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Jimmy Swaggart, famoso televangelista, está internado em estado grave após infartar

Televangelista Jimmy Swaggart. (Foto: Jimmy Swaggart/Facebook/Divulgação)
Televangelista Jimmy Swaggart. (Foto: Jimmy Swaggart/Facebook/Divulgação)

O evangelista americano Jimmy Swaggart, de 90 anos, está internado em estado grave após sofrer uma parada cardíaca na manhã do último domingo, 15 de junho. Ele foi encontrado desacordado em casa por volta das 8h e levado às pressas para um hospital da região. Após ser reanimado, foi encaminhado à UTI, onde permanece sob cuidados intensivos.

A família informou que o quadro de saúde é delicado e que apenas uma intervenção divina poderá reverter a situação. A comoção entre fiéis e admiradores do pregador pentecostal se espalhou pelas redes sociais e igrejas, principalmente nos Estados Unidos e no Brasil, onde seu ministério tem milhares de seguidores.

Swaggart é um dos maiores nomes do evangelismo midiático do século XX. Seu rosto se tornou familiar aos brasileiros nas manhãs de domingo, quando seus cultos, transmitidos pela televisão, reuniam multidões diante da tela. Na década de 1980, ele esteve em solo brasileiro diversas vezes, liderando cruzadas evangelísticas em grandes estádios e auditórios.

Durante anos, seu estilo apaixonado de pregação, sua música gospel tradicional e sua presença marcante nos meios de comunicação definiram o modelo de muitos ministérios televisivos que surgiram depois. Mesmo após escândalos que abalaram sua imagem no final dos anos 80, Swaggart manteve o controle de seu ministério e permaneceu ativo por décadas, à frente da igreja Family Worship Center e da emissora cristã SonLife Broadcasting Network.

Nos últimos tempos, sua saúde vinha inspirando cuidados e as aparições públicas tornaram-se mais esporádicas. Ainda assim, seguia exercendo influência por meio da televisão e da internet, pregando ocasionalmente e dirigindo cultos que alcançavam um público fiel em diversos países.

A internação do evangelista despertou uma onda de intercessão. Igrejas em todo o mundo têm se mobilizado em oração, pedindo pela recuperação de um líder cuja trajetória impactou incontáveis vidas. Jimmy Swaggart representa um capítulo importante da história da evangelização moderna, especialmente entre os pentecostais.

Com o silêncio oficial da equipe médica, as próximas horas são consideradas decisivas. A expectativa agora gira em torno da resposta do organismo do pregador aos procedimentos adotados. Enquanto isso, o mundo evangélico permanece em vigília.

Quem é Jimmy Swaggart 

Além de ser pastor sênior da Igreja Centro de Adoração Familiar, Swaggart também lidera a Sonlife Broadcasting Network , que fundou em 2007.

O televangelista, que atua no ministério desde 1955 , escreveu mais de 60 livros, comentários, guias de estudo e a Bíblia de Estudo do Expositor. Ele também é um músico e cantor premiado que vendeu quase 17 milhões de discos em todo o mundo e gravou cerca de 60 álbuns gospel.

Contudo, seu ministério não foi isento de desafios.

Em 11 de outubro de 1991, Jimmy Swaggart foi parado enquanto dirigia na Califórnia e as autoridades o flagraram com uma prostituta. A descoberta ocorreu três anos depois de ele ter sido flagrado tendo um caso com uma prostituta em Nova Orleans, o que o levou a ser destituído do sacerdócio pelas Assembleias de Deus.

Swaggart foi citado por dirigir um veículo não registrado, dirigir no lado errado da rua e não usar cinto de segurança quando foi pego com Rosemary Garcia, de Coachella Valley.

Folha Gospel com informações de The Christian Post e Comunhão

Israel x Irã: seria apenas mais uma guerra ou cumprimento de profecia?

Destruição em Israel após ser atingido por míssel lançado pelo Irã. (Foto: Reprodução/X/@Israel)
Destruição em Israel após ser atingido por míssel lançado pelo Irã. (Foto: Reprodução/X/@Israel)

Os ataques aéreos realizados por Israel contra alvos estratégicos no Irã, incluindo instalações ligadas ao desenvolvimento nuclear, trouxeram novamente à tona o antigo vínculo entre geopolítica no Oriente Médio e escatologia bíblica. Para muitos cristãos que acompanham esses eventos com um olhar profético, os conflitos atuais não são apenas desdobramentos políticos e militares, mas partes de um enredo previsto nas Escrituras Sagradas.

“Eu costumo falar sobre esse assunto citando a profecia de Jesus em Mateus 24, versos 32 a 34”, afirma o pastor, psicanalista e sociólogo Elmir Dell’Antonio. “Quando vocês virem a figueira florescer, saibam que o verão está próximo. A figueira representa Israel, e ela floresceu quando o Estado foi instituído oficialmente pela ONU em 14 de maio de 1948. Desde então, Israel se tornou um termômetro espiritual do mundo”.

Para Elmir, os desdobramentos recentes se encaixam nesse panorama. “O Irã é o maior inimigo declarado de Israel há décadas. Os líderes iranianos afirmam que é preciso ‘riscar Israel do mapa’. Quando Israel soube que, em poucas semanas, o Irã poderia ter ao menos nove armas nucleares, decidiu agir preventivamente para atrasar esse projeto”.

A leitura profética, no entanto, divide opiniões entre estudiosos e teólogos. O psicólogo Ageu Heringer Lisboa lembra que desde 1948, com a criação do Estado de Israel, discursos escatológicos se multiplicaram, muitas vezes de forma precipitada.

“Quantos falsos alarmes escatológicos já tivemos? A corrida armamentista e a guerra de informações se intensificaram e o risco de manipulação cresce junto. Hoje, com as mídias digitais, tudo vira argumento para induzir apoio incondicional a um lado e demonizar o outro. É preciso humildade. Não somos donos da verdade”.

Inimigo histórico

Segundo a tradição profética, o Irã, identificado na Bíblia como a antiga Pérsia, aparece no livro de Ezequiel (capítulos 38 e 39) como aliado de uma coalizão que se levantará contra Israel nos últimos dias. “Essas passagens falam de Gogue, da terra de Magogue, e da Pérsia como parte de uma grande coalizão do norte. Isso sempre chamou atenção dos estudiosos quando olham para os movimentos geopolíticos atuais”, explica Elmir.

Para ele, os ataques israelenses de agora estão entre as maiores investidas contra um inimigo histórico nos últimos tempos e não podem ser ignorados como sinais dos tempos. “A Bíblia é clara ao dizer que, nos últimos dias, Israel será cercada e ficará sem apoio das nações”.

Momento exige prudência e não sensacionalismo

Victor Vieira, pastor, teólogo e escritor, faz um contraponto. “Reduzir a guerra a fatores econômicos ou políticos é ingênuo, mas espiritualizá-la de maneira acrítica também é perigoso. Há quem use a fé para justificar o injustificável.” Ele critica o uso de narrativas religiosas para legitimar ações militares tanto do lado israelense quanto do iraniano.

“O Islã xiita do Irã convoca seus seguidores à jihad e ao fim de Israel com base em uma escatologia apocalíptica. Israel, por sua vez, recorre a textos bíblicos para justificar bombardeios. O mundo ocidental cristão, muitas vezes, entra nessa lógica, torcendo pela guerra como se isso fosse sinal da volta de Cristo”.

Ele alerta que esse tipo de postura distorce a essência do evangelho. “A espiritualização da guerra demoniza o outro, um ser humano feito à imagem de Deus. Quando achamos que Deus está automaticamente do nosso lado, matar vira um ato sagrado. Jesus chorou sobre Jerusalém, não celebrou sua destruição. Efésios 2 nos lembra que, em Cristo, judeus e gentios são reconciliados. A guerra não é motivo para comemoração”.

Vieira acrescenta que a leitura escatológica dos eventos atuais precisa ser feita com discernimento e responsabilidade pastoral. “A leitura de eventos atuais à luz das profecias é antiga e recorrente, chamamos isso de ‘exegese de jornal’.

O problema é quando se interpreta o noticiário sem considerar o caráter de Cristo e os princípios do Reino. Essa abordagem transforma a profecia em ferramenta ideológica: promove medo, justifica violência e fomenta divisões. O chamado escatológico do Novo Testamento não é para especular, mas para vigiar, arrepender-se, esperar e buscar reconciliação”.

A Bíblia é a maior autoridade sobre escatologia

Para Ageu Lisboa, a Igreja precisa resistir à tentação de se posicionar como autoridade incontestável em temas tão complexos. “Pastores, pregadores, jornalistas, todos devem reconhecer que sabem pouco sobre esse jogo geopolítico. Caso contrário, correm o risco de se tornarem cúmplices de injustiças”.

Ele cita Apocalipse 5 para lembrar o verdadeiro centro da fé cristã. “O Cordeiro venceu, não com espada, mas com o próprio sangue. O Reino de Deus não se impõe com tanques ou drones, mas pela cruz. Que o Senhor quebre o arco e a lança e transforme armas em arados”.

O Novo Testamento, especialmente em Mateus 24, também adverte que guerras e rumores de guerras seriam sinais do tempo, mas alerta contra conclusões apressadas. “Ninguém sabe o dia nem a hora”, disse Jesus. O que se espera dos cristãos é perseverança, oração e esperança.

“A fé não deve ser usada como ferramenta de poder ou instrumento de ódio, mas como força para amar e interceder por todos os que sofrem”, afirma Victor Vieira. “Hoje, civis israelenses, iranianos e palestinos estão pagando com a vida por conflitos que líderes justificam como sagrados”, complementa.

Diante de uma realidade marcada por polarizações, armamentos e discursos religiosos inflamados, permanece o chamado do evangelho: vigiar, interceder e manter os olhos fixos não nos conflitos, mas no Príncipe da Paz. A guerra em curso pode não ser a de Gogue e Magogue, como alerta Ageu, mas expõe outra batalha: a que ocorre no coração de cada cristão entre o desejo de vingança e o compromisso com o amor que perdoa.

Fonte: Comunhão

Mais de 17 mil igrejas brasileiras oram por cristãos perseguidos no DIP 2025

Igreja Evangélica Sem Fronteiras em Pacatuba, no Ceará, no DIP 2025 - Foto: Divulgação
Igreja Evangélica Sem Fronteiras em Pacatuba, no Ceará, no DIP 2025 - Foto: Divulgação

Mais de 17 mil igrejas em todo o Brasil participaram do Dia da Igreja Perseguida (DIP) 2025, no último domingo (15), mobilizando cerca de 1,7 milhão de fiéis em oração pelos cristãos que enfrentam perseguição ao redor do mundo. A edição deste ano, promovida pela Portas Abertas, teve como tema “Forçados a fugir: cristãos deslocados por causa da violência pedem socorro”, com foco em nesses seguidores de Jesus vulneráveis à violência religiosa.

O DIP ocorreu simultaneamente em igrejas nos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal, como também em mais de 1.700 igrejas em outros países da América Latina. Ao todo, os participantes foram incentivados a conhecer histórias de fé e resistência dos mais de 183 mil cristãos deslocados devido à fé em 61 países, como, por exemplo, Nigéria, Mianmar, Burkina Faso, República Democrática do Congo e Índia.

“Com alegria e gratidão, celebramos esse movimento de união em oração. Igrejas livres se levantam em clamor por irmãos que compartilham da nossa fé, mas não da nossa liberdade de culto”, afirmou Marco Cruz, secretário-geral da Portas Abertas. “Agradecemos a todos os pastores, irmãos e igrejas participantes. Juntos, somos um só corpo.”

São Paulo se mobiliza

Em São Paulo, a Igreja Cristã Evangélica Jardim Clarice já realiza o DIP há mais de dez anos. Nesta edição, uniu-se a outras igrejas da mesma denominação para interceder pelos cristãos perseguidos. Durante o culto, os participantes receberam cards de oração com histórias reais e motivos de intercessão, o que impactou diretamente os presentes.

“Estamos sempre orando pela Igreja Perseguida, mas foi impactante ter um dia específico para isso”, relatou Silvio Luccas, da Igreja Cristã Evangélica do Jardim Peri. Ele ficou especialmente tocado pela história de Deborah, uma jovem cristã deslocada, e refletiu sobre a necessidade de maior envolvimento em oração.

Claudio Santana, da Igreja Cristã Evangélica do Jabaquara, também participou do DIP no Jardim Clarice. Ele destacou a coragem dos cristãos perseguidos e criticou a zona de conforto de muitas igrejas livres. “Como podemos praticar o DIP não só em um dia, mas o ano todo?”, questionou.

De Pernambuco, o mesmo clamor

Em Recife, o pastor Francisco Sabino Júnior, da Igreja Batista Missionária Palavra Viva, descreveu o DIP como um chamado ao despertamento espiritual. “Foi um momento de conscientização sobre a missão global da igreja. Os testemunhos nos tiraram do conforto e nos fizeram ver que fazemos parte de uma família maior.”

Sabino destacou o relato de um jovem impedido de congregar devido à perseguição, mas que permanece firme em sua fé. “Ele é prova de que a graça do Espírito Santo sustenta os que são perseguidos. Precisamos perseverar sabendo que nosso trabalho no Senhor não é em vão.”

Para Rosilene Maria, organizadora do DIP 2025 na Igreja Batista Missionária Palavra Viva, o que mais chamou atenção foi o engajamento coletivo da comunidade local em oração e apoio aos cristãos perseguidos ao redor do mundo. “Foi um momento de fortalecimento espiritual e comunhão verdadeira”, destacou.

Ela também ressaltou a importância dos recursos fornecidos pela Portas Abertas, que possibilitaram à igreja conhecer de forma mais profunda a realidade enfrentada por crianças e adultos em países hostis ao cristianismo.

“Graças à Portas Abertas, tivemos acesso a materiais ricos, com vídeos e conteúdos específicos que ajudaram toda a igreja a compreender, se envolver e orar de forma mais intencional”, comentou, acrescentando que “a fé em Cristo é o que fortalece a igreja do Senhor, mesmo em tempos de perseguição”.

Ceará e Minas Gerais

Desde 2009, a Igreja Evangélica Sem Fronteiras, em Pacatuba (CE), tem promovido o Domingo da Igreja Perseguida (DIP) sob a liderança de Ester Paixão. Ao longo dos anos, o evento tem ganhado adesão crescente da comunidade local. “Fazemos o DIP há muitos anos, e a cada edição mais irmãos se envolvem e contribuem. Tem sido uma grande bênção para nossa igreja”, afirma Ester.

O impacto do evento também é sentido por participantes como Alef Marreiro, que esteve presente em uma das edições no Ceará. Para ele, o DIP foi uma experiência de profunda empatia e conexão espiritual. “Foi um momento marcante, em que nos conectamos com a realidade difícil de outros cristãos que também fazem parte do corpo de Cristo. O que mais me impactou foi ouvir um pai dizendo que seus filhos estavam com fome e ele não tinha o que fazer. Senti a dor daquele homem e orei para que Deus o sustentasse”, relata.

Em Minas Gerais, a mobilização também tem ganhado força. Em Patrocínio, a Igreja Presbiteriana do Bairro Constantino realiza o DIP pelo quarto ano consecutivo, com a organização de Edilene Araújo. A ação envolve diversos ministérios da igreja, como o infantil, que trabalhou com cartões de oração e produziu um vídeo com as crianças e juniores intercedendo pelos cristãos deslocados. A Sociedade Auxiliadora Feminina (SAF) também aderiu à programação, organizando um relógio de oração com intercessoras durante todo o dia.

Além disso, os pastores da congregação direcionaram suas mensagens e o culto especialmente em favor da Igreja Perseguida. “Louva­mos a Deus pelo apoio da nossa igreja a essa causa tão urgente”, destaca Edilene.

Fonte: Comunhão com informações de Portas Abertas

Cerca de 200 cristãos mortos por extremistas na Nigéria

Cristãos enlutados após um ataque na Nigéria. (Foto: International Christian Concern)
Cristãos enlutados após um ataque na Nigéria. (Foto: International Christian Concern)

Em uma crescente onda de violência, entre 100 e 200 pessoas, a maioria cristãos, foram mortos por jihadistas Fulani no estado de Benue, na Nigéria, conforme relatado por diversas fontes.

Jihadistas fortemente armados invadiram Yelwata, uma comunidade agrícola no município de Guma, entre sexta-feira (13) e sábado (14). Eles incendiaram casas e massacraram os moradores, em sua maioria cristãos.

Situada a menos de oito quilômetros ao norte da capital do estado, Makurdi, Yelwata é uma vila agrícola com 97% de católicos e 3% de pessoas de outras denominações.

A comunidade também acolhe pessoas deslocadas internamente (IDPs) que fugiram de ataques anteriores de jihadistas Fulani em cidades vizinhas.

Duas horas de ataque

Segundo Tersoo Kula, porta-voz do gabinete do governador do estado, o ataque a Yelwata durou aproximadamente duas horas e resultou na destruição de várias casas por incêndios.

Ele acrescentou que autoridades governamentais e policiais que visitaram a vila confirmaram um número menor de vítimas, estimado em 45 mortos.

No entanto, a Anistia Internacional afirmou que pelo menos 100 pessoas foram mortas, enquanto a Truth Nigeria – uma organização de mídia online registrada nos EUA que documenta a perseguição de cristãos na Nigéria – estima que o número de vítimas seja superior a 200.

Padre Moses Aondover Iorapuu, Vigário Geral Pastoral, Diretor de Comunicações e Pároco da Paróquia do Espírito Santo em Makurdi, também confirmou o número mais alto de vítimas.

“O recente ataque a Yelewata, no estado de Benue, que deixou mais de 200 mortos ou queimados irreconhecíveis, é um lembrete sombrio das lutas diárias enfrentadas por muitos cidadãos de Benue”, declarou.

“Esta tragédia ocorreu em 13 de junho de 2025, um dia após o presidente Bola Tinubu renovar seu compromisso com a transformação da Nigéria e a proteção das vidas e propriedades de seus cidadãos. O contraste gritante entre as palavras e a realidade é chocante”, escreve Iorapuu no jornal Catholic Star.

Número de vítimas pode aumentar

“Muitas pessoas ainda estão desaparecidas, além de dezenas de feridos e sem atendimento médico adequado. Muitas famílias foram trancadas e queimadas dentro de seus quartos. Muitos corpos foram queimados até ficarem irreconhecíveis”, disse a Anistia Internacional no X.

Ele disse que os homens armados estão “em uma onda de assassinatos com total impunidade”.

Em declarações ao Crux, Iorapuu classificou o ataque como “bárbaro” e demonstrou frustração com a inação das forças de segurança.

“Esses agressores são animais e bárbaros. Algumas das vítimas já foram deslocadas em ataques anteriores desses grupos malignos”, disse ele.

“O mais preocupante é que alguns militares estavam nas proximidades e até mesmo os policiais que estavam entre eles e a casa da missão só conseguiram impedi-los de ter acesso à casa da missão, onde a maioria dos deslocados estava alojada”, acrescentou o padre.

Comunidades cristãs

O ataque de sexta-feira se soma à crescente onda de agressões de pastores jihadistas Fulani contra comunidades cristãs.

No mês passado, homens armados, supostamente pastores, mataram pelo menos 20 pessoas na região de Gwer West, em Benue. Já em abril, ao menos 40 pessoas perderam a vida no estado vizinho de Plateau.

Iorapuu afirmou ao Crux que cada ataque altera a demografia cristã na Nigéria.

Ele acrescentou que, seguindo seu histórico de inação, o governo nigeriano falhou novamente em agir, apesar dos alertas de que os ataques provavelmente se intensificariam após o testemunho do bispo Wilfred Anagbe nos EUA.

Em 14 de fevereiro de 2024, o bispo de Makurdi falou perante os legisladores americanos, afirmando que os cristãos na Nigéria estavam sendo vítimas de genocídio e pedindo à comunidade internacional que intervisse.

Tragicamente, seu depoimento levou a um aumento da violência em sua cidade natal, com jihadistas chegando a ameaçar sua vida.

“Esperávamos que os ataques se intensificassem após o testemunho do bispo Wilfred Anagbe nos EUA sobre a Igreja perseguida, mas acreditávamos que o aviso dos EUA faria o governo ser proativo; erramos novamente”, disse Iorapuu ao Crux.

“Desta vez, mais de 200 cristãos foram mortos e queimados. São vidas humanas desperdiçadas; não são números que possam ser contabilizados”, disse ele.

Afirmando que “estes são jihadistas”, Iorapuu observou que a identidade dos agressores é conhecida, citando o presidente da área de governo local de Guma.

Inação do governo

O presidente declarou na televisão que “estes são fulanis” e instruiu que não fossem mais chamados de “suspeitos pastores ou bandidos”.

“As evidências confiáveis ​​de quem eles são são inegáveis, então por que o governo é incapaz de garantir a segurança de seus cidadãos?”, perguntou Iorapuu.

Emeka Umeagbalasi, diretor da Sociedade Internacional para as Liberdades Civis e o Estado de Direito (Intersociety), sugeriu que a inação do governo é resultado de um plano deliberado.

“Há uma agenda para islamizar a Nigéria”, disse ele ao Crux.

Ele afirmou que essa agenda se tornou mais evidente durante a presidência de Muhammadu Buhari, que liderou a Nigéria de 29 de maio de 2015 a 29 de maio de 2023.

Segundo ele, Buhari – filho de um chefe fulani – não apenas forneceu armas a esse grupo, mas também colocou seus irmãos muçulmanos em cargos importantes de sua administração, enquanto relegava os cristãos a uma posição secundária.

Além disso, Umeagbalasi afirmou que o ex-presidente se esforçou para “islamizar” as agências de segurança, destacando que o último mandato de Buhari resultou em um aumento no acesso dos jihadistas Fulani aos arsenais do estado.

“Temos um exército jihadista”, disse ele.

Fonte: Guia-me

Leis de blasfêmia são usadas indevidamente para confiscar propriedades de minorias religiosas no Paquistão

Bandeira do Paquistão (Imagem: Canva Pro)
Bandeira do Paquistão (Imagem: Canva Pro)

As leis de blasfêmia do Paquistão estão sendo sistematicamente utilizadas para atingir minorias religiosas, desapropriar os pobres e resolver disputas pessoais e econômicas, de acordo com um novo relatório da Human Rights Watch (HRW).

Acusações de blasfêmia são cada vez mais utilizadas como arma para incitar a violência das multidões, deslocar comunidades vulneráveis ​​e confiscar suas propriedades impunemente, afirma o relatório de 29 páginas, “Uma conspiração para se apropriar da terra: explorando as leis de blasfêmia do Paquistão para chantagem e lucro”, publicado em 9 de junho.

“A incapacidade de processar os responsáveis ​​por incitação e ataques no passado encorajou aqueles que usam essas leis para extorquir e chantagear em nome da religião”, disse Patricia Gossman, diretora associada da HRW na Ásia.

O governo paquistanês deve reformar urgentemente suas leis sobre blasfêmia para evitar que elas sejam usadas como armas, disse ela.

Pesquisadores da HRW entrevistaram 14 pessoas acusadas de blasfêmia, bem como advogados, juízes, promotores, defensores dos direitos humanos e jornalistas em Lahore, Gujranwala, Kasur e Sheikhupura, na província de Punjab e na capital federal Islamabad, entre maio de 2024 e janeiro.

Uma esteticista cristã de 52 anos, de Lahore, contou à HRW que, em julho de 2019, decidiu largar o emprego em um salão local e abrir seu próprio negócio. Ela juntou todas as economias de uma vida e obteve empréstimos de conhecidos para abrir seu próprio salão. Seu antigo empregador tentou dissuadi-la oferecendo um aumento. Quando a mulher recusou, o antigo empregador a ameaçou, dizendo que “as consequências disso não serão boas para você”.

Em novembro de 2019, uma multidão liderada por um clérigo local invadiu o salão da cristã, espancou-a e a seus funcionários, saqueou e vandalizou o local. Alegaram que ela havia profanado o Alcorão e que um menino da vizinhança havia encontrado páginas do Alcorão no lixo. A mulher disse à HRW que a alegação era falsa.

“Eu respeito todas as religiões e nem sequer tinha um exemplar da Bíblia no salão”, disse ela. “Por que eu teria um exemplar do Alcorão? Eu teria que ser completamente louca e suicida para sequer pensar em desrespeitá-lo.”

Outro cristão que dirige uma escola particular com alunos muçulmanos e cristãos em um bairro de baixa renda de Lahore disse à HRW que em fevereiro de 2021 recebeu uma ligação de um pai furioso alegando comentários “blasfemos” de um professor.

O cristão de 43 anos disse que se ofereceu para conhecer o pai e também pediu uma explicação ao professor. O professor negou ter feito qualquer comentário blasfemo. Poucos dias depois, um grupo de pessoas ligadas a uma organização muçulmana local ameaçou “incendiar a escola” se um pedido de desculpas não fosse apresentado.

“O professor pediu demissão, mas isso não foi suficiente para apaziguar o grupo religioso”, disse o cristão. “Logo ficou claro para mim que não se tratava de nenhum comentário ou ‘blasfêmia’.”

Disseram-lhe para doar 200.000 rúpias (US$ 800) para uma instituição de caridade religiosa para “expiar” seu “pecado”, disse ele.

“É claro que eles perceberam que, como eu era cristão, apenas um murmúrio de blasfêmia significaria que minha escola, e possivelmente eu também, seríamos incendiados por uma multidão”, disse ele. “Ninguém faria perguntas. Minha religião me tornava ainda mais vulnerável. No entanto, uma acusação de blasfêmia também poderia resultar no incêndio de uma escola administrada por um muçulmano. A veracidade da alegação não importa. Agora, comecei um ciclo de chantagem, e eles podem me extorquir quando quiserem.”

A blasfêmia continua sendo um crime capital no Paquistão, punível com a morte. Embora o Estado não tenha executado ninguém sob a lei, meras acusações desencadearam violência coletiva, resultando em dezenas de mortes na última década. Os acusados ​​frequentemente enfrentam longas detenções preventivas, julgamentos injustos e constantes ameaças de execução extrajudicial.

O relatório da HRW destacou que comunidades marginalizadas – especialmente cristãos, ahmadis e pobres – sofrem o impacto dos abusos. Muitas vivem em assentamentos informais sem títulos de propriedade legais, o que as torna particularmente vulneráveis ​​a despejos forçados após a violência relacionada à blasfêmia. A HRW constatou que bairros inteiros foram esvaziados após ataques de multidões, com membros da comunidade fugindo com medo, deixando suas casas e negócios para trás.

Em vários casos, acusações de blasfêmia foram usadas para atingir rivais comerciais ou coagir transferências de propriedade. As disposições amplas e vagas da lei permitem que ela seja explorada com pouca ou nenhuma evidência, criando um clima de medo entre grupos vulneráveis.

A HRW também criticou o sistema de justiça criminal do Paquistão por permitir esses abusos. Afirmou que as autoridades raramente responsabilizam os perpetradores de violência coletiva, enquanto a polícia frequentemente falha em proteger os acusados ​​ou investigar as alegações. Em alguns casos, os próprios policiais que intervêm enfrentam ameaças. Atores políticos e religiosos acusados ​​de incitar a violência frequentemente escapam da prisão ou são absolvidos por falta de vontade política ou intimidação.

A HRW apelou ao governo paquistanês para que revogue as leis contra a blasfêmia, liberte imediatamente os presos sob tais acusações e investigue toda a violência relacionada à blasfêmia, particularmente os incidentes que levaram à deslocação e à apreensão de bens. O relatório também instou as autoridades a implementarem salvaguardas contra a venda ou transferência forçada de terras e negócios após as acusações.

“A indiferença do governo aos abusos previstos na lei da blasfêmia e à violência que ela provoca é discriminatória e viola os direitos às liberdades fundamentais”, disse Gossman. “Ao não agirem, as autoridades paquistanesas não estão apenas tolerando a injustiça – elas a estão permitindo.”

O Paquistão ficou em oitavo lugar na Lista Mundial da Perseguição de 2025 da Portas Abertas dos lugares mais difíceis para ser cristão.

Folha Gospel com artigo publicado originalmente em Christian Daily

Especialistas analisam qual o peso do voto evangélico após o Censo

Urna eletrônica
Urna eletrônica

Os dados do Censo 2022, divulgados recentemente pelo IBGE, escancaram uma mudança expressiva no panorama religioso brasileiro: o avanço dos evangélicos e a redução do número de católicos. Embora o levantamento não trate diretamente do comportamento eleitoral, ele redesenha o mapa da fé no Brasil e, com ele, as bases de influência política para os próximos anos.

Para o pastor e escritor Rodolfo Capler, o Censo, ainda que não aborde preferências eleitorais, serve como um termômetro social com desdobramentos políticos claros. “O crescimento evangélico, ainda que menos acentuado do que previam algumas projeções, confirma a consolidação desse grupo como um dos principais atores da cultura política nacional. A presença evangélica, espalhada em todas as regiões e classes sociais, indica um potencial de mobilização que vai muito além do número absoluto”.

Segundo o especialista em marketing político Rafael Leão, o censo oferece um retrato demográfico que serve como bússola para partidos e candidatos: “Ele oferece um mapa preciso da presença evangélica no Brasil. Isso permite aos partidos e candidatos dimensionarem melhor seu discurso e estratégias nos territórios onde esse grupo cresce. Os evangélicos têm demonstrado alto grau de mobilização e engajamento político. Sua força nas urnas pode ser projetada com mais assertividade a partir desses dados”.

Capler complementa: “Estamos falando de uma estrutura religiosa com capilaridade, influência comunitária e, em muitos casos, com lideranças que fazem um papel paraeclesiástico e até mesmo paraestatal. Mesmo sem saber em quem esses brasileiros votarão, sabemos que sua identidade religiosa será, sim, um vetor decisivo de escolha”.

O cientista político da Hold Assessoria Parlamentar, André Pereira César, reforça: “A força político-eleitoral dos evangélicos está dada. É algo bastante relevante na cena política brasileira. Quem se candidata, especialmente ao executivo, precisa ter uma interlocução muito boa com esse público. Quem descartar isso, vai se dar mal”. Para ele, não se trata apenas de números brutos, mas de influência real e contínua. “Pode não estar crescendo como estava antes, mas continua muito relevante e isso não pode ser descartado”.

Rodolfo Capler faz uma leitura semelhante. Para ele, o fato de o crescimento evangélico ter sido mais modesto que o previsto, é, em alguma medida, positivo. “Revela um certo equilíbrio no campo religioso que evita uma hegemonia absoluta e, com ela, a tentação de confundir fé com projeto de poder. Para alguns setores da política que instrumentalizaram o crescimento evangélico como estratégia de massa de manobra eleitoral, os números podem soar como um freio”.

Crescimento pode ser lento, mas força evangélica é inquestionável 

Apesar do crescimento evangélico não ter sido tão acelerado quanto muitos analistas previam, a tendência segue firme. Leão avalia que a leitura desses números precisa ser feita com cautela estratégica:

“Para a direita, que tem se apoiado fortemente nesse segmento, o ritmo mais lento do crescimento pode sinalizar a necessidade de diversificação do discurso. Para a esquerda, a desaceleração pode ser vista como uma oportunidade de diálogo mais estratégico com evangélicos moderados. No fim, o dado exige menos triunfalismo e mais inteligência política de todos os lados”.

André Pereira César compartilha leitura semelhante. “O crescimento perdeu punch, como se diz no boxe. Perdeu pegada, mas continua importante, relevante na disputa. Continua crescendo, talvez não como antes, mas segue muito relevante. Quem não estiver atento a isso vai errar feio”.

De olho nas regiões historicamente decisivas

A movimentação religiosa é ainda mais sensível em regiões historicamente decisivas nas eleições, como o Norte e o Nordeste. Para Leão, o que se observa é uma “transição religiosa silenciosa”, marcada pelo avanço das igrejas pentecostais e uma alteração na base cultural.

“Norte e Nordeste sempre foram mais influenciados por pautas sociais e assistenciais, mas hoje começam a responder também a discursos morais e de valores. Isso pode equilibrar ou até reconfigurar o mapa eleitoral em 2026”.

Capler avalia que essas regiões estão passando por uma verdadeira reconfiguração de imaginário religioso. “Historicamente ligadas ao catolicismo popular e às religiões afro-brasileiras, Norte e Nordeste agora veem o crescimento evangélico ganhar corpo e voz. Isso tensiona o campo político. Nas últimas eleições, essas regiões foram chave para a vitória, mas o aumento da presença evangélica sugere uma disputa mais dividida entre valores progressistas e conservadores”.

César destaca que, no Nordeste em especial, as nuances locais não podem ser ignoradas: “As nuances do Nordeste são muito relevantes para essa disputa. A questão religiosa entra inevitavelmente nesse debate. É algo muito importante e quem quiser conquistar espaço precisa estar atento a isso”. 

Quem mais se beneficia com os números atuais?

Quando a disputa é vista pelo prisma ideológico, a balança ainda tende para a direita. “A direita, historicamente mais alinhada ao público evangélico, ainda colhe frutos desse vínculo, mas o crescimento mais tímido do segmento impõe limites”, diz Leão. Ele acredita que a esquerda também pode se beneficiar:

“Tem chance de recuperar espaços entre religiosos que não se identificam com o radicalismo ou entre os que se afastam da religião organizada. Em resumo: a direita segue forte com a base evangélica, mas a esquerda ganhou margem para reconquistar parte do voto popular com menos resistência ideológica”.

Para Rodolfo Capler, o cenário não favorece uma leitura maniqueísta. “Os evangélicos não são um bloco monolítico. Há entre eles trabalhadores, mulheres, jovens negros, mães solo, grupos com demandas sociais concretas que não se resolvem apenas com discursos morais. A esquerda começa a entender que precisa conversar com esse público com menos arrogância. A direita, por sua vez, precisa provar que sua aliança com os evangélicos não é apenas instrumental”.

César concorda que a direita ainda leva vantagem, mas vê brechas para mudanças: “A direita ainda ganha mais nessa disputa, mas há presença da esquerda. O Lula tenta ganhar espaço entre os evangélicos. O deputado Otoni de Paula, por exemplo, tem papel importante nessa negociação. Pode haver algum equilíbrio maior a partir de certos posicionamentos”.

O peso dos votos dos sem religião

Capler também chama atenção para outro ponto trazido pelo censo: a alta de pessoas que se identificam como sem religião.

“Esse grupo não é exatamente ateu. Muitos se consideram espiritualizados e defendem pautas ligadas à liberdade individual, diversidade, combate à intolerância. É um segmento importante, especialmente nas grandes cidades e entre os mais jovens. Eles podem forçar um reposicionamento do discurso político em relação à laicidade do Estado e à liberdade religiosa”.

A reorganização religiosa no Brasil, evidenciada pelos dados do IBGE, se desdobra muito além da fé individual. Ela revela redes de poder, alianças estratégicas e disputas por narrativas em um país onde religião e política se entrelaçam cada vez mais. Se os candidatos quiserem mesmo vencer em 2026, será preciso olhar com atenção e respeito para essa nova geografia da fé.

Como resume Capler, “os dados mostram um país que segue majoritariamente religioso, mas onde cresce a consciência de que política e religião não podem se fundir acriticamente. Quem souber lidar com essa tensão com mais sensibilidade e menos oportunismo terá vantagem em 2026”.

Fonte: Comunhão

Censo IBGE: 244 cidades do Brasil já têm maioria evangélica

Adoração durante culto (Foto: Canva Pro)
Adoração durante culto (Foto: Canva Pro)

Mais de 200 cidades do Brasil já têm maioria evangélica, segundo o Censo de Religião 2022, divulgado no início de junho pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Com o crescimento recorde da fé evangélica no país, 244 cidades já têm a maioria da população seguindo o cristianismo evangélico.

Em 58 municípios, os evangélicos representam mais da metade da população, como Santa Maria de Jetibá (73%), no Espírito Santo, e Alto Caparaó (63%), em Minas Gerais.

Arroio do Padre, no Rio Grande do Sul, é a cidade mais evangélica do Brasil, com 88% da população.

O estado gaúcho possui mais de 15 cidades de maioria evangélica, como Senador Salgado Filho (71%), Westfália (69%) e Quinze de Novembro (68%).

Outras cidades que se destacam pela grande quantidade de evangélicos são: Arabutã (76%), em Santa Catarin, Laranja da Terra (72%), no Espírito Santo, Alto Caparaó (63%), em Minas Gerais, Tapauá (60%), no Amazonas, Guaraíta (60%), em Goiás, Torre de Pedra (59%), em São Paulo, Nova Santa Rosa (58%), no Paraná.

Norte é a região com mais evangélicos

Em 2022, 47,4 milhões de brasileiros se declararam evangélicos, o número é 26,9% da população.

No grupo, as mulheres (55,4%) são maioria, enquanto 44,6% são homens. Em relação à cor, a maioria é parda (49%).

A Região Norte tem a maior parcela de evangélicos (36,8%), seguido pelo Centro-Oeste (31,4%), Sudeste (28%), Sul (23,7%) e Nordeste (22,5%).

Em relação aos estados, o maior número de evangélicos está no Acre (44%), seguido por Rondônia (41%), Amazonas (39%), Amapá (36%), Espírito Santo (35,4%), Pará (35,2%), Roraima (34%), Goiás (32,5%), Mato Grosso do Sul (32,4%), Rio de Janeiro (32%) e Tocantins (31%).

A menor quantidade de evangélicos se encontra no Piauí (15,6%) e em Sergipe (18,2%).

Fonte: Guia-me com informações de G1

Governo Lula é reprovado por 50% dos evangélicos, aponta pesquisa Ipsos-Ipec

Lula cabisbaixo (Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil)
Lula cabisbaixo (Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil)

A pesquisa Ipsos-Ipec divulgada em 12 de junho revela que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta dificuldades persistentes para conquistar a aprovação da maioria dos brasileiros. O levantamento mostra que metade dos evangélicos (50%) reprovam Lula e veem sua gestão como ruim ou péssima, sendo que 31% dos entrevistados consideram regular. Entre os católicos o índice é de 40%. Já a aprovação entre os católicos é mais expressiva (32%), contrastando com o ceticismo evangélico.

De um modo geral, 43% dos brasileiros consideram a atual gestão ruim ou péssima, enquanto 25% a classificam como boa ou ótima. Outros 29% a enxergam como regular. Trata-se da segunda vez, desde o início do terceiro mandato do petista, em que a avaliação negativa supera a positiva.

Esse cenário, para o pastor Delano Maia, presidente da Igreja Assembleia de Deus Fonte de Vida, em Vitória–ES, é resultado direto do que ele classifica como “deterioração generalizada dos indicadores econômicos, sociais e políticos”.

Em sua visão, a insatisfação também decorre de “recorrentes e já sistematizados escândalos de corrupção envolvendo estatais brasileiras e o INSS”, o que compromete a confiança popular na administração federal.

Por outro lado, o presbítero Ariovaldo Ramos, da Comunidade Cristã Reformada em São Paulo, vê um fenômeno diferente. Segundo ele, “os evangélicos, em sua maioria, têm se mostrado impermeáveis às ações do governo, em grande parte devido às fake news que são pródigas na bolha evangélica”.

Para Ramos, a desconfiança em relação ao governo Lula está fortemente ancorada em discursos morais distorcidos, amplificados por conteúdos falsos disseminados nas redes sociais.

Divisões religiosas e econômicas

Ariovaldo Ramos acredita que o governo falhou ao não perceber que o movimento evangélico construiu uma nova cultura no país. “Rubem Alves dizia que cultura é um jeito particular de ser gente”, lembra Ramos. Ignorar essa forma específica de ver e viver o mundo, segundo ele, foi um erro estratégico na comunicação governamental.

Delano Maia, por sua vez, atribui papel central às redes sociais na formação da opinião pública contrária ao governo. Para ele, as redes “assumiram papel essencial na disseminação de informações”, sobretudo diante do que classifica como “distorções e omissões da mídia tradicional, organizada em consórcios”.

Ele também denuncia uma “perseguição implacável aos veículos de comunicação independentes”, que vê como um esforço orquestrado de censura. Entre os fatores socioeconômicos, a pesquisa mostra que 59% dos que ganham mais de cinco salários mínimos rejeitam o governo, enquanto entre os que vivem com até um salário mínimo, a aprovação sobe para 33%.

A divisão é nítida também pela escolaridade: entre os mais instruídos, 51% desaprovam a gestão e, entre os menos escolarizados, a taxa cai para 36%. Esses números sugerem que os pilares do apoio a Lula continuam firmes nas camadas populares, enquanto há resistência entre as classes médias e altas.

Regiões e perfis demográficos reforçam contraste político

Geograficamente, o Nordeste ainda representa o principal reduto de apoio ao presidente, com 38% de avaliação positiva. No Norte e no Centro-Oeste, a rejeição atinge 50%, refletindo a queda da influência do governo em regiões que já demonstraram preferência por pautas conservadoras nas últimas eleições. Em cidades com até 50 mil habitantes, a aprovação de Lula é de 31%, enquanto em municípios de médio porte (entre 50 mil e 500 mil habitantes) o número cai para 22%.

A análise por sexo e idade também reforça a fragmentação. A rejeição ao governo é maior entre homens (48%) do que entre mulheres (39%). Entre os que têm entre 45 e 59 anos, a reprovação cresceu de 37% para 45%. Já em relação à raça, 47% dos que se identificam como brancos desaprovam a gestão, enquanto entre pretos e pardos a taxa é de 40%.

Visões opostas sobre os caminhos do país

As interpretações contrastantes de líderes evangélicos sobre o mesmo fenômeno revelam a complexidade do cenário político atual. Enquanto Delano Maia vê um governo fracassado em todos os aspectos, “não há, a meu ver, nada que mereça ser elogiado”, diz, Ariovaldo Ramos enxerga obstáculos criados pela desinformação e por uma cultura evangélica que o governo ignorou. Ramos afirma que sua igreja local, bastante ativa politicamente, mantém uma postura favorável à gestão atual.

As avaliações mostram que o Planalto precisa lidar, simultaneamente, com problemas objetivos como inflação, juros altos, segurança pública e escândalos, assim como desafios subjetivos, tal qual as narrativas morais e a resistência cultural.

A travessia até as próximas eleições exige mais do que programas sociais, requer habilidade política para enfrentar tanto os dados da realidade quanto as percepções fragmentadas de um país que continua dividido, inclusive entre seus fiéis.

Pesquisa Genial/Quaest

No início deste mês de junho, uma nova rodada da pesquisa Genial/Quaest revelou uma mudança significativa no apoio religioso ao governo Lula. Pela primeira vez desde o início do mandato, a maioria dos católicos ouvidos desaprova o presidente: 53% manifestaram rejeição, enquanto 45% ainda aprovam sua gestão.

O dado chama atenção por marcar a perda de apoio em um segmento tradicionalmente mais simpático ao petista. Há apenas dez meses, Lula contava com 60% de aprovação entre os católicos.

Entre os evangélicos, o cenário é ainda mais desfavorável. A rejeição permanece alta: 66% desaprovam o governo, contra apenas 30% de aprovação.

Fonte: Comunhão

Líderes religiosos assassinados estão entre os abusos cometidos pelas forças de ocupação russas na Ucrânia

Igreja destruída na Ucrânia (Foto: Reprodução)
Igreja destruída na Ucrânia (Foto: Reprodução)

Terríveis abusos dos direitos humanos de cristãos evangélicos por autoridades russas que ocupam ilegalmente territórios na Ucrânia foram documentados em um relatório divulgado no início deste ano.

Pelo menos 47 líderes cristãos ucranianos de diferentes denominações foram “mortos como resultado da agressão em grande escala da Rússia” de 2022 a 2024, de acordo com o relatório de fevereiro da Missão Eurásia intitulado “Fé sob o terror russo: análise da situação religiosa na Ucrânia”.

“As causas da morte de líderes religiosos ucranianos variaram: tortura por militares russos, detenção ou prisão em condições desumanas, tiroteios direcionados a civis por soldados russos, bombardeios indiscriminados de infraestrutura civil usando artilharia, mísseis ou armas de destruição em massa, bem como drones carregados de explosivos implantados pela Rússia em todas as regiões da Ucrânia, entre outros”, afirmou o relatório.

Os dados sobre as mortes de líderes cristãos por tortura “e tratamento desumano” em prisões russas são incompletos, observou o relatório, devido ao conflito em curso e à falta de acesso aos territórios ocupados. A análise da Mission Eurasia, uma organização sem fins lucrativos com sede nos EUA, também não incluiu as mortes de clérigos mobilizados ou voluntários para defender o país, juntando-se às Forças Armadas da Ucrânia.

As mortes registradas também não incluem “crentes proativos que serviram em igrejas e comunidades religiosas sem serem clérigos ordenados”.

O relatório envolveu 70 entrevistas pessoais com testemunhas de todas as denominações cristãs na Ucrânia entre agosto de 2023 e dezembro de 2024.

Os cristãos evangélicos estão particularmente sujeitos a ameaças, vigilância, difamação e “violência brutal” por parte dos ocupantes russos, afirmou o relatório.

“Eles são vítimas da propaganda do Kremlin e de sua chamada campanha de ‘dessatanização’, que tem como alvo desproporcional as igrejas protestantes, rotulando-as como ‘sectárias’, ‘agentes ocidentais’ ou ‘extremistas’”, observou o relatório.

Comparou o tratamento dado aos evangélicos pela atual Federação Russa com o da antiga União Soviética.

“Como nos tempos soviéticos, as autoridades de ocupação consolidam à força fiéis de diferentes denominações em uma única igreja sob o controle de um líder aprovado pelo Estado e leal à Rússia, suprimindo efetivamente a diversidade denominacional e a liberdade de culto”, observou. “As forças russas frequentemente invadem locais de culto durante os cultos, transformando as reuniões da igreja em locais de ‘filtragem’ – uma prática usada para identificar e intimidar aqueles que se opõem à ocupação ou que não desejam aceitar a cidadania russa.”

Explicando os antecedentes da invasão russa em 23 de fevereiro de 2022, após a apropriação de terras da Crimeia em 2014, posteriormente condenada como uma “violação da integridade territorial e da soberania da Ucrânia” pelas Nações Unidas, o relatório observou um senso de coesão pluralista entre as denominações religiosas na Ucrânia antes da invasão. Comparou as relações calorosas entre as igrejas ucranianas com o apelo militarista da Igreja Ortodoxa Russa, liderada pelo Patriarca Kirill de Moscou, que “endossou abertamente a invasão em larga escala da Ucrânia, enquadrando-a como uma guerra sagrada e incentivando o apoio da sociedade à agressão e ao genocídio de fato do povo ucraniano”.

“Alguns líderes muçulmanos, protestantes e outros líderes religiosos na Rússia expressaram opiniões semelhantes”, acrescentou o relatório.

Uma “ideologia chauvinista do ‘Mundo Russo'” impulsionou a invasão, que negou a soberania da Ucrânia como nação e promoveu a supremacia étnica e cultural russa, de acordo com o relatório.

“Apoiada pela propaganda estatal e pelo amplo apoio da sociedade russa, essa ideologia alimentou crimes de guerra contra o povo ucraniano, incluindo prisões ilegais, tortura, estupros, sequestro em massa de crianças para a Rússia e assassinatos seletivos de civis, incluindo pelo menos 47 líderes religiosos ucranianos”, afirmou. “A Rússia continua a violar o direito internacional humanitário ao atacar sistematicamente infraestruturas civis – hospitais, escolas, instalações de energia e locais de culto – com mísseis e drones.”

Pelo menos 650 locais religiosos foram danificados ou destruídos, afirmou.

As forças de ocupação russas no sul da Ucrânia também têm sistematicamente atacado todas as denominações cristãs no território, pressionando-as a “colaborar ou eliminá-las em casos de rejeição”, acrescentou.

A maioria das atividades religiosas, como ações de conscientização nas comunidades e fornecimento de ajuda humanitária, foram proibidas pelas autoridades de ocupação no final de 2022, após a fase inicial da invasão principal. Serviços religiosos também foram proibidos, e novas igrejas ou aquelas envolvidas em trabalho voluntário tiveram que se registrar junto às autoridades russas.

A repressão levou ao fechamento de todas as comunidades religiosas independentes nas regiões ocupadas de Zaporizhzhia e Kherson até meados de 2023, exceto as “paróquias alinhadas à força com a Igreja Ortodoxa Russa”.

O resumo executivo do relatório destacou o confisco e a reutilização generalizados de propriedades religiosas.

“Edifícios de igrejas, propriedades e até mesmo casas particulares de oração foram apreendidas pelas forças russas, declaradas ‘não reivindicadas’ e então saqueadas, destruídas ou reaproveitadas para uso do regime de ocupação”, afirmou.

Cristãos que não escaparam da invasão russa na Ucrânia têm sofrido violações sistemáticas de sua liberdade religiosa e de seus direitos civis. O relatório observou a pressão exercida sobre esses ucranianos para obterem passaportes russos e os ocupantes russos forçando comunidades religiosas a se registrarem novamente sob a lei russa, sob pena de perderem tanto o status legal quanto os direitos de propriedade.

“Centenas de outras igrejas e comunidades religiosas ucranianas enfrentam a erradicação”, alertou o relatório, observando um risco adicional para as crianças ucranianas em zonas ocupadas: “A militarização de crianças e a promoção do ódio contra qualquer coisa que não seja russa correm o risco de alimentar futuras ondas de agressão armada da Rússia, independentemente de qualquer cessar-fogo temporário ou acordo de paz.”

Líderes da Igreja mortos

Entre os líderes da igreja mortos, em 22 de janeiro de 2024, durante o bombardeio russo na vila de Kurakhivka, na região de Donetsk, o reverendo Mykola Fomin, da UOC, foi morto.

Soldados russos torturaram e atiraram em um padre da OCU, o Rev. Stepan Podolchak, em 15 de fevereiro de 2024, na aldeia de Kalanchak, região de Kherson. Dois dias antes, eles o sequestraram de sua casa, descalço, com um saco na cabeça.

O Rev. Yuriy Klymko, capelão e pastor da Igreja de Jesus Cristo da CEF na cidade de Kupiansk, região de Kharkiv, foi morto em 28 de fevereiro de 2024. Ele morreu no prédio de sua própria igreja após uma explosão causada por uma bomba russa FAB-500 lançada no centro da cidade.

Em 10 de abril de 2024, na cidade de Chornomorsk, na região de Odesa, Vitaliy Taranenko, ministro do coral da Igreja Batista da Ressurreição (ECB), foi morto durante um ataque de míssil russo.

O Rev. Mykola Tatiashvili, pastor da Igreja de Deus da CEF, foi morto em 13 de agosto de 2023 em sua casa na aldeia de Stanislav, região de Kherson. Naquele dia, o exército russo bombardeou assentamentos na região de Kherson, ceifando a vida de pelo menos sete pessoas.

O Rev. Mykola Palahniuk, reitor e deão do Distrito de Bilozerka, foi morto em 13 de junho de 2023, após bombardeio por forças russas à Igreja de São João Batista da UOC, na vila de Bilozerka, na região de Kherson. Ele distribuía ajuda humanitária no terreno da igreja para as pessoas afetadas pelas inundações causadas pela destruição da Usina Hidrelétrica de Kakhovka, quando a artilharia russa bombardeou a vila a partir da margem esquerda do rio Dnipro.

Entre as vítimas mortas antes de 2023 estava o Rev. Maksym Kozachyna, um padre da Igreja Ortodoxa da Ucrânia (OCU), que foi parado em um posto de controle perto da vila de Ivankiv, na região de Kiev, em 26 de fevereiro de 2022. Soldados russos forçaram o padre, em suas roupas clericais, a sair do carro e o executaram a tiros.

Também foi documentada a morte de Oleksandr Kysliuk, professor da Academia Teológica Ortodoxa de Kiev da OCU. Em 5 de março de 2022, soldados russos o mataram a tiros em seu próprio quintal em Irpin, na região de Kiev. No mesmo dia, soldados russos mataram a tiros o padre da OCU, Rostyslav Dudarenko, em um posto de controle em sua cidade natal, Yasnohorodka, na comunidade de Byshiv, no distrito de Fastiv, na região de Kiev.

Soldados russos executados a tiros Vitaliy Vynohradov, reitor do Seminário Evangélico Eslavo de Kiev, em Bucha, região de Kiev, em 6 de março de 2022; centenas de outros moradores locais também foram “brutalmente assassinados”.

Em Bucha, o corpo de Ihor Horodetskyi, ministro da Associação de Igrejas Missionárias de Cristãos Evangélicos da Ucrânia, foi encontrado em uma vala comum; a data não foi divulgada.

Em 1º de setembro de 2022, durante o bombardeio da cidade de Balakliia, na região de Kharkiv, Andriy Klyauzer, pastor da Igreja Ucraniana da CEF, foi morto enquanto distribuía comida aos moradores locais.

Na cidade de Kakhovka, região de Kherson, soldados russos torturaram até a morte Anatoliy Prokopchuk, diácono da Igreja Ucraniana da CEF, juntamente com seu filho de 19 anos, Oleksandr. Logo após o sequestro, seus corpos foram encontrados em 22 de novembro de 2022, com sinais de tortura.

Folha Gospel com artigo publicado originalmente por Christian Daily

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