Uma pesquisa realizada pelo respeitado Pew Research Center, divulgada nesta quinta-feira, revelou que é considerável o número de pessoas no Ocidente e até mesmo em países muçulmanos dispostas a considerar uma ação militar contra o Irã para evitar que a República Islâmica obtenha armas nucleares.

A consulta foi realizada pelo instituto de pesquisas sediado em Washington com 24 mil pessoas em 22 países entre 7 de abril e 8 de maio e demonstrou que o Irã tem uma imagem positiva apenas no Paquistão e na Indonésia.

Os Estados Unidos apareceram entre os países que mais apoiam a opção militar para lidar com o Irã: 66% das pessoas consultadas que se disseram contrárias a um Irã dotado de armas nucleares admitiram que considerariam o uso da força, algo que poderia ser considerado previsível.

No entanto, os norte-americanos apareceram na segunda posição entre os países que apoiariam a opção armada, antecedidos pela Nigéria, país que tem quase a metade de sua população muçulmana, com 71%.

No mundo muçulmano, alguns países demonstraram apoio a uma ação militar para evitar a nuclearização do Irã: Egito (55%), Jordânia (53%) e Líbano (44% a favor e 37% contra).

Na Turquia, 37% dos consultados disseram que evitar um conflito militar com o Irã deveria ser prioritário, enquanto 29% afirmaram que considerariam o uso de força militar.

Entre os europeus, a pesquisa revelou mais equilíbrio. Na França, 59% disseram que considerariam o uso de força militar para evitar que o Irã desenvolva armas atômicas, mas uma minoria considerável (41%) rejeitou esta opção.

O apoio à opção militar foi mais branda na Alemanha (51%), na Espanha (50%), e na Grã-Bretanha (48%), enquanto parcelas significativas (39%, 34% e 37%, respectivamente) consideraram mais importante evitar um conflito militar com o Irã, mesmo que esta decisão resultasse em ver Teerã dotada de armas nucleares.

Enquanto isso, os paquistaneses demonstraram apoio amplo aos pretensos esforços do Irã em adquirir armamento nuclear: 58% se disseram favoráveis e apenas 10% contrários a que o Irã desenvolva armas atômicas.

Entre os paquistaneses contrários a esta suposta corrida armamentista, 34% disseram que evitar o conflito deveria ser prioridade, e apenas 21% afirmaram que endossariam uma ação militar.

Os russos demonstraram equilíbrio quanto à opção de uso da força, com 32% para cada lado. Enquanto isso, os chineses responderam ser favoráveis a evitar o conflito (43% contra 35%) e para os japoneses, a prioridade de evitar o conflito deveria ser seria endossada (55% contra 34%).

Nesta quinta-feira, líderes europeus apoiaram a adoção de novas sanções contra o Irã, indo além das novas medidas punitivas da ONU e dos EUA, no âmbito de uma quarta série de sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em reação à recusa iraniana a suspender suas atividades nucleares.

Fonte: AFP