Silas Malafaia e Olavo de Carvalho trocam acusações nas redes sociais
Silas Malafaia e Olavo de Carvalho trocam acusações nas redes sociais

O pastor Silas Malafaia e o escritor Olavo de Carvalho vêm trocando acusações nas redes sociais nos últimos dias.

Tudo começou quando, no dia 18 de março, Malafaia rebateu uma publicação de Eduardo Bolsonaro, que disse que Olavo de Cavalho teria sido o maior responsável pela vitória de seu pai, Jair Bolsonaro, para presidente do Brasil.

Inconformado, Malafaia disse “MAIS UMA VEZ EDUARDO BOLSONARO PERDE A OPORTUNIDADE DE FICAR DE BOCA FECHADA> O moço falou besteira na questão da saída de Lula para o velório do neto, fez mea culpa, falou besteira sobre imigrantes,falou besteira dizendo que Olavo de Carvalho é o maior responsável pela vitória.”

“O QUE O PRESIDENTE BOLSONARO FALOU DIVERSAS VEZES Se 80% dos evangélicos me apoiarem eu vou ser eleito presidente. Foi o que aconteceu. Vem agora seu filho, aprendiz de político , dizer q Olavo de Carvalho é o maior responsável pela vitória do pai.SIMPLESMENTE RIDÍCULO ! “, continuou Malafaia.

Olavo de Cavarlho, então, endereçou uma mensagem ao pastor Silas Malafaia. Para o brasileiro radicado na Virginia (EUA), é preciso ressaltar que igrejas desse quinhão religioso chegaram atrasadas na luta contra um dos maiores bichos-papões da nova administração, o petismo.

“Prezado bispo Malafaia: Ninguém pode negar que as igrejas evangélicas ajudaram um bocado na derrocada do petismo. Mas também não pode negar que elas entraram nessa luta com um atraso formidável. Pelo menos até 2009 ainda se davam muito bem com o partido governante. Nesse ano Lula em pessoa oficializou em lei a Marcha Para Jesus. Será que o senhor já esqueceu? “, atacou Carvalho.

Não é a primeira em que Olavo alfineta o segmento evangélico. Em transmissão ao vivo, já fez críticas a pastores e a discípulos seus que os escutam. O vídeo foi compartilhado em 2017 com o jocoso título de “AstrOlavo de Carvalho detonando os evangélicos”.

O escritor, que dá cursos de filosofia online e presencial, disse que seus discursos se baseiam na “autoridade dos fatos, dos documentos, dos argumentos da racionalidade, etc, etc”. 

“Aí chega pastor e diz: ‘Eu falo com a autoridade da Bíblia, porque eu estou salvo, sou um dos eleitos. E vocês seguem, meu Deus do céu! Onde têm a cabeça, p…? Como tem a cara de pau de ser meu aluno?”

Numa série de postagens no Twitter, Malafaia rebateu Olavo, que fez questão de chamar de astrólogo (um ofício questionável para a fé evangélica), uma de suas formações.

“Tenho afinidades com Bolsonaro desde 2006 por ocasião do PL 122 [lei antihomofobia, que ambos combateram]. Olavo estava em um rancho nos EUA, eu e Bolsonaro tomando pancada do ativismo gay”, escreveu o pastor.

Em sua última postagem sobre o tema, até fechar esta matéria, Malafaia diz que “se dependesse de Olavo de Carvalho nem para vereador Bolsonaro conseguiria vencer”.

Malafaia reconhece que, sim, ele apoiou Lula em 1989 e, depois, em 2002. “Mas não foi pelo viés ideológico, mas pela crença que ele poderia resgatar o Brasil da miséria.”

Afirma que, na primeira empreitada eleitoral de Lula, ele foi exceção entre os colegas de pastorado. “Em 1989 eu não possuía nenhuma relevância na liderança evangélica, tinha 8 anos como pastor. Minhas posições não possuíam nenhuma influência na comunidade evangélica.”

Naquele pleito, gigantes como a Igreja Universal do Reino de Deus fizeram forte campanha contra o petista, satanizado pelo segmento. O líder da Universal, bispo Edir Macedo, chegou a declarar que, “após orar e pedir a Deus que indicasse uma pessoa, o Espírito Santo nos convenceu que Fernando Collor de Mello era o escolhido”.

Malafaia também apontou que, em 1994 e 1998, a maioria dos evangélicos embarcou na candidatura de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ele inclusive.

A simpatia por Lula no bloco religioso inflou em 2002, embora muitos fiéis tenham visto um alento em Anthony Garotinho, o primeiro candidato evangélico de peso a disputar uma campanha presidencial no país. 

Macedo e Malafaia endossaram o petista, mas se dividiram quanto à sua sucessora, Dilma Rousseff: o bispo ficou do seu lado, e Malafaia, no do tucano José Serra.

Em 2018 os humores evangélicos definitivamente se uniram em torno do presidenciável do PSL, com a maioria dos bispos, pastores, apóstolos e missionários fazendo campanha aberta por Bolsonaro, que se declara católico e tem esposa e filhos evangélicos.

Segundo pesquisa Ibope que detectou queda de 15 pontos na aprovação do presidente, evangélicos são o bloco que mais apoia Bolsonaro: 61% têm boa avaliação pessoal dele.

Fonte: Folha de S. Paulo