursal da empresa”.
Afirmou também que mais de 30 pastores foram submetidos à cirurgia. A segunda testemunha declarou que o procedimento é imposto a todos como condição para crescer profissionalmente.
Fonte: Comunhão com informações da Assessoria do TRT da 7ª Região
A JOCUM deu Bíblias em áudio a uma comunidade quilombola em Minas Gerais. (Foto: JOCUM).
Um grupo de quilombolas ouviu o Evangelho pela primeira vez após receberem Bíblias em áudio da JOCUM (Jovens com uma Missão), em Minas Gerais, no final de fevereiro.
Missionários do ministério “Jocum no Quilombo” distribuíram diversos “Proclaimers” – um dispositivo com as Escrituras narradas – em uma comunidade quilombola, onde muitos nunca tiveram acesso à Bíblia.
“Foi emocionante ver a alegria das pessoas ao poderem agora, pela primeira vez, ter a sua própria Bíblia em áudio!”, contou a missão, em postagem no Instagram.
Segundo o movimento Missões Nacionais da CBB (Convenção Batista Brasileira), os quilombolas são considerados povos não-alcançados no Brasil.
Grande parte das comunidades não têm contato com missionários e o acesso ao Evangelho é limitado, principalmente os quilombos mais isolados.
Além disso, a taxa de analfabetismo é alta entre os quilombolas, dificultando o acesso à Bíblia.
“Um dos grandes obstáculos para que o Evangelho chegue a eles é a educação: 32,6% da população quilombola com 15 anos ou mais é analfabeta, o que dificulta o acesso à Bíblia e ao discipulado”, explicou a JOCUM.
“Sem saber ler, muitos nunca tiveram acesso à Bíblia. Mas quando a Palavra de Deus chega em áudio, mesmo aqueles que não podem ler podem ouvir e serem transformados”, acrescentou.
De acordo com o Censo Demográfico de 2022 do IBGE, existem 7.666 comunidades quilombolas no Brasil.
Conforme a missão WEC Brasil, além dos quilombolas, os povos menos evangelizados do Brasil também incluem ribeirinhos, indígenas, ciganos, sertanejos, imigrantes, surdos, e até os mais ricos e os mais pobres da sociedade. Há 49 grupos não alcançados no país, segundo o Joshua Project.
A “Jocum no Quilombo” é uma frente missionária da base JOCUM Pitangui (MG), que tem servido comunidades quilombolas em vulnerabilidade social.
A frente foi fundada em 2021, pelos missionários Ivo e Rita da Silva, para ajudar famílias isoladas sem acesso a recursos básicos, durante a pandemia.
Desde lá, a missão já realizou mais de dez projetos de ação social, como melhorias habitacionais, evangelização e discipulado.
O missionário Saulo Farias e o pastor Luiz Kamp. (Foto: Reprodução/Instagram).
Um pastor e um missionário foram assassinados por criminosos fortemente armados, enquanto voltavam de um evento de liderança, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, na segunda-feira (10).
O pastor Luiz Carlos de Figueiredo Kamp, de 63 anos, voltava de carro de um curso de formação de pastores em Duque de Caxias, junto com o missionário Saulo Farias, de 33 anos, e o diácono William Melo do Nascimento, que estava no banco de trás do veículo.
Segundo testemunhas, eles foram surpreendidos por bandidos com fuzis e pistolas na BR-101, no bairro Boa Vista.
Luiz chegou a se identificar, dizendo que era da igreja. Mesmo assim, os criminosos dispararam diversas vezes.
O pastor e o missionário Saulo morreram, ambos eram da Igreja Nova Vida em Nova Cidade. William levou três tiros nas costas, mas sobreviveu. O diácono passou por cirurgia e está internado no Hospital estadual Azevedo Lima, em Niterói.
“Ele [Luiz] deveria ter entrado no Shopping São Gonçalo, no Porto da Pedra. Ele foi levar eles em casa. Passou direto e foi abordado no bairro Boa Vista, onde tem muito arrastão. Mas a população do local disse que não entendeu o que aconteceu ali. Eles roubam os pertences, mas não houve isso”, relatou o bispo Robson Pereira, líder da Igreja Nova Vida, em entrevista ao G1.
William contou à polícia que os criminosos queriam o carro onde eles estavam, um Fiat Toro.
A Polícia está investigando se o pastor e o missionário foram vítimas de uma tentativa de assalto, apesar dos bandidos não terem levado nada. O Disque Denúncia está pedindo informações sobre os envolvidos no crime.
Despedida e comoção
O enterro das vítimas aconteceu na tarde de terça-feira (11), no Cemitério Parque da Paz. A despedida foi marcada por comoção e depoimentos de pessoas que tiveram a vida abençoada por Luiz e Saulo.
“Meu filho estava vivendo o melhor momento da vida dele, ele morreu fazendo o que mais amava. Pregava, respirava a Palavra, meu filho era um príncipe”, declarou a mãe de Saulo, Denise Coelho, ao G1.
Sobre o pastor, Thais Abreu, membro da igreja, disse: “Ele é amado, querido, ele não olha cor, raça, posição, nos acompanhou desde pequena, um homem exemplo. Muito triste, não merecia”.
“Ele era muito bom, só mensagem positiva, era um pastor, uma presença muito carismática”, comentou Eliana Jacob, também frequentadora da igreja.
Em comunicado no Instagram, a Igreja Nova Vida de Nova Cidade lamentou a morte dos líderes. “Eles agora estão nos braços do pai”, afirmou.
Bandeira do Congo fixada em um mapa (Foto: Folha Gospel via Canva)
No último sábado (8), a vila de Ngite, no leste da República Democrática do Congo (RDC), foi atacada por terroristas das Forças Democráticas Aliadas (ADF), resultando na morte de quatro pessoas. De acordo com o International Christian Concern (ICC), entre as vítimas estava uma mulher que foi queimada viva dentro de sua casa. Além disso, três residências foram incendiadas, animais foram levados e várias pessoas foram sequestradas.
Jean, uma testemunha do ataque, relatou que os agressores chegaram por volta das 2h da manhã e começaram a assassinar moradores com facões. Ele afirmou que os gritos das vítimas ecoaram até as 5h da manhã. Outro sobrevivente, Osée Kambale, contou que os terroristas cercaram as propriedades antes de matar as vítimas. Ele passou a noite em uma casa queimada e lembrou que a vila já havia sido atacada diversas vezes. Em fevereiro de 2024, um ataque semelhante deixou muitas crianças órfãs.
A violência contínua na região tem provocado medo e luto entre os moradores. Katembo Kisaki Louis, presidente do grupo da sociedade civil Batangi-Mbau, visitou o local do massacre e descreveu a destruição como devastadora. Ele destacou que os ataques recorrentes aumentam a vulnerabilidade da população, já assustada com a falta de segurança.
O bispo anglicano da Diocese de Beni condenou o ataque e fez um apelo pelo fim da violência. Ele lamentou que a cidade de Beni esteja se tornando “um oceano de lágrimas”, com pessoas inocentes sendo mortas diariamente. O líder religioso pediu que os membros da ADF abandonem a violência e se voltem para Deus, enfatizando o cansaço da população diante dessa brutalidade sem fim e a urgência por paz.
Em fevereiro deste ano, após o encontro de 70 cristãos decapitados dentro de uma igreja protestante na RDC, a missão Portas Abertas condenou o massacre e instou as autoridades a protegerem a comunidade cristã no país. John Samuel, especialista jurídico da missão na África Subsaariana, ressaltou que a impunidade prevalece na região, permitindo que grupos como a ADF continuem cometendo atrocidades sem serem responsabilizados. Ele classificou o massacre como um claro indicador das graves violações de direitos humanos contra civis e comunidades vulneráveis, especialmente cristãos.
A região nordeste do Congo tem sido palco de conflitos constantes entre os grupos terroristas ADF e M23 e as forças do governo. Desde 2014, a ADF intensificou os ataques na área, e somente no último mês, mais de 200 pessoas foram assassinadas em Baswagha.
A violência já forçou o deslocamento de 10.000 pessoas somente em 2024, deixando muitas vilas cristãs completamente desertas. Segundo a missão Portas Abertas, 355 cristãos foram mortos por sua fé este ano. Diante dessa realidade, John Samuel pediu à comunidade cristã internacional que continue em oração pelos cristãos e comunidades vulneráveis do leste da RDC.
A Missão MAIS, que apoia a igreja perseguida, relatou que no sábado (08), mais de 100 cristãos foram mortos nas cidades sírias de Baneas e Tartus.
Em uma postagem no Instagram, a missão brasileira escreveu:
“Devido à instabilidade política na Síria, a perseguição contra nossos irmãos na fé tem se intensificado nos últimos meses. Recebemos algumas mensagens de um líder local na Síria que estamos acompanhando, dizendo que a situação é pior do que tem sido noticiado. Segundo eles, a atual situação é muito mais grave do que era há 10 anos.”
Centenas de pessoas, incluindo as minorias alauítas e cristãs, perderam a vida em um verdadeiro massacre na Síria, de acordo com informações do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) e fontes locais.
O total de mortes nos confrontos iniciados no fim da semana entre as forças de segurança e os apoiadores do ex-presidente Bashar al-Assad, somado aos assassinatos motivados por vingança, ultrapassou 1.000, segundo a OSDH, um grupo de monitoramento de guerra, conforme informou a Associated Press.
A comunidade cristã já havia diminuído durante a guerra civil de uma década na Síria. Os cristãos são vistos pelas facções islâmicas como politicamente e ideologicamente alinhados com o antigo regime e como obstáculos ao estabelecimento de um governo liderado por islamistas. Embora os relatórios sugiram que os cristãos também foram alvos da violência, não está claro quantos cristãos foram mortos.
As Igrejas sírias denunciaram no sábado (08) os “massacres de civis inocentes” e pediram o “fim imediato desses atos horríveis”.
Patriarcas das Igrejas Ortodoxa Grega, Ortodoxa Siríaca e Greco-Católica Melquita emitiram uma declaração conjunta condenando a violência.
“Casas foram violadas, sua santidade desconsiderada e propriedades saqueadas — cenas que refletem nitidamente o imenso sofrimento suportado pelo povo sírio”, diz a declaração conjunta. “As Igrejas Cristãs, embora condenem fortemente qualquer ato que ameace a paz civil, denunciam e condenam os massacres que visam civis inocentes e pedem o fim imediato desses atos horríveis, que estão em total oposição a todos os valores humanos e morais.”
“As Igrejas também pedem a rápida criação de condições propícias para alcançar a reconciliação nacional entre o povo sírio”, acrescentou. “Elas pedem esforços para estabelecer um ambiente que facilite a transição para um estado que respeite todos os seus cidadãos e estabeleça as bases para uma sociedade baseada na cidadania igualitária e na parceria genuína, livre da lógica de vingança e exclusão.”
Vídeos com imagens dos massacres estão sendo amplamente divulgados pelas redes sociais, mostrando o horror dos ataques contra comunidades alauítas e cristãs.
Os incidentes ocorreram após ataques de forças leais a Assad contra as forças de segurança na cidade costeira de Jableh. Em resposta, as autoridades iniciaram operações na região de Latakia, reduto da minoria alauíta, à qual Assad pertence.
O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, condenou “terroristas islâmicos radicais” e expressou solidariedade às minorias religiosas e étnicas da Síria. Ele pediu ao governo interino que protegesse as minorias e os civis.
Enquanto isso, Israel culpou os novos governantes da Síria pelos massacres, acusando-os de perpetrar atos bárbaros contra civis.
As raízes da crise atual estão na frágil transição da Síria após a queda de Assad.
O governo interino de Sharaa, embora prometesse inclusão, tem lutado para afirmar o controle sobre várias facções armadas. Grupos jihadistas linha-dura e milícias irregulares operam com supervisão limitada, minando os esforços para centralizar a segurança e prevenir a violência.
Muitos temem que a incapacidade do governo interino de proteger as minorias leve a mais derramamento de sangue sectário.
Enquanto isso, a Rússia, que mantém presença militar na Síria, teria fornecido refúgio a civis deslocados, mas se absteve de intervir diretamente no conflito.
Folha Gospel com informações de Guia-me e The Christian Post
Escolas cristãs no norte da Nigéria foram fechadas durante o Ramadã por ordem dos governadores regionais.
A medida sem precedentes ocorreu nos estados de Kano, Katsina, Bauchi e Kebbi, onde os governadores decretaram que todas as escolas, independentemente da filiação religiosa, seriam obrigadas a fechar durante o Ramadã.
A decisão foi condenada por líderes religiosos cristãos, sindicatos de professores e representantes estudantis.
De acordo com o grupo antiperseguição Portas Abertas, o chefe da polícia moral de Katsina insistiu que o fechamento também se aplica às escolas particulares, acrescentando que “o descumprimento não será tolerado”.
O especialista jurídico da Portas Abertas para a África Subsaariana, que não pode ser identificado por razões de segurança, condenou a decisão.
“O direito à educação é um direito fundamental que deve ser garantido independentemente da origem religiosa do aluno. Esta ação viola o direito fundamental à educação e à liberdade religiosa das minorias religiosas”, disseram.
“O precedente que isso cria também é perigoso e pode levar à violação de outros direitos fundamentais de minorias religiosas.”
Samson Adeyemi, porta-voz da Associação Nacional de Estudantes Nigerianos, acusou as autoridades de estabelecer “um precedente perigoso” e de priorizar as observâncias religiosas em detrimento do direito dos estudantes à educação.
A Conferência dos Bispos Católicos também foi crítica, acrescentando que as regras podem ser uma violação da constituição secular da Nigéria, que declara que nem o país nem nenhum de seus estados adotará uma religião oficial.
O Reverendíssimo Daniel Okoh, Presidente da Associação Cristã da Nigéria (CAN), disse que a decisão pode ser devastadora para as chances de vida de crianças mais pobres que já lutam para receber educação na Nigéria.
Ele também observou que até a Arábia Saudita mantém as escolas abertas durante o Ramadã, embora com horários alterados.
Os radicais islâmicos no norte do país se tornaram um problema crescente para as minorias cristãs, com ataques, assassinatos e sequestros generalizados.
O nome do grupo islâmico mais famoso da Nigéria, “Boko Haram”, que está por trás de grande parte da violência, pode ser traduzido como “A educação ocidental é proibida”.
Folha Gospel com informações de The Christian Today
Pastor José Pappachen e esposa Sheeja Pappachen (Foto: Morning Star News)
Um casal cristão na Índia condenado por conversão forçada apesar da falta de provas e sentenciado a cinco anos de prisão ganhou fiança enquanto apela, disseram fontes.
O pastor Jose Pappachen, 58, e sua esposa Sheeja Pappachen, 57, foram soltos em 19 de fevereiro depois que um Tribunal de Sessões em Ambedkar Nagar, Uttar Pradesh, em 22 de janeiro, os sentenciou à prisão e a uma multa de 25.000 rúpias (US$ 287) cada, sob a rigorosa lei anticonversão do estado. O banco de Lucknow do Tribunal Superior de Allahabad concedeu fiança ao pastor em 6 de fevereiro e à sua esposa em 5 de fevereiro.
O pastor Pappachen disse que todas as alegações contra eles foram fabricadas. Ele e sua esposa não são associados a nenhuma igreja ou denominação e estavam sobrevivendo com 10.000 rúpias (US$ 115) todo mês.
“Depois de pagar 4.000 rúpias de aluguel de casa todo mês, ficamos com apenas 6.000 rúpias para sobreviver durante o mês – como poderíamos organizar almoços comunitários ou pagar pessoas para se converterem?”, disse o pastor Pappachen ao Morning Star News.
Depois que Chandrika Prasad, ministro distrital do Partido Nacionalista Hindu Bharatiya Janata, apresentou uma queixa por escrito na delegacia de polícia de Jalalpur, no distrito de Ambedkar Nagar, em 24 de janeiro de 2023, a polícia prendeu o casal sob dois estatutos: a Lei de Proibição de Conversão Ilegal de Religião de Uttar Pradesh, de 2021, e a Lei de Castas e Tribos Programadas (Prevenção de Atrocidades).
Em 8 de outubro de 2023, no entanto, o tribunal ordenou a remoção das acusações sob a Lei SC/ST do Primeiro Relatório de Informações (FIR).
Prasad alegou que moradores da área o informaram que o casal cristão estava incitando membros da comunidade dalit a se converterem ao cristianismo nos últimos três meses e exigiu medidas rigorosas contra eles.
O casal foi preso em 25 de janeiro de 2023 em sua casa na vila de Shahpur Firojpur, no bloco Jalalpur. Relatórios policiais declararam que o casal visitava semanalmente a casa de uma mulher chamada Vifla, onde reuniam moradores locais e conduziam sessões de estudo da Bíblia, disse o pastor Pappachen. Ele negou as alegações.
“A mulher em cuja casa eles alegaram que realizávamos estudos bíblicos testemunhou no tribunal que ela nem nos conhece”, disse o pastor Pappachen ao Morning Star News.
Morador do estado de Kerala, o pastor Pappachen e sua esposa ministraram no estado de Bihar por quase 10 anos antes de se mudarem para Shahpur Firojpur em setembro de 2022, a pedido de um pastor que não tinha tempo para orientar sua congregação.
“Ele nos pediu para vir a esta vila e fortalecer sua congregação aqui”, disse o pastor Pappachen, que não conhecia ninguém além do pastor que os convidou.
Ao chegar, o casal descobriu que os 20 a 25 membros da congregação pertenciam a um setor que sobrevivia de roubos e furtos.
“Eles não tinham corrigido seus caminhos, então começamos a ensiná-los a verdade básica da Bíblia sobre viver vidas transformadas”, disse o pastor Pappachen, refutando a alegação de realizar “conversão em massa” por meio de sedução. “Essas pessoas não são minha congregação. Todas elas já estavam frequentando a igreja, e não pregamos para uma única pessoa, nem uma única pessoa foi adicionada à igreja já estabelecida. Estávamos apenas fazendo um trabalho de ‘consertar e consertar’ aqueles que nos foram dados.”
Os registros do tribunal mostram que uma das 11 testemunhas de acusação, identificada apenas como Roshini, disse à polícia que o casal celebraria o nascimento de Cristo em sua aldeia e organizaria almoços comunitários. Ela também disse que o casal lhe presenteou com um calendário que tinha uma imagem de Jesus, e ela entregou o calendário à polícia. Outra testemunha de acusação, identificada apenas como Bhagmani e também conhecida como Munni, declarou que o casal visitaria sua casa, orando e ensinando “coisas boas”.
Em contraste, uma testemunha de acusação identificada apenas como Anjani disse que o casal subornou sua família com dinheiro, pediu que adorassem Jesus e deu a eles uma Bíblia, embora ela tenha reconhecido mais tarde que sua família não sabia ler e escrever. Ela alegou que o casal queria tirar vantagem do analfabetismo deles e atraí-los para o cristianismo.
O pastor Pappachen negou a alegação, observando que, como eles eram analfabetos, “então por que alguém lhes daria um livro para ler, muito menos uma Bíblia?”
Apesar de não haver evidências claras de conversão forçada, um tribunal inferior negou o pedido inicial de fiança, e o casal ficou preso por oito meses.
O pastor Pappachen foi alojado na ala masculina da prisão, enquanto sua esposa foi detida na ala feminina, e eles tinham permissão para se encontrar apenas uma vez por semana.
O casal enfrentou dificuldades extremas, ele disse. Além de ser diabético, o pastor Pappachen sofre de problemas de próstata e teve que ser hospitalizado por três meses enquanto estava na prisão. Ele enfrentou dificuldades respiratórias e dores severas no joelho o deixaram incapaz de andar.
“Eu me senti muito fraco no corpo”, disse ele.
O pastor disse que os presos e policiais o assediaram verbalmente como alguém “no negócio de converter pessoas” e que os 50 presos em sua cela o trataram com preconceito e desprezo.
“Até mesmo prisioneiros presos por crimes graves como estupro e assassinato alertavam os outros para manterem distância de mim, alegando que eu poderia converter qualquer um que se sentasse ao meu lado em um minuto”, disse o pastor Pappachen.
Policiais faziam várias perguntas a ele sobre seu avô e bisavô, tentando provar que seus ancestrais eram hindus e se converteram mais tarde. Eles perguntavam por que Jesus foi crucificado em uma cruz – quais eram seus crimes? – e se os cristãos cremavam ou enterravam seus mortos.
“Eu não disse nada, porque sabia que eles estavam procurando uma desculpa para desprezar Jesus e minha fé”, disse ele.
Cansado de seus questionamentos, o pastor Pappachen disse um dia a um policial: “Eu nasci em um lar cristão, cresci como cristão, morrerei cristão. Mesmo que você me enforque, não negarei a Cristo.”
Um oficial declarou que, daquele momento em diante, todos na prisão deveriam chamá-lo de “Ram Dulari”, um nome feminino que significa amado do deus hindu Rama.
“Além das minhas enfermidades físicas, o trauma mental que os policiais e os presos estavam me infligindo estava me causando uma depressão severa. Eu ficava sentado e chorava continuamente”, disse o pastor Pappachen ao Morning Star News.
O assédio implacável acabou levando-o a tal desespero que ele implorou aos policiais que atirassem nele e “relatassem o fato como um homicídio de confronto”, disse ele.
Durante esse período, o tribunal distrital rejeitou a fiança para o casal, e o advogado do casal apelou ao Tribunal Superior para obter fiança.
“Senti que apodreceríamos e morreríamos ali, porque todos os que vieram antes e depois de nós foram libertados sob fiança”, disse o pastor.
Ele decidiu jejuar e orar, comendo apenas uma refeição por dia.
“O Senhor apontou muitas das minhas deficiências. Eu me arrependi dos meus pecados e depois de 30 dias de jejum, conseguimos fiança” em setembro de 2023, ele disse.
Durante o julgamento, eles compareceram a cerca de 30 audiências judiciais antes de serem condenados em 22 de janeiro e detidos novamente.
“Estávamos mentalmente preparados para que, mesmo que fôssemos condenados, fosse pelo Senhor”, disse o pastor Pappachen, acrescentando que testemunhou uma diferença drástica em seu tratamento na prisão.
“As pessoas na prisão nos trataram tão bem”, ele disse. “Os policiais tiveram uma ‘transformação de coração’ e confessaram que éramos pessoas inocentes, falsamente incriminadas.”
O casal não esperava obter fiança tão rapidamente.
“Foi nada menos que um milagre que nos foi concedida fiança tão cedo”, disse o pastor Pappachen. “Somos muito gratos a todos aqueles que oraram por nós e a todos aqueles que ficaram conosco.”
O casal não foi informado quando o Tribunal Superior poderá convocá-los para qualquer possível interrogatório adicional, o que pode ocorrer nos próximos 18 meses.
O tom hostil do governo da Índia contra não hindus encorajou extremistas hindus e outros a atacar cristãos desde que Narendra Modi assumiu o poder em maio de 2014, dizem defensores dos direitos religiosos.
A Índia ficou em 11º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2025, da organização de apoio cristão Portas Abertas, que relaciona os países onde é mais difícil ser cristão. O país estava em 31º em 2013, mas sua posição piorou depois que Modi chegou ao poder.
A Justiça de São Paulo condenou o pastor Danilo Santana Santos, da Assembleia de Deus, por discriminação e preconceito religioso. De acordo com a acusação do Ministério Público, em fevereiro de 2024, o pastor foi chamado para “desfazer” uma oferenda que havia sido deixada próximo à casa de fiéis de sua igreja, em Mauá, no ABC paulista.
Segundo a Promotoria, ao se deparar com a oferenda, o pastor utilizou expressões de intolerância religiosa e discurso de ódio, referindo-se ao ato como “obra do Diabo”, “imundice”, “sujeira do inferno”, “mal” e “desgraça”. O episódio foi gravado e motivou uma denúncia ao Disque 100, serviço do governo federal que recebe reclamações sobre violações de direitos humanos.
O autor da denúncia afirmou à polícia que “a intolerância religiosa gera preconceito e malefícios para a sociedade”. Já o pastor se defendeu no processo alegando que apenas orou sobre os objetos deixados na via pública, exercendo seu “direito à liberdade de crença religiosa”. Ele afirmou ainda que, em nenhum momento, ofendeu qualquer pessoa ou proferiu palavras pejorativas ou preconceituosas contra outras religiões, pois sua única intenção era afastar qualquer possibilidade de que a oferenda fosse destinada a causar mal a alguém. No processo, o pastor também declarou que “a liberdade de expressão é um direito fundamental assegurado pela Constituição”.
O juiz Paulo Campanella, no entanto, concluiu que o réu não se limitou a manifestar sua crença, mas sim “vilipendiou” um símbolo religioso da Umbanda, no caso, o alguidar, recipiente de barro utilizado para oferendas. Para o magistrado, o pastor ultrapassou os limites da liberdade religiosa e proferiu ofensas à outra religião ao se referir à oferenda como “lixo”, “sujeira do inferno”, “desgraça”, “obra do Diabo” e “imundice”.
O juiz ressaltou que o simples descarte de uma oferenda religiosa deixada na rua não configura crime, mas que a manifestação de desrespeito, desprezo e humilhação à religião de outrem constitui um ato discriminatório. Como consequência, o pastor foi condenado a um ano de reclusão em regime aberto, pena que foi substituída pela prestação de serviços comunitários pelo mesmo período. O pastor ainda pode recorrer da decisão.
Pastor Marlon Yamith Lora, sua esposa Yorley Rincón e seus filhos, Angela Natalia e Santiago. (Foto: Redes Sociais)
O terrível assassinato da família pastoral Lora Rincón em Aguachica , Colômbia, continua gerando choque à medida que novos detalhes são revelados sobre o crime que impactou a comunidade cristã no país. As autoridades revelaram que a família foi assassinada por engano, pois os assassinos confundiram uma das vítimas com a ex-esposa de um suposto traficante de drogas.
Segundo a investigação, o ataque tinha como alvo a ex-mulher de um homem ligado ao tráfico de drogas, mas, conforme informou o Folha Gospel, os pistoleiros acabaram atacando o pastor Freddy Lora Rincón , sua esposa e seus dois filhos.
As autoridades identificaram Kevin José Ortega como o responsável por marcar as vítimas, enquanto o assassino que atirou nelas foi Juan Carlos Maldonado , conhecido como “El Diablo”. O condutor da motocicleta usada no ataque foi identificado como Luis Alberto Pérez.
Este crime devastador provocou profunda indignação na comunidade cristã e despertou o clamor de organizações de direitos humanos e líderes religiosos, que exigem justiça e maior proteção para os pastores e suas famílias. A igreja liderada pela pastora Lora Rincón reabriu recentemente suas portas em uma cerimônia emocionante, na qual a congregação reafirmou sua fé e esperança em meio à dor.
“Embora a dor seja imensa, não deixaremos de proclamar o amor e o perdão de Cristo”, disseram alguns dos presentes no culto de reabertura. A comunidade permaneceu unida em oração, enfrentando a dor com coragem e renovando seu compromisso de continuar levando adiante a mensagem de paz e reconciliação.
Este não é um caso isolado na Colômbia, pois nos últimos meses houve vários assassinatos de pastores e líderes cristãos em várias regiões do país. A situação levantou alarmes sobre a crescente vulnerabilidade enfrentada por aqueles que dedicam suas vidas a servir a Deus e suas comunidades.
Por sua vez, o governo colombiano prometeu continuar com as investigações até que todos os envolvidos sejam capturados e levados à justiça. No entanto, a comunidade cristã está pedindo ações concretas para garantir a segurança dos líderes espirituais, que muitas vezes se encontram em situações de risco devido ao seu trabalho ministerial.
Enquanto isso, organizações cristãs pediram à comunidade internacional que continue orando pela Colômbia e apoie as famílias que foram vítimas desses atos violentos. A perseguição aos líderes cristãos se tornou um desafio constante, e a igreja colombiana continua clamando por justiça e paz em meio à adversidade.
Cristãos durante culto na Índia ((Foto representativa: Portas Abertas)
Cerca de cinquenta cristãos foram atacados durante um culto dominical no estado do Rajastão, no oeste da Índia, quando um grupo de cerca de 200 pessoas invadiu uma igreja na cidade de Bikaner.
Vários participantes ficaram feridos após serem espancados com barras de ferro. Os agressores vandalizaram a propriedade antes da chegada da polícia.
O pastor da igreja, que pediu para permanecer anônimo por motivos de segurança, disse que um novo membro compareceu ao culto naquele dia e foi visto enviando mensagens de texto minutos antes da multidão entrar na igreja, momento em que saiu correndo do prédio.
Segundo a mídia internacional, os agressores saíram às pressas quando a polícia chegou ao local. Após o incidente, as autoridades interrogaram os cristãos feridos. Alguns crentes foram acusados de realizar conversões forçadas.
Mais tarde, foi relatado que o pastor, sua esposa e alguns outros membros da congregação foram escoltados até a delegacia de polícia de Mukta Prasad, onde as alegações foram examinadas; no entanto, nenhuma evidência incriminatória foi apresentada.
Os membros da igreja decidiram não registrar queixa, alegando medo de retaliação.
“Conversões forçadas”
O ataque ocorreu semanas após o anúncio de um projeto de lei perante a legislatura estadual nesta área que proíbe “conversões” para outras religiões.
Se aprovado, as pessoas que desejarem se converter voluntariamente terão que enviar um requerimento a um magistrado distrital com 60 dias de antecedência.
Qualquer conversão considerada forçada será considerada um crime inafiançável e poderá resultar em uma multa significativa e até 10 anos de prisão.
A legislação proposta também transferiria o ônus da prova para os acusados de forçar alguém a mudar de fé.
Doze dos 28 estados da Índia têm leis anticonversão, de acordo com a Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional. A medida proposta no Rajastão segue uma tendência que inclui as emendas de 2024 em Uttar Pradesh, onde uma lei anticonversão existente foi alterada para impor penalidades mais severas.
Essas leis foram promulgadas principalmente em estados governados pelo Partido Nacionalista Hindu Bharatiya Janata.
Em dezembro passado, mais de 400 cristãos e 30 grupos religiosos, incluindo várias convenções, conselhos e associações batistas, enviaram uma carta à presidente Draupadi Murmu e ao primeiro-ministro Narendra Modi pedindo intervenção contra multidões violentas que atacaram cristãos e outras minorias religiosas.
Os signatários disseram que fiéis em diversas partes da Índia sofreram ataques e intimidações.
Dados de um grupo sediado na Índia, o United Christian Forum, mostram um aumento nos ataques contra comunidades cristãs na última década. O grupo, que administra uma linha de apoio, registrou 127 incidentes em 2014 e 834 em 2024.