André Mendonça, novo ministro da Justiça, presta continência ao presidente Bolsonaro
André Mendonça, novo ministro da Justiça, presta continência ao presidente Bolsonaro

O novo ministro da Justiça e Segurança Pública tomou posse nesta quarta-feira (29) prestando continência e fazendo uma série de menções elogiosas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a quem chamou de profeta.

Sem citar o ex-juiz Sergio Moro diretamente, o novo ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, deu vários recados ao antecessor e fez promessas de combate ao crime no primeiro discurso após tomar posse. 

“Combate irrestrito à criminalidade. Há mais de uma década tenho me dedicado, na prática e na teoria, ao combate à corrupção. Presidente, o senhor tem sido, há 30 anos, um profeta no combate à criminalidade”, disse Mendonça em uma das manifestações elogiosas que fez ao chefe do Executivo.

Enquanto Moro deixou a função acusando Bolsonaro de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal, Mendonça prometeu uma atuação “técnica” à frente da pasta. “Lutarei com todos os esforços no combate à criminalidade”, disse. “Vamos fazer operações conjuntas. Cobre de nós, presidente, mais operações na Polícia Federal”, reforçou.

Mendonça disse que o Brasil vive um “momento difícil na história” e listou valores com os quais disse se comprometer. O primeiro, com o Estado de Direito e valores como liberdade, fraternidade, igualdade, bem estar, desenvolvimento, segurança e “acima de tudo” Justiça.

Críticas

Após chamar o presidente Bolsonaro de “profeta”, políticos, líderes e pastores vários usuários nas redes sociais criticaram o novo ministro da Justiça, André Mendonça.

O pastor Ricardo Gondim, da Igreja Betesda, disse que “nada justifica a decadência de um pastor que bate continência a um louco para alimentar a própria sanha de poder”

O pastor Alexandre Gonçalves, da Igreja de Deus, em Santa Catarina, afirmou que, ontem, dia da posse do novo ministro da Justiça, foi “um dia de vergonha para a Igreja Presbiteriana no Brasil.”

“O dia em que um ministro dessa tradicional Igreja chama um filho de Belial de profeta. O silêncio do Supremo Concílio é ensurdecedor”, afirmou o pastor Alexandre.

Para o pastor e doutor em Ciências da Religião, Kenner Terra, “chamar Bolsonaro de profeta é Blasfêmia contra o Espírito Santo”.

Kenner disse ainda que “tal declaração atribui ao Espírito o que é próprio do Mal. Para esse tipo de bajulação nojenta não há salvação”.

Já o pastor Ariovaldo Ramos, disse que “um pastor presbiteriano chamou de profeta, uma pessoa que Deus chamaria de homem de Belial”.

“Fiquei curioso para saber a quem esse pastor chama de deus”, continuou Ariovaldo. “Por certo, sua denominação o admoestará”.

O senador Humberto Costa (PT-PE) também criticou André Mendonça afirmando que “o novo ministro da Justiça, que se diz evangélico e defensor dos ideais de Cristo, chama de PROFETA alguém que defende tortura, ditadura, morte de inocentes, faz apologia a estupro e tem íntima ligação com milicianos”.

O pastor Antonio Carlos Costa, presidente da ONG Rio de Paz, criticou o novo ministro da Justiça: “‘Profeta no combate à criminalidade’.Quando? Onde? Como?”

Em outro twiter publicado hoje, o pastor Antonio Costa afirma que “se Bolsonaro é profeta, Jeremias, Isaías, Miqueias, Amós e os apóstolos são -com sua ênfase no amor, na justiça e nos direitos humanos-, uns românticos idiotas; e o próprio Cristo um pacifista tolo desconectado do mundo real dos homens, que só conhece a linguagem da violência.”

Folha Gospel com informações de EXAME, Folha de S. Paulo e Twitter