O Vaticano anunciou nesta sexta-feira que abrirá os seus arquivos para permitir que historiadores tenham acesso a documentos do período de 1922 a 1939.
Documentos do pontificado de Pio 11 serão disponibilizados e podem mostrar a atitude do Vaticano para com a ascensão do nazismo e novas informações sobre a visão da igreja católica sobre a Guerra Civil Espanhola na década de 30.
O papa seguinte, Pio 12, vem sendo acusado há muito tempo de não ter ajudado os judeus durante o holocausto promovido pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.
Mas os arquivos que possuem potencialmente as informações mais sensíveis, vão continuar confidenciais, apesar de pedidos de rabinos e historiadores judeus feitos quando o atual papa, Bento 16, foi eleito.
Desmistificação
Os historiadores dizem que a decisão de dar maior acesso aos arquivos secretos do Vaticano é uma tentativa de desmistificar o papel da igreja no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial.
O material a ser liberado pode incluir uma encíclica elaborada no papado de Pio 11, que criticava o racismo e o nacionalismo violento da Alemanha, de acordo com a agência de notícias AP.
A encíclica foi entitulada “Humani Generis Unitatas” (ou “A Unidade da Raça Humana”), mas Pio 11 morreu antes de sua divulgação e ela jamais veio a público, disse a AP.
Os arquivos contém registros de todos os decretos papais, encíclicas e correspondência diplomática do Vaticano.
Registros de cada papado vem sendo liberados para consulta em intervalos irregulares desde que a maior parte da coleção foi aberta, no século 19.
Em 2003, o papa João Paulo 2º anunciou que vai liberar o acesso aos documentos que detalham as relações do Vaticano com a Alemanha no período anterior à Segunda Guerra.
O acesso de estudiosos à coleção, mantida no Vaticano, é concedido mediante normas rigorosas, que incluem a proibição do uso de canetas esferográficas.
A 2ª Vara do Trabalho de Piracicaba (SP) condenou a Igreja Universal do Reino de Deus a indenizar, por danos morais em R$ 50 mil, um ex-bispo que disse ter sido humilhado por não alcançar a meta estipulada pela igreja na arrecadação de contribuições dos fiéis.
Segundo informações do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região, em Campinas, o bispo entrou com uma reclamação trabalhista contra a Igreja Universal pedindo vínculo empregatício. O pedido foi concedido. A Universal recorreu e reverteu a sentença.
O ex-bispo ajuizou nova ação trabalhista, na 2ª Vara do Trabalho de Piracicaba, pedindo indenização por danos morais no valor de R$ 200 mil. Ele alegou que a igreja, por intermédio de seu representante, o teria chamado de burro, perturbado, vagabundo, preguiçoso, canalha, endemoninhado, almofadinha, derrotado e acomodado.
Segundo o trabalhador, as ofensas foram proferidas em reunião, diante de vários outros bispos, na qual se discutia o faturamento das igrejas. De acordo com a ação, ele teria sido excluído do grupo por não ter atingido a meta estipulada pela igreja para arrecadação de contribuições junto aos fiéis.
A Igreja Universal, em sua defesa, afirmou que o ex-bispo aderiu à igreja na condição de fiel, obreiro e posteriormente pastor. “É importante não se perder de vista a máxima de um filósofo alemão que com propriedade dizia ‘num lago de cisnes brancos há um que não é branco’. O próprio Cristo não pôde conhecer as verdadeiras intenções de Judas, somente no final é que ele manifestou a sua não crença no seu mestre; contudo, a história o registra como um de seus discípulos”, afirmou a advogada.
Para a juíza Rosana Alves Siscari, ficou confirmada, mediante depoimento testemunhal, a agressão verbal sofrida pelo ex-bispo em uma reunião em São Paulo. Segundo uma testemunha, a igreja estipulava um valor que deveria ser angariado por seus pastores, os quais induziriam os fiéis a fazerem a doação. Quem não atinge a meta acabaria excluído do grupo.
“Ficou comprovado que o agressor dirigiu palavras ofensivas ao ex-bispo, com intenção de menosprezá-lo e humilhá-lo perante outros participantes da igreja, tudo porque não atingiu as metas por ela estipuladas. A conduta da igreja causou-lhe grande constrangimento perante os demais pastores e pessoas presentes à reunião”, fundamentou a juíza, que estipulou o valor da indenização em R$50 mil, mais R$10 mil de honorários advocatícios.
Autoridades chinesas expressaram “forte desagrado” com a resolução aprovada pelo parlamento norte-americano, em 12 de junho, de condenar a crescente perseguição de religiosos na China. Atualmente, a China proíbe os missionários estrangeiros e, às vezes, o governo importuna ou aprisiona cristãos.
O porta-voz do Ministério do Exterior, Jiang Yu, disse que a resolução se baseou em “acusações sem fundamento”, segundo reportagem da agência de notícias Associated Press de 13 de junho. Jiang Yu também disse que os cidadãos chineses desfrutam de “plena e ampla liberdade religiosa, como determina a lei”.
A resolução contra a “crescente perseguição” foi tomada depois que o presidente George W. Bush convidou à Casa Branca três membros de uma rede de igrejas domésticas na China: o escritor Yu Jie, o professor de direito Wang Yi e o acadêmico Li Biaguang.
Desejo de mudança
Durante o encontro com o presidente Bush, Yu Jie disse que os cristãos chineses – particularmente os ativistas cristãos – querem promover uma mudança “através do amor e da justiça de Deus e por meios não-violentos”, segundo reportagem do “Washington Post”.
Yu Jie freqüenta a Igreja da Arca, uma igreja doméstica protestante não-registrada, que se reúne em um apartamento alugado em Pequim.
O governo chinês exige que todas as igrejas protestantes se registrem junto ao governo. Por causa do estrito controle e da adaptação da teologia para tornar-se “compatível com o socialismo”, muitos cristãos preferem se reunir em um expressivo número de igrejas domésticas clandestinas.
A Igreja da Arca originou-se de um pequeno grupo doméstico de estudos bíblicos liderado por Yu Jie e sua esposa Liu Min. A polícia invadiu a igreja em 15 de janeiro, e, desde então, a igreja teve que transferir os locais de reuniões seis vezes para escapar da importunação.
Quando Yu Jie foi convidado a visitar a Casa Branca, a polícia secreta de Pequim intimou Liu Min em seu escritório, no centro da cidade. “Eles exigiram que eu fosse imediatamente ao primeiro andar”, contou Liu Min.
Ela encontrou dois homens e uma mulher em uma lanchonete. “Eles me disseram para parar de freqüentar a Igreja da Arca, achando que se eu deixasse de ir os outros iriam se dispersar”, disse. Quando ela respondeu que não poderia obedecer à ordem, a polícia afirmou que espalharia boatos para prejudicar a reputação de seu marido. Eles também a aconselharam a se divorciar de Yu Jie. “Eu lhes disse que eles podiam fazer o que quisessem, mas que eu conhecia e confiava em meu marido”, contou Liu Min.
Um mês para pensar
Em resposta, os policiais disseram que iriam dar a ela um mês para pensar sobre isso e que eles retornariam na próxima vez que Yu Jie deixasse o país. Quando Yu Jie e o professor Wang Yi retornaram a Pequim, uma multidão de jornalistas e a polícia secreta o receberam no aeroporto. Yu Jie pode enfrentar dificuldades para viajar no futuro. No começo de maio, funcionários da alfângeda detiveram o advogado cristão Fan Yafeng quando ele tentava se juntar a Yu Jie para o encontro com o presidente Bush.
Fan Yafeng presta serviço para a Associação de Advogados Cristãos Chineses, que oferece ajuda legal para os cristãos de igrejas domésticas que são perseguidos por causa da fé. Tanto Fan Yafeng quanto Li Baiguang freqüentam a Igreja da Arca; os dois trabalharam juntos em alguns casos de perseguição, incluindo o do pastor Cai Zhuohua – condenado por “práticas comerciais ilegais” depois que um depósito cheio de materiais cristãos foi descoberto e desapropriado em setembro de 2004.
Pequim e o Vaticano
Duas outras resoluções foram aprovadas em 12 de junho. Uma censurou a China por ordenar bispos católicos sem a aprovação do papa Bento XVI, e a outra defendeu a memória das demonstrações pró-democracia da Praça da Paz Celestial, em 1989. A Associação Patriótica Católica (CPA, sigla em inglês), que é aprovada pelo governo chinês, ordenou Joseph Ma Yinglin e Joseph liu Xinhong como bispos, apesar da falta de autorização do Vaticano.
O papa imediatamente ordenou que todos aqueles que tomaram parte na ordenação fossem excomungados. O governo comunista da China rompeu os laços diplomáticos com o Vaticano quando chegou ao poder em 1949. O governo mantém controle rígido da CPA e todas as igrejas filiadas.
Existe também uma igreja católica não-registrada, ou clandestina, que rejeita as ordenações da CPA e permanece fiel ao Vaticano.
Preocupação específica
A Associação de Ajuda à China (CAA, sigla em inglês), um grupo norte-americano que monitora a opressão religiosa, divulgou um relatório em 26 de junho afirmando que as autoridades chinesas prenderam pelo menos 1.958 cristãos nos últimos doze meses.
Alguns comentaristas dizem que as prisões são uma exceção em um país onde milhões de pessoas exercem sua religião livremente, sem penalidades. O relatório da CAA indicou que havia detenções não declaradas em metade das províncias da China.
Os cristãos chineses nos centros urbanos dizem que o principal é manter a discrição e evitar provocações ou embaraços com oficiais locais. Em áreas rurais, entretanto, as autoridades são muito mais propensas a atacar a invadir cultos em igrejas domésticas, agredir pastores e interrogar membros de igrejas.
Depois de uma viagem à China, em agosto de 2005, a Comissão Internacional de Liberdade Religiosa dos Estados Unidos (USCIRF) relatou que o governo chinês continuava a violar sistematicamente o direito à “liberdade de pensamento, consciência e religião ou fé”, contrariando a Constituição do país e os acordos internacionais de direitos humanos assinados pela China.
O Departamento de Estado norte-americano designou a China como um “país de preocupação específica” (CPC) em 2005. Em 3 de maio último, quando a USCIRF anunciou sua recomendação ao Departamento de Estado para a formação da lista 2006 de CPC, a China permaneceu entre os 11 países listados.
Comentário: Com fé na China
Nicholas D. Kristof, do The New York Times
Durante a primeira metade do século 20, missionários ocidentais pipocaram em toda a China, apesar de terem convertido menos de um milhão de chineses e deixado uma pequena marca sobre o país.
Atualmente, a China proíbe os missionários estrangeiros e, às vezes, o governo importuna ou aprisiona cristãos. Ainda sim, o cristianismo está estourando como nunca na China, e alguns volúveis seguidores afirmam que ela poderá, eventualmente, ter centenas de milhões de cristão – talvez mais que qualquer outro país do mundo.
Essa explosão na religião, particularmente o cristianismo, mas também a fé bahaísta e diversos outros cultos, reflete uma nostalgia espiritual entre muitos chineses. Apesar de a China possuir uma igreja católica oficial e uma igreja oficial não-confessional protestante, que não são dissimuladas e a que as pessoas podem se unir livremente, as igrejas que mais crescem são as alternativas – normalmente evangélicas sem qualquer denominação específica – que são independentes do governo. O número total de chineses cristãos provavelmente excedeu os 40 milhões.
“Isso está cada vez mais explosivo”, disse Wang Wenjing, batizado um ano atrás e atualmente zelador da Igreja Arca, uma proeminente igreja alternativa cujo culto eu presenciei em Pequim. A Igreja Arca, uma das milhares de “igrejas caseiras”, se reúne em um apartamento alugado nas tardes de domingo. Quarenta pessoas enchem a sala de estar, regularmente clamando “Amém!”, como o pastor falou.
Depois de duas horas, achei que a cerimônia havia acabado – mas então ela se dividiu em grupos menores e prosseguiu por mais duas horas. Um dos grupos ouvia um cristão que havia sido preso e que falava sobre as miseráveis condições da prisão. A reunião também possuía uma arrecadação de roupas para os pobres.
Uma razão para o sucesso do cristianismo é que a China está passando pelo mesmo tipo de mudança social turbulenta, inclusive o alarme com o eclipse dos valores tradicionais, que frequentemente leva as pessoas à fé. E no caso da China, o maoísmo anulou as religiões tradicionais.
O crescimento do cristianismo constitui mais um desafio para o Partido Comunista ao estabelecer uma rede que ele não pode controlar facilmente. Isso já aconteceu com Falun Gong, grupo religioso que a China conteve. Membros do Falun Gong no exterior estão hoje entre os maiores antagonistas do partido e desenvolveram o software que os chineses frequentemente usam para entrar em web sites proibidos.
Num sinal de apoio, o presidente Bush se encontrou no mês passado com três cristãos chineses na igreja alternativa. Um deles, um famoso dissidente chamado Yu Jie, me levou à Igreja Arca para assistir a seu culto.
“É como na Coréia do Sul na década de 70 e 80, quando a igreja era um líder no movimento democrático”, disse Yu.
O governo chinês é linha dura com a igreja alternativa, mas de forma inconsistente e que não chega nem perto do quanto é com o Falun Gong. A pior opressão está nas áreas rurais; em Hubei, alguns anos atrás, entrevistei cristãos evangélicos que foram despidos, espancados e alvos de choques elétricos para que renunciassem a sua fé. Uma mulher foi espancada até a morte.
A Associação de Ajuda da China, grupo com sede nos Estados Unidos que monitora a repressão religiosa, afirma que pelo menos 1.958 cristãos foram detidos na China nos últimos 12 meses. Os piores abusos estão na província de Henan, onde às vezes a polícia bate e tortura os cristãos. Mas uma perseguição como esta é a exceção em um país onde dezenas de milhões de pessoas rezam de forma bastante aberta e normalmente não sofrerem qualquer penalidade.
Na metade das províncias chinesas, não há registros de detenções. As autoridades de segurança normalmente não se incomodam para invadir igrejas caseiras comuns ou espioná-las, mas a polícia faz pressão sobre aquelas que são consideradas possíveis causadoras de problemas. A Igreja Arc, por exemplo, teve de mudar de lugar por seis vezes neste ano porque a Segurança do Estado continua fazendo com que os proprietários dos imóveis evitem a igreja.
A Segurança do Estado também chamou a mulher de Yu, Liu Min, que é cristã há não muito mais tempo que ele, e a advertiu para que ficasse longe da igreja – e dele. A instituição sugeriu a ela o divórcio e, horrorizada, ela pediu para que saíssem de sua frente.
Eu a elogiei pela coragem, e ela respondeu: “Na verdade, eu tenho medo. Mas esta é a única escolha que posso fazer”.
No próximo domingo, a Igreja Universal do Reino de Deus comemora seus dez anos na Inglaterra com o seu maior evento na Grã-Bretanha, desde que chegou ao país.
No encontro, “Sinais” (“Signs”), onde se espera reunir 30 mil pessoas no estádio do West Ham United, zona leste de Londres, a igreja anuncia “centros para ajudar centenas a arrumar empregos”, núcleos de aconselhamento e trabalho para jovens.
Contudo, a atividade assistencial é só uma parte do objetivo de “Sinais”.
Mais conhecida como UCKG (sigla em inglês para Universal Church of the Kingdom of God), a Universal dá seqüência a um trabalho intenso de cuidado com a imagem, perceptível nos últimos anos.
Dez anos
Surpreendentemente, a organização se recusa a classificar o encontro como religioso, apesar de dizer que o seu objetivo é “fazer uma ponte entre as pessoas e o Deus da Bíblia”.
Os “dez anos” que a igreja está celebrando também são uma licença poética, já que os primeiros serviços conduzidos pela Universal aconteceram em 1995.
A atitude é coerente com a política adotada pela Universal na Grã-Bretanha, onde prefere ser vista como uma entidade assistencial – que, aliás, é como está registrada no país.
“A UCKG é uma organização que tem investido de maneira sólida na sua imagem nos últimos anos”, diz Amanda van Eck, assessora de imprensa da Inform, órgão independente que monitora as atividades de movimentos religiosos na Grã-Bretanha.
Segundo van Eck, a igreja teve seu nome frequentemente ligado à controvérsias nos últimos anos e começou a sentir a necessidade de agir para melhorar o modo como a entidade é vista.
“Episódios controversos como o de Victoria Climbie deixaram uma má impressão generalizada – e nem sempre justa – sobre a UCKG”, explica van Eck.
Em fevereiro de 2000, a menina marfinense Victoria Climbie morreu em Londres em decorrência de violência por parte de uma tia e do namorado dela.
A igreja foi envolvida porque, nas semanas anteriores à sua morte, Victoria foi levada a um templo da igreja para ser exorcizada pelo menos três vezes.
O inquérito que se seguiu isentou a igreja de responsabilidade.
Outras polêmicas envolvendo transferência ilegal de fundos para o exterior e desconfiança sobre a gerência dos fundos levantados pelos fiéis obscureceram ações positivas como jornadas de coleta de sangue para hospitais.
Crescimento “agressivo”
Audrey Chaytor, ativista da Fair, ONG que pressiona o governo para a criação de regulação para movimentos religiosos, é absolutamente cética em relação a “Sinais” não ser religioso.
“É claro que ele é religioso. Eles são uma igreja. Até se intitulam como tal”, argumenta Chaytor. “O que mais uma igreja poderia fazer numa reunião para 20 mil pessoas?”, diz.
A Fair foi criada em 1976, para monitorar a Igreja da Unificação, do Reverendo Moon, por familiares de membros do culto.
Depois disso manteve a atividade de seguir de perto os passos de cultos religiosos.
Segundo ela, igrejas “cristãs extremas” como a Universal estão em franco crescimento da Grã-Bretanha, junto com movimentos como a Cientologia.
O desenvolvimento desses movimentos contrasta com a diminuição do número de fiéis em religiões tradicionais, como a Igreja Anglicana.
O avanço rápido da organização ajudou a angariar antipatias com as ofertas da igreja para comprar cinemas e casas de shows para transformá-los em templos evangélicos, assim como fez em São Paulo e em outras cidades brasileiras.
Em 1995, a Universal comprou o famoso Rainbow Theatre por £ 2,3 milhões (R$ 9,3 milhões) e só não adquiriu também o Brixton Academy porque a prefeitura negou a licença necessária.
À época, a Universal creditou a recusa à má repercussão causada pela morte de Victoria Climbie.
Universal nega evento religioso e reafirma objetivos assistenciais
A Universal, ou UCKG, como é mais conhecida na Inglaterra, negou sistematicamente que “Signs” seja um evento religioso.
Em entrevista à BBC Brasil, o bispo Renato Cardoso usou uma frase que está no site do encontro para explicar a posição da organização.
“Para nós, ser ‘religioso’ significa seguir uma organização e isso não é o que fazemos”, argumenta, aparentemente contradizendo outro objetivo do evento, que é “fazer uma ponte entre as pessoas e o Deus da Bíblia”.
“A UCKG tenta ajudar as pessoas a encontrar Deus diretamente, sem depender de uma religião”, explicou Cardoso, por meio de sua assessoria de imprensa.
Quanto à questão de apostar na imagem, Cardoso também afirma que é uma observação improcedente e que a única razão por trás de tudo é fazer com que “as pessoas melhorem as suas vidas usando a fé”.
Para Cardoso, as iniciativas da igreja são mal-interpretadas por falta de comunicação adequada. Citando Martin Luther King, ele disse que “as pessoas não se relacionam bem porque temem umas às outras, e elas temem umas às outras porque não conhecem umas às outras”.
Um ex-pastor protestante de 46 anos, casado e com filhos, será ordenado sacerdote católico no próximo sábado (1º), em Munique, pelo cardeal Friedrich Wetter.
O ex-pastor convertido ao catolicismo servia à igreja como capelão, e continuará a fazer a mesma atividade, informou nesta quinta-feira um porta-voz.
A ordenação sacerdotal para um homem casado é possível apenas com uma dispensa especial autorizada pelo papa, porque a Igreja Católica prega o dever do celibato para os sacerdotes.
É a segunda vez em pouco tempo que acontece esse tipo de nomeação na Baviera. A última ocorreu três anos atrás em Regensburgo.
Além disso, trata-se de um ex-pastor evangélico, casado e pai de três filhos, convertido ao catolicismo depois de oito anos de trabalho como pastor protestante.
O movimento “Noi Siamo Chiesa” (“Nós Somos Igreja”), numa carta ao cardeal Wetter, pediu para compensar a falta de sacerdotes com ordenações para trabalhos diaconais de homens casados e mulheres.
A irmã Bárbara Markey, uma freira de 71 anos que ajudou a escrever um programa de preparação de casamento popular, foi presa sob a acusação de gastar inapropriadamente mais de US$300 mil em cassinos, presentes e viagens de avião.
Bárbara havia sido demitida da arquidiocese de Omaha em janeiro.
A prisão da freira do Estado de Nebraska fora justificada porque a religiosa gastou US$307.545 para uso próprio ou sem documentação. Parte do dinheiro foi gasto em adiantamento de dinheiro, cassinos, presentes, viagens.
O advogado de defesa, John Stevens Berry, disse que o caso é resultante de um desacordo sobre relacionado à propriedade da Foccus Marriage Preparation Program (Programa de Preparação de Casamento Foccus), o qual Bárbara ajudou a desenvolver. O programa é vastamente usado na Igreja Católica Romana. A religiosa foi acusada por roubo por engano, um delito que acarreta em até 20 anos de prisão e em multa de US$ 25 mil.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) defendeu nesta quinta-feira que os fiéis da Igreja Católica tenham consciência na hora de votar e pensem duas vezes antes de eleger seus representantes, sobretudo aqueles envolvidos no escândalo do “mensalão”.
“Eles deveriam receber o quanto antes a avaliação do que fizeram. Deveriam até ser impedidos de se apresentar para a próxima eleição”, defendeu nesta tarde o presidente da CNBB, Cardeal Geraldo Majella Agnelo.
Em coletiva de imprensa realizada nesta tarde, o órgão reclamou mais participação popular nas decisões de poder e mais justiça social. Os bispos criticaram a caráter excludente da globalização e pediram a aprovação de uma reforma política e eleitoral capaz de expurgar uma “histórica endemia” brasileira, a corrupção.
A CNBB distribuiu aos fiéis neste ano uma cartilha intitulada “Eleições 2006”, com orientações genéricas a respeito do pleito nacional de outubro.
A cúpula do órgão declara-se “decepcionada” com o atual processo eleitoral e a aparente inconsistência das propostas iniciais de governo apresentadas pelos principais adversários, PT e PSDB, na corrida pelo Palácio do Planalto.
“A grande decepção é que a gente não vê um programa de lado nenhum. É um falando dos podres do outro e, podre com podre, dá podre”, disse Dom Antônio Celso de Queirós, vice-presidente da instituição.
“Os eleitores devem pensar duas vezes antes de votar”, completou Dom Geraldo.
Sobre a maior crise vivida pelo PT desde que este assumiu o governo, a cúpula do órgão foi dura, mas ressaltou que o episódio não foi o primeiro nem o maior da República.
“Se na política brasileira tivessem desviado só isso, seríamos o país menos corrupto do mundo”, argumentou Dom Antônio.
Ele criticou o fato de apenas três dos 19 deputados federais acusados no escândalo terem sido cassados por seus pares.
A cartilha orienta os fiéis a escolher com cuidado seus representantes, mas enfatiza que a Igreja Católica não se interessa pela disputa política nem tem candidato preferido. Mesmo assim, o documento faz menções e críticas indiretas ao atual governo.
“O resultado das eleições de 2002 despertou grandes expectativas de transformação social. Aos poucos, o projeto de poder se sobrepõe à busca de um projeto de nações socialmente mais justa”, diz o documento.
A administração anterior, do PSDB, também não ficou de fora do puxão de orelha: “o processo de privatização, em especial no final da década de 1990, significou uma enorme transferência de patrimônio público para grupos de empresas ou de particulares. Não houve o devido cuidado para com a transparência nessas privatizações”.
Igrejas católicas do Sul de Minas Gerais estão alertando fiéis sobre o golpe do falso padre. Segundo vítimas ouvidas pela EPTV, o falsário tem mais de 30 anos, anda bem vestido e se apresenta como padre Geraldo.
Segundo uma das vítimas, que pediu anonimato, ele chegou em sua casa na cidade de Elói Mendes dizendo que ela havia sido sorteada para receber uma imagem trazida da Europa e que realizaria uma missa em sua casa. Disse ainda que precisava de R$ 360. Após ser convencida pelas palavras do golpista, acabou cedendo e deu o dinheiro. O caso aconteceu no final do ano passado.
Há poucos dias, uma senhora, que mora em Varginha, foi abordada pelo falso padre. Ela não deu dinheiro a ele, pois suspeitou dele que disse ser da igreja Matriz. O suposto padre Geraldo teria dito a ela que o bispo visitaria sua casa.
O que mais intriga às vítimas é que o falso padre chega às casas sabendo os nomes de todos que lá vivem.
A Polícia Civil informou que ainda não recebeu nenhuma queixa. Sem isso, os policiais não podem investigar o caso. O padre Luiz Furtado, de Varginha, ainda alerta os fiéis que não acreditem em ninguém que chegue em suas casas pedindo dinheiro em nome da igreja. Disse ainda que a Igreja Católica não realiza missas em residências.
Padre é condenado por abuso sexual no chile
Um padre católico foi condenado a 300 dias de prisão domiciliar, por abuso sexual contra uma aluna do Colégio María Auxiliadora, da cidade chilena de Porvenir.
A pena foi ditada pela Corte de Apelações de Punta Arenas, em votação dividida, e revogou uma sentença anterior de primeira instância, que havia absolvido o padre Antonio Larraín.
A Rádio Digital informou ainda que o tribunal manteve a rejeição a uma indenização que a família da menina pediu por danos causados à vítima, que na data dos acontecimentos, ano de 1999, tinha nove anos. A Corte determinou que devido ao tempo transcorrido, a ação civil estaria prescrita.
A maioria dos mexicanos que vive na região metropolitana da capital mexicana acredita que a religião não influi nas suas preferências eleitorais, constatou pesquisa realizada pela Escola Nacional de Antropologia e História (ENAH).
A pesquisa também revelou que 20% dos entrevistados entendem que a filiação religiosa poderia condicionar o voto.
Embora minoritária, essa porcentagem poderia definir os resultados eleitorais do próximo domingo, após a denúncia do Observatório Eclesial, em meados deste mês, indicando que alguns líderes e sacerdotes católicos estavam tratando de orientar o voto a favor do candidato de sua preferência.
As últimas pesquisas eleitorais projetaram uma diferença de votos muito estreita entre os dois candidatos mais fortes, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, da coalizão Pelo Bem de Todos, e Felipe Calderón, do Partido Ação Nacional (PAN), da situação.
A pesquisa da ENAH, similar àquelas realizadas pela escola nas eleições de 2000 e 2003, foi coordenada pelo professor Elio Masferrer e revelou que um terço dos consultados considera que os políticos são temerosos a Deus e se ajustam a certos valores éticos e religiosos.
Por outro lado, para a maioria dos consultados a orientação da igreja a favor de um ou outro candidato trata-se mais de uma pressão do que uma influência aberta. “As igrejas tendem a marcar agenda, isto é, pôr os seus temas na frente, como no caso da católica, no que diz respeito à vida e à rejeição de casamentos entre homossexuais”, disse Masferrer.
A separação entre Igreja e Estado não está muito clara para a maioria dos entrevistados, pois apenas 25% responderam com um “não” à pergunta se política deve estar mesclada com religião, enquanto um terço assegurou que levará em conta o comportamento do candidato em matéria religiosa na hora do voto.
Contrasta, em troca, a percepção de 49% dos consultados, que não concordam que políticos introduzam questões religiosas em suas mensagens, enquanto que 14% qualificaram de “hipócritas” os candidatos que utilizam a temática religiosa nas campanhas.
Masferrer declarou ao “La Reforma” que, segundo a sondagem realizada, 79% dos entrevistados praticam a religião católica, o que representa uma baixa de 8% em relação à pesquisa anterior. Não obstante, 82% manifestaram que batizariam seus filhos no catolicismo.
O líder dos 77 milhões de anglicanos do mundo, arcebispo Rowan Williams (foto), de Canterbury, disse que a comunidade anglicana talvez tenha de se dividir para pôr fim a um embate cada vez mais acirrado em torno da ordenação de bispos homossexuais.
Em uma manobra que, segundo analistas, acabará por excluir os norte-americanos da comunidade anglicana mundial, Williams propôs que as igrejas sejam instadas a assinar um pacto, permitindo que algumas tornem-se integrantes mais plenos da comunidade do que outras.
“As igrejas preparadas para assumir isso, como uma expressão de sua responsabilidade com as outras, estariam dispostas a limitar suas liberdades locais em nome de uma participação mais ampla. Outras podem não querer fazer isso”, disse em uma longa declaração divulgada por seu gabinete na terça-feira.
“Chegaríamos a um cenário em que haveria igrejas ‘constituintes’ da comunidade anglicana e outras ‘igrejas em associação’, ligadas por laços históricos e talvez pessoais, alimentadas a partir das muitas fontes comuns, mas sem se associar com uma comunhão sacramental única e irrestrita e sem dividir as mesmas estruturas constitucionais.”
Membros conservadores e liberais da comunidade anglicana enfrentam-se desde que, em 2003, foi ordenado bispo Gene Robinson. Robinson transformou-se no primeiro bispo abertamente homossexual dos 450 anos de história da Igreja.
Os anglicanos da África, em especial, condenaram a manobra, afirmando que a homossexualidade é proibida pela Bíblia e que era moralmente condenável.
A disputa aprofundou-se no começo deste mês, quando a Igreja Episcopal dos EUA escolheu uma bispa liberal para liderá-la. A mulher é a primeira representante do sexo feminino a comandar a Igreja Episcopal. A ordenação de mulheres como bispos foi aprovada pelos anglicanos 30 anos atrás.
Em meio a esforços para pacificar a comunidade anglicana, cada vez mais dividida, a Igreja Episcopal dos EUA aceitou, na semana passada, tentar evitar a ordenação de mais bispos homossexuais mas, segundo comentaristas, a manobra não seria suficiente para acalmar as desavenças.
Falta de estrutura
Em sua proposta, que, conforme ressaltou, não era nenhum tipo de decreto e que deveria ser debatida detalhadamente ao longo dos próximos anos, Williams disse que a Igreja tinha de mudar para sobreviver.
“O que falta para nossa comunidade é um conjunto de estruturas maduras e capazes de lidar com as divergências de opinião surgidas inevitavelmente em um mundo de comunicação global dinâmica e de grande variedade cultural”, afirmou.
“Os acordos tácitos existentes entre nós precisam ser traduzidos de forma clara –não para o bem de um mecanismo de controle central, mas a fim de garantir que continuemos falando a mesma língua.”
O Conselho Anglicano Americano, um grupo conservador dentro da Igreja Episcopal que se opôs à ordenação de Robinson, recebeu com satisfação a proposta de Williams, mas disse que medidas provisórias eram necessárias para impedir que paróquias saíssem da Igreja Episcopal antes de um plano ser adotado.
Algumas igrejas e dioceses pediram para ser colocadas sob o comando de bispos mais conservadores da África e da América Latina e, de acordo com o Conselho Anglicano, mais medidas do tipo podem surgir dentro em breve.
As desavenças dentro da comunidade anglicana dos EUA também ameaçam provocar batalhas jurídicas em torno de bens da Igreja.
“Tememos que dezenas de milhares de indivíduos abandonem o anglicanismo para sempre a menos que uma intervenção imediata e preventiva seja realizada”, afirmou o órgão em um comunicado.
“A situação da Igreja nos EUA está se deteriorando rapidamente e é fundamental agir agora a fim de evitar a ‘balcanização’ de toda a comunidade anglicana.”
Alguns comentaristas disseram que o plano de Williams representaria um “cisma”. O jornal The Times, da Grã-Bretanha, afirmou na quarta-feira que o plano acabaria tirando os norte-americanos da comunidade anglicana mundial e advertiu: “As repercussões dentro da Igreja norte-americana serão profundas”.