O teólogo, escritor e membro da Iniciativa Internacional da Carta da Terra, Leonardo Boff, disse que vai pedir às pessoas, grupos e Poder Público que mudem de comportamento, assumam novos valores e se comprometam com formas menos destrutivas de produção e mais responsáveis de consumo.

O pedido será feito em conferência que fará nesta segunda-feira aos cerca de 3.500 participantes do Fórum de Águas das Américas e 5º Encontro Cultivando Água Boa, em Foz do Iguaçu (PR).

Os dois eventos, que começaram neste domingo à noite, vão reunir durante dois dias profissionais ligados à gestão e à política de recursos hídricos de governos, da sociedade civil organizada, de universidades e usuários de água das Américas do Sul,do Norte, Central e do Caribe. Eles vão avaliar o desenvolvimento e o progresso que os países dessas quatro regiões atingiram na última década em termos de políticas de água. Dessa avaliação sairá um diagnóstico que formará um documento a ser apresentado no 5° Fórum Mundial da Água, que será realizado em Istambul (Turquia) em março de 2009.

Leonardo Boff fez um diagnóstico das possíveis causas de crises que assolam a humanidade.

– Estamos consumindo mais do que a terra pode repor. Para manter o consumo mundial do jeito que está, precisamos de uma terra e mais um outro terço da terra. Sem mudanças, haverá fome generalizada entre 150 milhões e 200 milhões de emigrados climáticos e teremos 800 milhões de famintos que não aceitam o veredito de morte, e se rebelarão, advertiu.

O teólogo vai comentar com os participantes dos encontros os resultados de pré-encontros dos atores envolvidos no programa Cultivando Água Boa, realizados nos 29 municípios que circundam a represa de Itaipu. Segundo ele, participaram centenas de educadores ambientais, representantes da sociedade civil, movimentos e setores do Poder Público.

– Discutiram, avaliaram o que vem sendo feito e apresentaram soluções para questões socioambientais, informou.

Foram realizados 19 pré-encontros nos 29 municípios da Bacia Hidrográfica do Paraná 3, envolvendo cerca de 2.500 pessoas. Leoanarod Boff adiantou que em sua palestra vai mostrar a diferença que tem uma região onde pessoas, grupos e Poder Público assumem novos valores e se comprometem com formas menos destrutivas de produção.

Para ele, o petróleo tem dias contados, o carvão durará ainda 300 anos, mas é altamente poluente, todas as energias alternativas do etanol, do sol, das marés, dos ventos, de outras oleaginosas são insuficientes ou pensadas para serem agregadas ao petróleo.

– Temos que buscar fontes alternativas e mudar a forma de produção e de consumo. Não temos como escapar disso.

De acordo com o teólogo, o homem deve produzir conforme os recursos disponíveis no ecossistema local, preservando o capital natural, respeitando os ciclos naturais e distribuindo com mais justiça os resultados e serviços entre toda a população.

– Até agora, tratamos a terra como um baú de recursos a ser explorado e isso é assustador, disse Boff.

Segundo ele, o mundo passa por uma crise ética e espiritual.

– Falta cooperação e solidariedade. Domina o interesse individual ou grupal dos grande oligopólios, e o resultado está aí, uma crise econômico-financeira.

Fonte: JB Online