Um homem posa com a edição do semanário satírico francês Charlie Hebdo intitulado
Um homem posa com a edição do semanário satírico francês Charlie Hebdo intitulado "Tout est pardonne" ("Tudo está perdoado"), que mostra uma caricatura do profeta muçulmano Muhammad, em um café em Nice, sul da França, 14 de janeiro de 2015.

Um professor francês que havia recentemente mostrado desenhos animados do profeta Maomé aos alunos foi decapitado do lado de fora de sua escola na sexta-feira (16), no que o presidente da França, Emmanuel Macron, chamou de “ataque terrorista islâmico”.

Um jovem chamado Abdoulakh A, de 18 anos, foi morto a tiros pela polícia após matar o professor Samuel Paty perto da escola, localizada em Conflans-Sainte-Honorine, nos arredores de Paris.

Pelo menos 11 pessoas foram presas como parte da investigação. Quatro parentes próximos do suspeito foram detidos logo após o assassinato e mais seis pessoas foram detidas no sábado (17), incluindo o pai de um aluno da escola e um pregador descrito pela mídia francesa como um islâmico radical.

Segundo a polícia, o assassino gritou “Allahu Akbar” (“Deus é o maior”) enquanto a polícia o confrontava, um grito frequentemente ouvido em ataques jihadistas.

A França tem testemunhado uma onda de violência islâmica desde os ataques terroristas de 2015 ao jornal satírico Charlie Hebdo e a um supermercado judeu em Paris. Autoridades francesas estão ratando o ataque como “um assassinato ligado a uma organização terrorista”.

O ataque aconteceu por volta das 17h em horário local (meio-dia em Brasília), perto da escola secundária onde o professor de história trabalhava. Abdoulakh A, um jovem nascido em Moscou de origem chechena, seguiu Paty enquanto voltava do trabalho para casa. O suspeito usou uma faca para atacar o professor na cabeça e depois o decapitou.

A vítima se tornou alvo de ameaças desde que mostrou charges do profeta Maomé durante uma aula sobre liberdade de expressão. O promotor antiterrorismo, Jean-François Ricard, disse que Paty aconselhou os alunos muçulmanos a desviarem o olhar caso estivessem ofendidos.

O pai de um dos alunos reagiu com raiva e foi reclamar na escola. Ele e o pregador islâmico Abdelhakim Sefrioui fizeram vídeos chamando o professor de “voyou” (“bandido”), exigindo sua suspensão.

De acordo com a mãe de um dos alunos, Nordine Chaouadi, o professor agiu de forma “amigável” e “gentil” com os estudantes. “O professor simplesmente disse aos muçulmanos: ‘Saiam, não quero magoar vocês’. Foi isso o que meu filho me disse”, afirmou à AFP TV.

Fonte: Guia-me com informações de France 24 e BBC News