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Conferência para o cessar-fogo no Oriente Médio fracassa

Enquanto a batalha prosseguia, uma reunião dos Estados Unidos e países europeus e árabes em Roma fracassou em chegar a um acordo quanto a um plano para colocar um fim ao combate entre Israel e o Hezbollah, com os Estados Unidos resistindo aos pedidos para um cessar-fogo imediato.

Ataque de Israel ao LíbanoO conflito em duas frentes de Israel viu seu dia de combates mais pesados na quarta-feira, com a morte de nove soldados israelenses, dezenas de combatentes do Hezbollah e pelo menos 23 palestinos em Gaza. Enquanto a batalha prosseguia, uma reunião dos Estados Unidos e países europeus e árabes em Roma fracassou em chegar a um acordo quanto a um plano para colocar um fim ao combate entre Israel e o Hezbollah, com os Estados Unidos resistindo aos pedidos para um cessar-fogo imediato.

O Hezbollah manteve seu fogo sustentado contra o norte de Israel, com 130 foguetes atingindo a região, ferindo mais de 10 israelenses.

O número de mortos já é de pelo menos 433 no Líbano e 51 em Israel, segundo a agência de notícias “Reuters”.

Israel sofreu o maior número de baixas desde que o combate teve início em 12 de julho, depois que o Hezbollah capturou dois soldados israelenses durante uma incursão em território israelense. O combate terrestre mais intenso ocorreu em torno da cidade de Bint Jbail, uma fortaleza do Hezbollah no alto de uma colina, a poucos quilômetros da fronteira de Israel.

Na reunião em Roma, enquanto outros países pressionavam por um cessar-fogo imediato, os Estados Unidos defendiam um “cessar-fogo sustentável”, com o governo libanês recuperando a soberania sobre o sul do Líbano e o debandar de milícias como o Hezbollah.

A falta de ação levou o primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, a atacar com um grito de desespero. “O valor da vida humana no Líbano é menor do que o de cidadãos de outros lugares?” perguntou Siniora. “Somos filhos de um deus menor? Uma lágrima israelense vale mais do que um gota de sangue libanesa?”

Acusando Israel de “destruição bárbara”, ele prometeu buscar justiça, anunciando que o Líbano dará início aos procedimentos legais para indenizações de guerra.

Os governos europeus e árabes, assim como o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e o chefe de política externa da União Européia, Javier Solana, o apoiaram e pressionaram por um fim imediato das hostilidades ou mesmo uma trégua baseada em questões humanitárias, disseram vários participantes.

Mas em um debate tenso, às vezes tempestuoso, que durou quase uma hora, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, firmou o pé e prevaleceu.

Posteriormente, ela defendeu a recusa dos Estados Unidos em pedir um cessar-fogo imediato, dizendo: “Não fará bem a ninguém gerar falsas esperanças sobre algo que não vai acontecer. Não vai acontecer. Eu disse ao grupo: ‘Quando vamos aprender?’ Os campos do Oriente Médio estão repletos de cessar-fogos violados”. Ela disse que espera que a questão acabará sendo resolvida pelo Conselho de Segurança da ONU.

Em uma coletiva de imprensa após as negociações, o normalmente calmo Annan não fez nenhum esforço para controlar sua raiva em relação a Israel pelo que chamou de “ataque aparentemente deliberado” contra um posto de observação da ONU no sul do Líbano, na terça-feira. O ataque matou quatro observadores.

“O sr. Olmert acredita que foi um erro”, disse Annan, se referindo ao primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert. Apesar de pelo menos 10 telefonemas de pessoal da ONU para Israel alertando que suas posições estavam sendo atacadas, Annan acrescentou: “O bombardeio às posições da ONU começaram ao amanhecer e prosseguiram durante todo o dia”.

Ele prometeu uma investigação formal.

Rice e Annan discordaram em uma coletiva de imprensa sobre se a Síria e o Irã deveriam ser adicionados ao esforço para colocar um fim à violência. Annan pediu para trabalhar “com os países da região para encontrar uma solução”, citando o Irã e a Síria como participantes; Rice, por outro lado, disse estar preocupada com o papel do Irã e pediu para que a Síria cumpra suas responsabilidades, uma referência às resoluções anteriores da ONU.

Enquanto o mundo se concentrava na luta no Líbano, Israel prosseguiu atacando Gaza. A maioria dos mortos em Gaza na quarta-feira eram militantes, mas uma mãe e suas duas filhas pequenas morreram quando fogo de artilharia atingiu a casa delas, disse o Ministério da Saúde palestino. Uma terceira menina também foi morta e dezenas de palestinos ficaram feridos.

Em sua campanha, que teve início como um esforço para deter os ataques de foguete e que se intensificou depois que militantes palestinos capturaram um soldado israelense no mês passado, Israel atingiu casas nas áreas residenciais onde o país acredita que armas estão estocadas, causando mortes de civis em alguns casos.

Israel disse que despejou panfletos e até mesmo deu telefonemas para as famílias na área, alertando que deveriam partir porque os militantes estavam operando na área e que as forças armadas israelenses realizariam operações.

No sul do Líbano, a conversa inicial de Israel de quebrar as costas do Hezbollah aos poucos tem dado lugar a metas mais limitadas, já que as tropas terrestres israelenses estagnaram a apenas poucos quilômetros no seu avanço pelo país. A mais recente conversa é a de criação de uma zona tampão de apenas dois quilômetros país adentro, que Israel disse que poderia policiar do seu lado da fronteira.

“É possível criar uma zona tampão não necessariamente estando lá, mas entrando e saindo”, disse o general de divisão Benny Gantz, que está encarregado das forças terrestres israelenses.

Olmert informou um comitê parlamentar israelense na quarta-feira sobre os planos para a zona, segundo os participantes da sessão fechada.

Um alto oficial israelense que falou sobre o plano na terça-feira disse que tropas terrestres seriam usadas na zona. Mas Olmert sugeriu que Israel tentaria patrulhá-la de seu lado da fronteira com artilharia e ataques aéreos.

O plano já está sendo criticado, assim como o lento progresso militar por terra. Yuval Steinitz, um membro do comitê para defesa e relações exteriores que se reuniu com Olmert, descreveu o plano do governo como inadequado.

“Nós já temos tropas no Líbano, mas o governo está muito relutante em usar as forças terrestres em grande escala”, disse Steinitz, um membro do partido Likud de direita.

“Se quisermos conseguir algo com esta operação, então precisaremos realizar grandes operações terrestres e limpar todo o sul do Líbano”, ele disse.

Três dias atrás, oficiais militares israelenses na fronteira anunciaram confiantemente que primeiro a aldeia de Maroun al Ras, depois a cidade maior de Bint Jbail, tinham sido subjugadas. Mas novos combates surgiram na região, por volta do amanhecer de quarta-feira, e à tarde oficiais militares se mostravam mais circunspectos com seu progresso.

Na aldeia de Maroun al Ras, um soldado israelense foi morto e três outros ficaram feridos na quarta-feira, disseram as forças armadas israelenses. Os combatentes do Hezbollah dispararam um foguete antitanque que atingiu os soldados em um prédio, elas disseram.

Quando perguntado sobre o que as forças armadas israelenses conseguiram após duas semanas de combate, Gantz respondeu: “Eu sugeriria perguntar o que o Hezbollah conseguiu. Eles se diziam defensores do Líbano mas basicamente destruíram o país”.

Gantz, um homem grisalho e esguio que é famoso por ter sido o último israelense a deixar o sul do Líbano, depois da retirada há seis anos após uma presença de 18 anos no país, insistiu que o combate, apesar de longo, no final penderia a favor de Israel. Mas ele exibiu sinais de frustração com as pressões políticas que estão moldando o plano de batalha.

Quando perguntado se achava que a resposta de Israel à incursão inicial do Hezbollah foi desproporcional, como muitos críticos têm acusado, ele não mediu palavras. “Eu não acho que foi desproporcional”, ele disse. “Deveria ser muito mais forte e é o que faremos.”

Ele acrescentou: “Nós temos um longo caminho pela frente e muito a fazer”, apesar de não ter dito quantas aldeias precisariam ser expurgadas de combatentes do Hezbollah. Oficiais do exército israelense estão dizendo que provavelmente é irreal esperar que as forças armadas conseguirão eliminar o arsenal disseminado e bem escondido do Hezbollah, que supostamente continha mais de 10 mil mísseis quando o combate teve início.

Gantz reconheceu que seria difícil deter os foguetes que ameaçam o norte de Israel apenas com meios militares, notando que os lançadores são móveis e fáceis de esconder, podendo ser disparados de forma remota ou com temporizadores.

Outro oficial, que pediu para que seu nome não fosse citado por não estar autorizado a falar com a imprensa, notou que mesmo se Israel conseguir destruir 50 ou 60% destes foguetes, ainda restará o suficiente para manter o atual ritmo de cerca de 100 foguetes por dia por semanas.

“Tudo o que o Hezbollah precisa para vencer é não perder”, disse outro
oficial.

Enquanto isso, Israel respondeu às fortes críticas internacionais ao ataque aéreo que matou quatro observadores da ONU na terça-feira, na cidade de Khiyam, no sul do Líbano. Eles eram do Canadá, Finlândia, Áustria e China.

“Foi um erro trágico”, disse Gantz, acrescentando que não há motivo para Israel visar observadores internacionais. Outros oficiais israelenses negaram a sugestão de que Israel escolheu o posto como alvo, dizendo que tal ação não faria sentido em um momento em que o país está tentando obter uma força multinacional de manutenção da paz junto a uma comunidade internacional já relutante.

Em outro assunto que tem atraído críticas, o general reconheceu que Israel usou munições de fragmentação no conflito. As munições dispersam pequenas bombas por uma grande área e foram proibidas por alguns países devido ao alto número de vítimas civis que provocam.

O Human Rights Watch acusou Israel no início desta semana de usar munições de fragmentação contra a aldeia libanesa de Blida, em 19 de julho, matando uma mulher e ferindo pelo menos 12 outros civis, incluindo sete crianças. Mas Israel disse que as armas que usa são autorizadas pela lei internacional. “Nós tentamos minimizar seu uso”, disse Gantz. “Nós apenas as usamos em áreas específicas que foram isoladas até pelo próprio Hezbollah.”

Em outro desdobramento, aviões de carga militares jordanianos pousaram no aeroporto de Beirute carregados com ajuda humanitária. Os vôos chegaram um dia depois de Olmert ter dito a Rice que Israel autorizaria corredores de salvo conduto para que ajuda chegasse aos civis libaneses. Suprimentos de ajuda também começarão a chegar pelo mar aos portos de Beirute, Sidon e Tiro.

Um ataque aéreo israelense perto da fronteira síria atingiu um caminhão que transportava suprimentos médicos e alimentos vindos dos Emirados Árabes Unidos na quarta-feira, matando seu motorista sírio, informou a “Reuters”.

Nos combates em Gaza, blindados israelenses avançaram para os limites da Cidade de Gaza e entraram em choque com os militantes. Os israelenses derrubaram pomares e estufas na área para remover a cobertura usada pelos militantes para disparo de foguetes.

As forças armadas israelenses disseram que realizaram uma série de ataques e dispararam fogo de artilharia contra homens armados na área.

Os militantes palestinos dispararam pelo menos 13 foguetes contra o sul de Israel, ferindo levemente uma pessoa na cidade de Sderot.

Fonte: The News York Times

Bispo norte-americano exorta o congresso a ajudar o Oriente Médio

O porta-voz da Comissão dos Bispos dos Estados Unidos para a Política Internacional enviou uma carta a senadores e deputados, pedindo-lhes que ajudem a acabar com a escalada da violência no Oriente Médio.

“O terrível ciclo da violência no Oriente Médio está destruindo a vida de pessoas inocentes, em ambos os lados em conflito” _ afirmou o bispo de Orlando, Flórida, Dom Thomas Gerard Wenski, numa carta escrita nos dias passados.

O ciclo de violência “está ainda destruindo as esperanças de negociações e acertos que poderiam levar a uma paz justa, capaz de oferecer verdadeira segurança aos israelenses, um Estado aos palestinos e uma verdadeira independência ao povo libanês” _ acrescentou.

O bispo recordou que “a comunidade católica está profundamente preocupada com os custos humanos, as implicações morais e as conseqüências futuras dos atuais acontecimentos”.

“Esperamos e pedimos para que os senhores possam fazer tudo o que estiver a seu alcance, para acabar com este terrível ciclo de violência, e para proteger a vida e a dignidade dos israelenses, dos palestinos e dos libaneses.”

“Estamos prontos a colaborar com todos aqueles que lutam por uma paz justa e duradoura na terra dos três credos, que chamamos “santa”” _ concluiu.

Fonte: Radio Vaticano

Zapatero quer símbolos franquistas fora das igrejas espanholas

O governo espanhol está pensando em pedir à Igreja Católica, a eliminação dos símbolos ligados à ditadura do general Franco, que ainda podem ser vistos em muitas igrejas do país.

Trata-se de uma solicitação complementar ao projeto de lei de reconhecimento das vítimas da Guerra Civil Espanhola, que dividiu a Espanha de 1936 a 1939.

O pedido terá caráter de recomendação. O governo socialista solicitará às autoridades locais e regionais que façam o mesmo nas ruas, praças e monumentos espalhados por todo o país. Recordações que glorificam o golpe de Estado comandado pelo general Franco, há 70 anos, deverão desaparecer.

Em muitas igrejas espanholas sobrevivem ainda alguns símbolos franquistas como, por exemplo, listas com nomes de ex-combatentes com dizeres como: aos “caídos por Deus e pela Espanha”.

A petição dirigida à Conferência Episcopal Espanhola se enquadra no processo de recuperação da memória histórica estabelecida pelo governo socialista de José Luís Rodríguez Zapatero, primeiro-ministro espanhol.

O Partido Popular, principal força de oposição, é contra o projeto de lei e diz que a medida servirá apenas para reabrir velhas feridas.

Fonte: Radio Vaticano

Novela reabre debate sobre os limites do sexo na TV

Em apenas duas semanas de exibição, a novela Páginas da Vida produziu algumas das cenas mais impactantes da TV nos últimos tempos. Pesquisas patrocinadas pela ONG Midiativa, voltada às relações entre as crianças e a TV, mostraram que os pais gostariam que a TV os ajudasse a transmitir valores para os filhos.

Ao final do capítulo de sábado 15, foi ao ar o depoimento real de uma dona-de-casa de 68 anos, moradora do subúrbio carioca de Madureira, que descreveu seu primeiro orgasmo num linguajar espantoso. Ela disse que alcançou o prazer pela primeira vez aos 45 anos, numa noite embalada pela música O Côncavo e o Convexo, de Roberto Carlos.

O autor Manoel Carlos conta que aprovou o depoimento em meio a dezenas de outros, um mês antes da estréia do novo folhetim da Rede Globo, e só percebeu seu potencial de estrago ao revê-lo no ar, naquele sábado. “Quando vi, pensei: estou perdido”, diz o noveleiro, que se apressou em pedir desculpas publicamente. De fato, uma imensa parcela dos espectadores ficou chocada, e choveram reclamações na central de atendimento da Globo. A principal preocupação das pessoas era o fato de as crianças terem sido expostas a um tema espinhoso – e com tal mau gosto.

Diferentemente da TV paga, voltada para nichos de audiência, os canais abertos tendem a atingir a família toda. A maioria dos que se indignaram mencionou o constrangimento por estar na sala ao lado dos filhos ou de idosos quando a cena foi exibida. “Agora vamos precisar de bola de cristal para saber se o que passa na TV é adequado ou não para a família?”, criticou uma psicóloga e mãe. Para agravar a indignação, alguns dias antes o folhetim já havia atingido alta temperatura com um strip-tease da personagem de Ana Paula Arosio, que exibiu o corpo nu de frente e de costas.

Trinta anos atrás, a veiculação de cenas como as de Páginas da Vida poderia despertar reações moralistas. Seria vista como um atentado aos bons costumes. Hoje, a discussão é diferente. A questão-chave passou a ser a preocupação com a família, sobretudo as crianças. Psicólogos e educadores são quase unânimes em alertar para o fato de que a exposição dos jovens a temas como o sexo, a violência e as drogas deve ser acompanhada pelos pais e requer cuidados especiais dependendo da faixa etária. “Ao ser submetida repetidamente a certo tipo de imagem, a criança pode saltar etapas importantes de sua formação, desenvolvendo uma sexualidade prematura, por exemplo”, diz a psicóloga Magdalena Ramos, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Ao contrário do que se poderia supor, na faixa das 21 às 22 horas, quando Páginas da Vida vai ao ar, há mais crianças diante da TV do que em qualquer outro horário. No dia do depoimento escandaloso, o público infantil, pré-adolescente e adolescente representava 18% da audiência na Grande São Paulo, ou seja, cerca de 1,3 milhão de espectadores somente nessa região. As emissoras estão cientes desses dados de audiência. Elas devem, sim, assumir responsabilidade por aquilo que transmitem – ainda que o papel primário de educar os filhos caiba aos pais.

Pesquisas patrocinadas pela ONG Midiativa, voltada às relações entre as crianças e a TV, mostraram que os pais gostariam que a TV os ajudasse a transmitir valores para os filhos. Em muitos casos, eles já a vêem como uma aliada. Ao abordarem temas como o preconceito, por exemplo, as novelas desempenham há tempos um papel que é considerado relevante. “A TV dá a deixa para os pais discutirem com os filhos assuntos que são complicados”, diz Ana Helena Meirelles Reis, coordenadora das pesquisas, que ouviram quase 700 pais, crianças e adolescentes no Rio e em São Paulo.

Na própria Páginas da Vida existem exemplos positivos. “Há cenas que eu até gostaria que minha filha assistisse. Por exemplo, o núcleo que anunciaram que falará da exclusão por causa de problemas mentais. Coisas desse tipo me ajudam a incutir valores positivos nela”, diz a auxiliar administrativa gaúcha Luciane da Rocha Silva, mãe de uma garota de 9 anos. Os mesmos levantamentos, no entanto, mostraram que os pais têm dificuldade em lidar com as saias-justas criadas pela TV. “Uma coisa é colocar no ar um tema difícil de forma didática, capaz de gerar uma discussão saudável. Outra é abordá-lo de maneira grotesca”, afirma Ana Helena.

Uma das ferramentas que permitem aos pais prever o conteúdo dos programas exibidos pela televisão é a classificação indicativa por faixa etária e horário. Esse processo está passando por grande reforma no país. O Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça acaba de lançar um manual com novas diretrizes para que se cumpra essa tarefa. Ele deve ser regulamentado até o fim do ano. A classificação indicativa é vista com reservas na medida em que é associada à velha e autoritária censura do regime militar. Mas ela é uma forma em princípio civilizada de lidar com o assunto e é adotada na maioria dos países democráticos.

Nos Estados Unidos, o controle se dá por meio da auto-regulamentação do setor e segue um código rígido, baseado naquele que vigora no país também para o cinema. Se qualquer deslize passa por esse filtro das próprias emissoras, entra em cena uma comissão reguladora vinculada ao Congresso americano. Conteúdos obscenos, violência e uso de drogas são punidos com multas pesadas. Quando a cantora Janet Jackson deixou um de seus seios saltar para fora do vestido em pleno horário nobre, na transmissão da final do campeonato de futebol americano de 2004, a rede CBS teve de se desculpar às pressas. Como a comissão de vigilância endureceu seu controle a partir disso, as emissoras passaram a transmitir eventos ao vivo com segundos de atraso, para evitar qualquer deslize. Mesmo em países europeus como a Inglaterra, onde a programação de TV é bastante liberal, há horários protegidos para as crianças.

No Brasil, o departamento de classificação não tem o poder de impor regras às emissoras. Suas decisões sobre quais programas se adéquam a determinada faixa etária e de horário são apenas indicativas. Se a determinação é descumprida, no entanto, as redes entram na mira do Ministério Público, o que pode levar a punições. As multas a que estão sujeitas são leves para empresas desse porte, mas as emissoras correm também o risco de ser tiradas do ar.

Foi o que ocorreu no ano passado com a RedeTV!, que chegou a ficar um dia sem transmissões por descumprir uma decisão que a obrigava a se retratar em razão de um programa ofensivo aos gays. Em abril passado, a emissora se antecipou a uma nova punição ao passar o humorístico Pânico na TV das 18 para a faixa das 20 horas de domingo, acatando a reclassificação do departamento, que entendeu que o programa, até então considerado “livre”, tinha conteúdo erotizado inadequado para menores de 12 anos. O mesmo problema – o excesso de situações de sexo – colocou a novela das 7 da Globo, Cobras & Lagartos, na mira. Depois de ser notificada a esse respeito, no fim de abril, a cúpula da emissora recentemente determinou que o diretor Wolf Maya maneirasse nas tomadas.

O novo manual de classificação de programas foi elaborado, em tese, para restringir o arbítrio dos avaliadores do Ministério da Justiça. Ele propõe critérios objetivos para mensurar o nível de erotismo ou violência, entre outros fatores, de uma certa atração. Se um crime numa novela é precedido de tortura da vítima ou envolve uma criança, por exemplo, a obra poderá ter sua classificação aumentada. Se, pelo contrário, é seguido da condenação explícita da violência, a classificação pode ser reduzida. Ao explicitar essas regras, o manual procura tornar o julgamento dos programas menos subjetivo.

As emissoras criticam o excesso de detalhes a que desce o documento, pois temem que ele se torne uma camisa-de-força. Em seu primeiro teste, contudo, as novas diretrizes produziram um resultado bastante liberal: o ministério liberou o beijo entre dois jovens gays no programa Beija-Sapo, que a MTV pretende exibir em breve, para o horário das 19 horas. Embora a temática homossexual desperte rejeição em boa parte do público, entendeu-se que um beijo entre pessoas do mesmo sexo merece a mesma classificação “livre” que um entre um homem e uma mulher.
Depois da polêmica em torno de Páginas da Vida, a Globo anuncia que no segundo semestre lançará uma campanha de esclarecimento para os pais selecionarem o que os filhos vêem na TV. “Nossa liberdade criativa tem limites claros: não ferir a privacidade do espectador nem os valores da sociedade”, diz Octávio Florisbal, diretor-geral da rede. Apesar disso, a Globo não tem se revelado imune aos deslizes. No passado, exibiu baixarias como o famigerado “sushi erótico”, no programa Domingão do Faustão, para ficar num exemplo. O depoimento sobre orgasmo levou a um enquadramento imediato da novela das 8 nos filtros internos da emissora. Desde que o escândalo eclodiu, os testemunhos com personagens reais só vão ao ar depois de passar pelo crivo de Mário Lúcio Vaz, responsável pelo controle de qualidade e um dos principais nomes da cúpula da Globo. “Os artistas que criam as novelas são sempre mais liberais que a média da sociedade. Para manter nossa capacidade de inovar, é salutar estar sempre um passo à frente. Mas não um quilômetro”, diz Florisbal.

Fonte: Revista Veja – Edição 1966 de 26 de julho de 2006

Nota da redação: Alguns trechos desta matéria, que está na revista Veja desta semana, foram cortados, como, por exemplo, o depoimento da dona-de-casa de 68 anos, considerado chulo para ser publicado num site evangélico. Nosso objetivo ao colocar esta matéria é alertar aos pais, principalmente evangélicos, para o que os seus filhos estão assistindo.

Pesquisa com célula-tronco é “produto macabro”, diz Vaticano

O Vaticano fez um duro pronunciamento contra o acordo da União Européia sobre pesquisas com células-tronco, afirmando que “quando se trata de suprimir a vida, alguns logo se apresentam”, e que este tipo de pesquisa é “o macabro produto de um senso errôneo de progresso”.

“Algumas coisas não mudam. Os mesmos conceitos, as mesmas frases, os mesmos comportamentos. Assim, ao menos na Itália, quando se trata de suprimir a vida, há aqueles que sempre se apresentam”, afirmou o “L’Osservatore Romano”, jornal oficial do Vaticano, em sua edição de hoje.

Comentando o acordo ratificado pelos países da UE, que permitirá o financiamento com fundos europeus de projetos de pesquisa com células-tronco embrionárias nos países onde essas práticas sejam autorizadas, o jornal da Santa Sé afirmou que a situação remete à época em que foram aprovados o divórcio e o aborto na Itália.

A publicação afirmou que, nos tempos do divórcio, se afirmava que “isso daria início ao progresso”, ao tempo em que quando se discutia o aborto, se falava que traria “progresso à civilização”.

“Como se a sociedade pudesse progredir matando um ser vivo, ao qual não se reconhece nenhum direito”, acrescentou o jornal, que vem chamando os políticos, ironicamente, de “netos do progresso”.

A publicação assinala que a pesquisa com células-tronco vem sendo apresentada como a “entrada no espaço da pesquisa”, e que por isso, para ser um país moderno, “é preciso pesquisar com os embriões”. ‘O governo decidiu ficar ao lado da maioria no Conselho de ministros europeus, votando a favor da experimentação com células-tronco”, disse o jornal.

O “L’Osservatore Romano” cita as afirmações de vários deputados conservadores italianos, entre eles o ex-ministro Rocco Buttiglione, que classifica o acordo de Bruxelas como “hipócrita e inaceitável”. O ex-ministro considera que o acordo aprovado pela UE não financiará diretamente a destruição de embriões, mas a pesquisa sobre linhas embrionárias derivadas da destruição de embriões.

“Um laboratório privado poderia destruir os embriões para obter linhas de células para vender aos pesquisadores que se aproveitarem do financiamento europeu”, diz Buttiglione. Segundo o jornal da Santa Sé, trata-se de um “comércio macabro”.

As críticas do Vaticano foram respondidas imediatamente por políticos da coalizão governamental italiana, como o socialista Roberto Villetti, que acusa o Vaticano de tentar “frear qualquer idéia de progresso”. Villetti acrescentou que a posição do jornal lembra a dos tempos de Galileu.

O ministro italiano para a Pesquisa Científica, Fabio Mussi, afirmou que o Vaticano “ignora” as práticas correntes neste campo, e considerou o acordo de Bruxelas um “êxito”.

O presidente do Pontifício Conselho para a Vida, Elio Sgreccia, disse nesta terça-feira que o acordo aprovado pela UE é “inaceitável para a Igreja”.

Fonte: Folha Online

Padre chileno é condenado por abusar sexualmente de jovens

Um sacerdote católico foi considerado culpado por abusar sexualmente de dois adolescentes com problemas mentais que estavam sob sua responsabilidade em uma instituição de auxílio a pessoas carentes.

A decisão unânime foi adotada pelo tribunal da cidade de Rancagua, 88 km ao sul de Santiago, que condenou o religioso Jorge Galaz, 42, ex-diretor do Lar Pequeno Cottolengo.

Segundo a sentença, a violação foi cometida contra dois adolescentes com problemas mentais, que tinham 13 e 17 anos na época em que os crimes ocorreram.

A condenação do religioso será divulgada nos próximos dias. O Ministério Público pediu a pena máxima para este tipo de crime, ou seja, 15 anos de reclusão.

A defesa de Galaz alegou sua inocência até o último minuto, argumentando que não acreditava que houvesse ocorrido algum abuso, o que foi descartado pelo promotor Luis Toledo e pelo tribunal.

O caso chocou a cidade de Rancagua, mas a Igreja Católica preferiu aguardar o desenvolvimento do processo antes de se manifestar.

Durante o processo, o sacerdote alegou inocência. “Sou um homem de Deus, entregue de corpo alma. Jamais cometi nenhum crime dos quais me acusam. Não abusei de nenhuma criança”, declarou Galaz há cerca de um mês.

Fonte: Folha Online

Novo bispo metodista apóia decisão conciliar

“Estou feliz com a decisão do 18. Concílio Geral de retirar a filiação da Igreja Metodista dos organismos ecumênicos que tenham a presença da Igreja Católica e de grupos não-cristãos, pois ela responde às demandas de muitos pastores e igrejas locais no país”, sustentou o pastor da Igreja Central de Uberlândia, Adonias Pereira do Lago.

“Somos contra a participação dos metodistas em cultos macro-ecumênicos, com católicos e grupos não-cristãos”, disse Pereira do Lago, que foi eleito bispo no Concílio Geral reunido em Aracruz, Espírito Santo, de 10 a 16 de julho, e que é um dos impulsionadores do movimento de avivamento no interior da Igreja Metodista.

Para o novo bispo da 5a. Região Eclesiástica, que abrange o interior de São Paulo, Tocantins, Goiás, Mato Grosso, Brasília e Mato Grosso do Sul, a participação nesses cultos afastou muitos membros da Igreja Metodista. “Só na 4a. Região Eclesiástica (Minas Gerais e Espírito Santo) perdemos mais de dois mil membros nos últimos meses”, assinalou Pereira do Lago à ALC.

A não-participação em cultos ecumênicos não significa, segundo Pereira do Lago, que os metodistas não estejam dispostos a dialogar e cooperar com outras igrejas. “Na minha região não temos problemas em cooperar com outras igrejas em questões de defesa da vida, de cidadania, de ação social”, argumentou.

O bispo metodista não concorda com alianças espirituais e teológicas. “Entendo que Roma, e muito menos outras religiões, não estão dispostas a caminhar em nossa direção, nem para encontrar-nos no meio do caminho. Roma trata estrategicamente de levar os irmãos separados de volta ao seu redil”, disse Pereira do Lago ao sitio web Metodistas OnLine.

Radical em suas apreciações, o novo bispo não tem dúvida em assinalar que o bispo Adriel de Souza Maia e o pastor Western Clay Peixoto, ambos metodistas e atualmente presidente e secretário executivo do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), devem renunciar a seus cargos. Nos próximos dias, os metodistas terão de comunicar oficialmente a sua retirada do CONIC, organismo ecumênico que conta com a participação oficial de representantes da Igreja Católica.

Consultado se a Igreja Metodista reconsideraria também sua filiação no Conselho Mundial Metodista, que no último domingo, 23 de julho, aderiu à Declaração Conjunta sobre a Doutrina de Justificação pela Fé, Pereira do Lado respondeu: “Com certeza”.

O documento, que reconhece a importância da Doutrina da Justificação pela Fé, um dos pilares da Reforma Protestante, foi assinado pelo Vaticano e pela Federação Luterana Mundial no dia 31 de outubro de 1999, em Augsburgo, Alemanha. Com a assinatura desse documento ficaram revogadas as condenações mútuas entre católicos e protestantes do século XVI.

O bispo metodista disse que o Concílio deverá reunir-se nos próximos meses, pois ficaram pontos pendentes na agenda. Na ocasião, serão apontadas as medidas a tomar a respeito do Conselho Mundial Metodista e outras organizações ecumênicas.

Fonte: ALC

Morales acusa a Igreja Católica de atuar como a Inquisição

O presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou ontem a liderança da Igreja Católica de atuar como nos tempos da Inquisição por sua rejeição à educação laica no país, que é impulsionada por seu Governo.

“Estou muito preocupado com o comportamento de alguns hierarcas da Igreja Católica; atuam como nos tempos da Inquisição”, afirmou Morales a jornalistas ao sair do Palácio do Governo.

O governante pediu à hierarquia eclesiástica que respeite a liberdade de religião e as crenças nas escolas do país, como propõe um projeto de lei aprovado em um recente congresso educacional e que é impulsionado pelo Governo.

“Somos católicos, o catolicismo será respeitado, a religião como uma disciplina escolar será respeitada, mas também não é para que possam buscar certa ostentação de poder”, acrescentou Morales.

Esta é a primeira vez que o governante socialista lança duras críticas contra a Igreja Católica, com a qual seu ministro da Educação, Félix Patzi, mantém há várias semanas um confronto por impulsionar uma reforma educacional que elimina a supremacia do ensino católico nas escolas.

Com sua declaração, Morales apoiou as críticas que Patzi fez na véspera contra a hierarquia católica, a qual acusou de mentirosa e de propagar a versão de que a educação laica destruirá a Igreja.

Em um ato na cidade sulina de Tarija, onde entregou diplomas a pessoas alfabetizadas durante sua gestão, Patzi pediu ao clero que não minta sobre a reforma educacional e o acusou de estar ao lado da oligarquia e dos ricos “há 514 anos”, em alusão à conquista da América.

“Estão dizendo que vamos destruir a Igreja, suas crenças. Que mentira! Monsenhores, não mintam para o povo, dêem toda a verdade”, disse Patzi em seu discurso em Tarija.

No domingo passado, o cardeal boliviano Julio Terrazas chamou os fiéis católicos a defenderem sua religião e os criticou por terem uma atitude passiva frente ao projeto governamental.

A convocação ecoou nas associações de pais de família e nas escolas privadas da cidade de Santa Cruz, onde nas próximas horas será realizada uma marcha para defender o ensino da religião nas escolas.

Segundo o último censo de população, elaborado em 2001, 56% dos bolivianos professam habitualmente a fé católica; 36,4%, a religião protestante evangélica; e 6,83%, outro tipo de culto também de origem cristã.

No entanto, o estudo assinala que 77% dos cidadãos também declararam seguir a fé católica e 90% disseram que a professavam desde criança.

Fonte: EFE

Católicos, Luteranos e Metodistas fazem história no ecumenismo

O dia 23 de Julho fica na história do ecumenismo: o Conselho Metodista Mundial aderiu à Declaração conjunta católico-luterana sobre a Doutrina da Justificação, de 1999.

George H. Freeman, secretário-geral do Conselho Metodista Mundial, afirmou na ocasião que se estava a pisar “um novo território”, abrindo as portas para “o futuro das relações ecumênicas”.

O presidente do Conselho Pontifício para a promoção da unidade dos cristãos, Cardeal Walter Kasper, e o secretário-geral da Federação Luterana Mundial, Ismael Noko, marcaram presença no ato, que teve lugar na Coréia do Sul. Os seguidores de Wesley, reunidos na sua 19ª Conferência Mundial, assinalaram o momento com uma ovação de pé.

O Cardeal Kasper disse que esta assinatura representa “um dos maiores feitos do diálogo ecumênico” e citou Bento XVI para falar deste acordo entre as três Igrejas como “uma plena e visível unidade na fé”.

A Declaração conjunta é o resultado de décadas de diálogo e é, para o membro da Cúria Romana, “um dom de Deus”.

Samuel Kobia, secretário-geral do Conselho Ecumênico das Igrejas e pastor metodista, sublinhou que este acontecimento é “um passo gigante para superar as divisões entre os cristãos”.
O Conselho Metodista Mundial agrupa Igrejas metodistas de 132 países, com um total de 75 milhões de fiéis, aproximadamente.

A Declaração visa colocar um ponto final numa polêmica com vários séculos relativamente à “salvação”, conceito fundamental da fé cristã. No século XVI, a interpretação e aplicação contrastantes da mensagem bíblica da justificação constituíram uma das causas principais da divisão da Igreja ocidental, o que também se expressou em condenações doutrinais. O magistério da Igreja Católica, confirmado no Concílio de Trento, coloca duas condições à salvação humana: a graça divina e as boas obras. Lutero ensinava que só a graça divina era necessária.

Todas as partes confessam, agora que “somente por graça, na fé na obra salvífica de Cristo, e não por causa de nosso mérito, somos aceites por Deus e recebemos o Espírito Santo, que nos renova os corações e nos capacita e chama para boas obras”.

Fonte: Agencia Ecclesia

Deputados evangélicos envolvidos na máfia das ambulâncias

Pastor Ricardo GondimA revelação de que 19 deputados da bancada evangélica são suspeitos de envolvimento no esquema da venda de ambulâncias e equipamentos superfaturados para prefeituras, com recursos do orçamento da União, abalou a confiança em políticos crentes, eleitos para moralizar o país. “O Brasil descobriu que tem lobos vestidos de pastores”, escreveu o pastor Ricardo Gondim (foto), da Assembléia de Deus Betesda, de São Paulo

Ele, no síte que mantém na rede mundial de computadores (www.ricardogondim.com.br), criticou as mega “empresas-igrejas” que mercadejam esperança e defendeu uma “reforma ética entre os evangélicos”.

Os líderes evangélicos, destacou Gondim, “não podem permanecer de braços cruzados, corporativamente defendendo meliantes fantasiados de sacerdotes”. Dos 19 deputados evangélicos que respondem inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), dez estão ligados à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e cinco à Assembléia de Deus.

A máfia das ambulâncias, como passou a ser chamada pela imprensa, foi desbaratada, em maio, pela Polícia Federal através da Operação Sanguessuga. A máfia era chefiada pelo empresário Luiz Antonio Trevisan Vedoin e o pai dele, Darci José Vedoin, donos da empresa Planam, que contava com um braço de apoio no Ministério da Saúde, a ex-assessora Maria da Penha Lino.

A Planam mantinha, desde 2001, “lobby” no Congresso Nacional voltado à venda de ambulâncias para prefeituras, superfaturadas até 110% acima do preço do mercado, com recursos de emendas do orçamento da União. As emendas eram apresentadas pelos deputados, que recebiam de 10% a 15% do valor da emenda a título de propina. O nome dos deputados envolvidos na fraude só foi revelado na semana passada.

A Polícia Federal estima que em cinco anos de atividade a máfia das ambulâncias tenha desviado 110 milhões de reais (cerca de 50 milhões de dólares) dos cofres públicos. No momento, 57 deputados federais respondem inquérito no STF, mas o número de envolvidos na fraude pode chegar a 94, segundo o vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Sanguessugas, deputado Raul Jungmann.

O esquema de propina foi confirmado por Luiz Antônio Trevisan e Maria da Penha Lino em depoimentos à Justiça. Eles obtiveram o benefício da delação premiada – a redução da pena em troca de informações. A maioria dos deputados citados nos depoimentos é das bancadas do Rio de Janeiro e do Mato Grosso do Sul, onde a Planam tem sede. Maria da Penha Lino agilizava no Ministério o andamento dos processos.

E agora? – pergunta Gondim no seu comentário. “Depois que se ouviu tanto que a presença de políticos crentes no Congresso salgaria o Brasil, como se organizará a próxima ‘Marcha pela Salvação da Pátria?’” – é outra pergunta do pastor, que se manifestou indignado com a fraude. A bancada evangélica na Câmara federal, com 62 deputados, é a terceira maior em número de parlamentares.

Confira abaixo a íntegra do texto do pastor Ricardo Gondim:

Os sanguessugas evangélicos.
Ricardo Gondim

O Brasil descobriu que tem lobos vestidos de pastores; uma corja imunda. São os políticos evangélicos que gatunaram o Ministério da Saúde; testas-de-ferro de igrejas, apóstolos e bispos mentirosos que afirmavam haver necessidade de eleger crentes para o Congresso Nacional com um discurso de que almejavam os interesses do Reino de Deus.

Por favor, não insistam em me pedir que seja misericordioso com esses ratos alados: eles sugaram o sangue de brasileiros pobres. A única sugestão que tenho para eles é que cada um amarre uma corda no pescoço e se jogue de uma ponte para dentro de qualquer esgoto.

Por favor, não insistam comigo. Não serei compreensivo. Estou enfurecido. De nada me valerão argumentos de que esses políticos evangélicos podem ser escuma fétida, mas que pregam uma mensagem libertadora. Não tolero mais ouvir essa desculpa. Não acredito que a causa evangélica precise conviver com tanta ignomínia, desde que “salve almas”. Nenhuma “salvação” seria tão excelente que justifique essa indecência que veio à tona, mas que há tempos corre frouxa nos porões das mega “empresas-igrejas” que mercadejam esperanças.

Por favor, não insistam em me dizer que esses políticos foram inocentes úteis, ludibriados por máfias poderosas. Ora, ora, qual o grande discurso triunfalista evangélico, repetido até cansar? “Somos cabeça e não cauda!”. E agora? Depois que se ouviu tanto que a presença de políticos crentes no Congresso salgaria o Brasil, como se organizará a próxima “Marcha pela Salvação da Pátria?”.

Por favor, não insistam em me dizer que os ladrões são poucos, e que não representam o perfil evangélico. A bancada evangélica foi a maior desse escândalo das ambulâncias superfaturadas. Os crentes lideraram essa gigante maracutaia.

Se alguma igreja, que elegeu um desses congressistas, tivesse um mínimo de brio humano (nem precisaria ser brio cristão), deveria retirar do ar seu programa de televisão; pedir um tempo; expulsar seus políticos; prometer que jamais tentará eleger alguém; e fazer uma Reforma em sua teologia. Porém, sabe-se que isso jamais acontecerá, o que eles menos têm é vergonha na cara.

Por favor, não insistam em me pedir que algum dia me sente em qualquer evento, simpósio ou conferência na companhia dessas igrejas, ou que argumente sobre suas teologias e mentalidades. A Bíblia me proíbe de sentar na roda dos escarnecedores. Não devo considera-los irmãos; esses pastores, bispos e apóstolos devem ser encarados como escroques, que merecem mofar na cadeia o resto da vida.

Por favor, não insistam que eu me cale diante de engravatados de Bíblia na mão, quando sei que eles tentam esconder sua condição de sepulcros caiados. Neles, cabe a carapuça de raça de víboras; mataram velhinhos, condenaram crianças e acabaram com os sonhos de muitas mães. Igrejas que se beneficiaram do esquema de roubo do orçamento da saúde merecem ser sepultadas numa vala comum, e tratadas com o mesmo desprezo que tratamos as empresas de fachada do narcotráfico.

Por favor, me acompanhe em minha indignação. Os líderes evangélicos não podem permanecer de braços cruzados, corporativamente defendendo meliantes fantasiados de sacerdotes.

Por favor, não esperemos que um próximo escândalo nos acorde de nossa complacência.

Há necessidade de uma reforma ética entre os evangélicos.

E ela tem que ser urgente.

Soli Deo Gloria.

Fonte: ALC e Site oficial do pastor Ricardo Gondim (www.ricardogondim.com.br)

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