).- A sucessão do atual bispo de Pequim, Fu Tieshan, gravemente doente e que recentemente recebeu a unção dos enfermos, cria novas dúvidas sobre a aproximação entre a China e o Vaticano, após meio século sem relações diplomáticas, destacou hoje a imprensa chinesa independente.

“Devemos considerar a opinião do próprio Fu. No entanto, ainda não analisamos possíveis sucessores”, disse hoje o porta-voz da Igreja Patriótica Católica Chinesa, Liu Bainian.

Liu acrescentou que como o tema da sucessão ainda não está em debate “também não é hora de discutir se devemos conversar com o Vaticano sobre isso”.

O bispo, de 75 anos, há três anos está hospitalizado por causa de uma doença crônica. Dois sacerdotes atuam como bispos auxiliares na diocese, exercendo as suas funções.

A sucessão de bispos na China é feita geralmente sem consultas ao Vaticano. A Igreja Patriótica, subordinada ao Partido Comunista, não reconhece a autoridade papal e não permite a “ingerência de Roma em assuntos internos chineses”.

Nos últimos anos, alguns bispos nomeados pela China receberam indiretamente o sinal verde do Vaticano, como prova da aproximação entre os dois Estados.

Mas também houve casos nos quais Roma criticou as decisões de Pequim e ameaçou excomungar os novos bispos chineses, aumentando as tensões bilaterais.

Fu, nomeado bispo em 1979, está sendo tratado no Union Medical College Hospital de Pequim. “É difícil saber a sua condição atual, mas estamos rezando por ele”, declarou Liu.

Além disso, Fu é o presidente da Igreja Patriótica desde 1998. A sucessão ao cargo também pode gerar polêmica, disse hoje o jornal de Hong Kong “South China Morning Post”.

As tentativas de restaurar as relações diplomáticas entre Pequim e o Vaticano, rompidas em 1951, aumentaram em 2006, com a nomeação do bispo de Hong Kong, Joseph Zen, como cardeal.

Zen é visto como o mediador de Bento XVI, que traçou como um dos principais objetivos de seu pontificado a “recuperação” dos mais de 12 milhões de fiéis chineses.

A China tem 97 dioceses, mais de 40 delas sem bispos.

Fonte: EFE