Refugiados da Síria
Refugiados da Síria

Cinco cristãos e duas crianças iranianas foram atacados no último mês em um campo de refugiados na Grécia. Outros refugiados disseram que eles teriam que ir embora porque aquele era um “campo muçulmano”.

Atualmente as minorias religiosas representam de 2 a 4% da população total de refugiados que chegam ao litoral da Europa, de acordo com Youchana Darling, fundadora britânica do Consulado Internacional Cristão (ICC, da sigla em inglês), que apoia refugiados cristãos em campos da Grécia.

Com frequência eles têm que fugir da violência e perseguição em seus países de origem, apenas para descobrir que nos campos ou em outra acomodação para refugiados, continuam sendo visados por causa da fé.

Darling explicou que os campos de refugiados são “microcosmos do Oriente Médio, então a mesma tensão étnica e religiosa que já existe são intensificadas”.

Uma pesquisa feita pela ICC mostra que 88% dos refugiados cristãos têm experimentado ou testemunhado perseguição por causa da fé e discriminação por extremistas islâmicos em seus países de origem, a caminho da Europa e nas acomodações dos refugiados na Europa.

Entre eles estão Hamid, Fatimah* e sua filha de três anos. Há dois anos foram para a Turquia, onde se converteram em uma igreja em Istambul. Eles receberam uma Bíblia no Irã e queriam se converter, mas estavam com medo porque em seu país poderiam ser executados por isso.

Então fugiram para a Turquia, onde ficaram por quatro meses, e depois para a Sérvia, onde permaneceram por mais dez meses. Lá encontraram Amir e Mahsan, outro casal iraniano com uma criança pequena, que também teve que fugir por conta de ameaças da família após a conversão ao cristianismo.

As duas famílias partiram juntas para a Grécia, mas foram pegas pela polícia grega e levadas a um campo em Tessalônica, onde encontraram Mustafa, outro cristão. Após um período curto, eles tiveram que mudar para o campo em Lárissa, um dos lugares mais quentes e secos do país.

No novo local, as duas famílias dividiam um pequeno contêiner, onde Mustafa os visitava para lerem a Bíblia juntos. Porém, algumas pessoas descobriram que eles eram cristãos e, no final do mês de junho, no meio da noite, cerca de 30 a 40 refugiados atacaram o grupo, que tinha acabado de voltar do culto e decidiram ler a Bíblia um pouco mais.

Os agressores jogaram gasolina sobre o contêiner onde eles estavam e ameaçaram atear fogo. Eles também bateram em um dos homens e ameaçaram duas mulheres e crianças, enquanto diziam que deviam ir embora porque aquele era um campo muçulmano.

Os refugiados chamaram a polícia que disse não poder ir. Um dos homens atacados tem problema cardíaco, mas a ambulância chamada teve que esperar por mais de uma hora para ter a entrada liberada.

Na manhã seguinte, eles fugiram do campo com a ajuda de um grupo afegão e pediram ajuda do pastor da igreja em Lárissa. Ele entrou em contato com o Consulado Internacional Cristão (ICC, da sigla em inglês), que apoia refugiados cristãos em campos da Grécia. A organização levou o grupo para uma casa segura em Atenas.

“Eles chegaram aqui completamente traumatizados”, contou Youchana Darling, fundadora britânica do ICC. O grupo foi entrevistado e testado para se ter certeza que diziam a verdade. Eles ficarão lá por alguns meses, visando a segurança imediata, além de receberem a ajuda necessária para se reerguerem”.

Desde 2016, a organização já ajudou 65 famílias. “Nós falamos sobre recomeçarem suas vidas, mas para isso é necessário voltar ao básico. A maioria deles está traumatizada e não se sente segura. É preciso lidar com isso primeiro, para depois pensarem sobre recomeço”, explica.

Ainda segundo Youchana, a Grécia está sob pressão quanto a questão dos refugiados e faz o que pode com recursos limitados. Isso não está no topo da lista de prioridades, por isso não há medidas de proteção para minorias religiosas nos campos.

Com a sua colaboração, a Portas Abertas oferece aconselhamento pós-trauma e ajuda emergencial a famílias cristãs. Assim eles são acolhidos e fortalecidos mesmo fora dos países de origem, tendo a possibilidade de ter uma melhor qualidade de vida nos novos países.

Além disso, ore pela família de Hamid, Amir e Mustafa. Que eles possam receber a cura do Espírito Santo para seus traumas; apresente a situação dos refugiados. Que eles possam receber mais atenção das autoridades nos novos países onde estão; interceda pela segurança dos refugiados e para que os perseguidores sejam alcançados pelo amor de Cristo.

*Nomes alterados por segurança.

Fonte: Missão Portas Abertas