Em ato público de “arrependimento e de humildade”, o presidente da Federação Luterana Mundial (FLM) e presidente da Igreja Evangélica Luterana na América (Elca a sigla em inglês), bispo Mark S. Hanson, lavou os pés de duas mulheres que vivem com HIV.

“Estou absolutamente convencido de que nós, como líderes religiosos e em nossas comunidades religiosas, que tanto evitamos e envergonhamos as pessoas com HIV ou implicadas com a Aids, devemos começar em primeiro lugar a comprometer-nos através de um ato público de arrependimento. Ante a ausência de um ato de arrependimento, temo que nossas palavras não serão confiáveis”, disse Hanson na Pré-Conferência Ecumênica: “Fé em Ação Já”, que precedeu a XVII Conferência Internacional sobre AIDS realizada na Cidade do México, de 3 a 8 de agosto.

De acordo com os organizadores da conferência, mais de 20 mil cientistas, funcionários governamentais e representantes da indústria farmacêutica, igrejas, organizações não-governamentais e ativistas comunitários estiveram representados nesta conferência internacional bianual.

Como um possível ato de arrependimento Hanson citou o compromisso de incentivar políticas públicas, o acompanhamento e acolhida de pessoas com HIV e AIDS na plena participação e na liderança nas comunidades religiosas. As pessoas que vivem com HIV ou Aids não devem ser consideradas como “objetos de nossa compaixão”, mas sim como “membros e participantes plenos nas comunidades religiosas, afirmou.

Hanson sublinhou que a plena participação de pessoas com HIV e AIDS somente será possível caso os líderes religiosos heterossexuais consigam falar abertamente sobre a sua própria sexualidade antes de se concentrar nas pessoas que são homossexuais, bissexuais.

“Se assumirmos com seriedade a tarefa de terminar com a discriminação, devemos recusar a noção de que a sexualidade humano é um tema definido pela igreja, e que, portanto, pode dividir. É a boa notícia de Jesus, o Cristo, que define a Igreja e não a sexualidade humana” disse.

A liderança religiosa, predominantemente masculina, deve perguntar a si mesmo sobre as difíceis questões relacionadas à pregação e ao ensino, e em sua compreensão de Deus, insistiu Hanson. Os líderes eclesiásticos devem examinar a forma pelas quais têm discriminado mulheres, relegando-as à posição de segunda classe, não só na sociedade mas também nas comunidades religiosas.

“Será que vamos nos atrever a sermos tão radicais em amor, compaixão e ações como Jesus o foi? – perguntou o bispo luterano.

A representante da Associação Cristã Feminina (World YWCA, a sigla em inglês), Sophie Dilmitis, uma das mulheres que Hanson lavou os pés, compartilhou com os delegados da Pré-Conferência Ecumênica sua visão da cooperação entre líderes das igrejas e as pessoas com HIV ou Aids.

“Os líderes religiosos têm as chaves para eliminar a vergonha e a culpa que destrói o sistema imunológico e lutar contra o vírus da mesma maneira que se faz contra o estigma e o silêncio”, declarou.

Fonte: ALC

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