O Papa Francisco permitiu, nesta segunda-feira, que os padres católicos tenham o poder para perdoar abortos, uma concessão antes dada somente para bispos e confessores especiais. Francisco permitiu, no final do ano passado, que os sacerdotes pudessem conceder o perdão a mulheres que tenham abortado, porém com limite até o final do Jubileu da Misericórdia, encerrado neste final de semana.

[img align=left width=300]http://www.folhagospel.com/imagem/papa_francisco_2013.jpg[/img]Em um documento tornado publico pelo Vaticano nesta segunda-feira, Francisco escreveu que “Não há pecado ao qual a misericórdia de Deus não possa chegar e limpar um coração arrependido”.

Porém, Francisco ressalta que o “aborto é um pecado grave, uma vez que põe um fim a uma vida inocente”.

Francisco, que tem feito da Igreja uma instituição religiosa mais inclusiva e compreensiva durante o seu mandato, fez o anúncio em um documento conhecido como “carta apostólica”.

“Para que nenhum obstáculo se interponha entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus, de agora em diante concedo a todos os sacerdotes, em razão de seu ministério, a faculdade de absolver a quem tenha procurado o pecado do aborto”, determina o papa na carta.

O papa estendeu também a validade das absolvições concedidas pelos sacerdotes integristas da Irmandade Sacerdotal São Pio X, comunidade fundada por Marcel Lefebvre que rompeu com a Igreja em 1988.

O episcopado do Brasil, o maior país católico do mundo, saudou a “forte” e “significativa” decisão do Papa, igualmente comemorada pela ONG Católicas pelo Direito de Decidir (CDD):

— O Papa Francisco, com esta iniciativa, lembra a gravidade do aborto e o poder extraordinário da misericórdia divina capaz de curar todas as feridas humanas — declarou o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Leonardo Ulrich Steiner, à agência AFP.

— Esta é uma excelente notícia porque nós consideramos que essa medida com uma data de expiração não fazia sentido — avaliou Rosangela Talib, coordenadora da CDD no Brasil. — Era uma coisa assustadora, porque abria uma exceção para culpabilizar novamente as mulheres, quando o que elas precisam é de compreensão e apoio, e não condenação.

[b]ALVO DE CRÍTICAS
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Por causa de posições progressistas, o Papa vem sendo criticado por setores mais conservadores da Igreja. Há duas semanas, quatro cardeais divulgaram carta criticando o Pontífice por semear confusão a respeito de temas morais sobre a família, como o acolhimento de divorciados e o próprio aborto.

Em entrevista na última sexta-feira, Francisco minimizou as críticas, dizendo que uma parte da Igreja continua com uma visão em “preto ou branco”.

[b]Fonte: O Globo[/b]