Cerimônia fúnebre solene em Kaduna na Nigéria. (Foto: Reprodução)
Cerimônia fúnebre solene em Kaduna na Nigéria. (Foto: Reprodução)

Comunidade cristã se une em Kaduna para prestar as últimas homenagens às vítimas de violento massacre perpetrado por supostos extremistas na região

Milhares de fiéis e líderes de diversas denominações religiosas participaram, no estado de Kaduna, na Nigéria, das cerimônias fúnebres de trinta cristãos assassinados em um violento ataque no vilarejo de Naridon. O funeral coletivo dos fiéis ocorreu sob forte comoção popular após a ação brutal atribuída a terroristas de origem Fulani, conforme reportado pela Christian Daily International-Morning Star News.

A cerimônia principal de despedida de 27 das vítimas foi realizada no sábado, 1º de agosto, por meio de uma missa fúnebre solene conduzida pela Igreja Católica local. Outros três cristãos evangélicos, também vitimados no mesmo ataque ocorrido pouco antes da meia-noite de 26 de julho no vilarejo de Naridon, no condado de Kauru, foram sepultados no início daquela mesma semana.

O bispo da Diocese Católica de Kafanchan, reverendo Julius Yakubu Kundi, celebrou o ato litúrgico acompanhado por dezenas de sacerdotes da região. O porta-voz da diocese, reverendo Abai Peter, destacou a grande demonstração de unidade promovida pelo comparecimento de pastores e membros de outras denominações que se solidarizaram com as famílias.

“Vinte e sete vítimas de um ataque mortal foram sepultadas após uma solene missa fúnebre acompanhada por milhares de pessoas enlutadas. Pastores e membros de outras denominações cristãs também se juntaram ao funeral como uma demonstração de unidade e solidariedade com as famílias enlutadas e com toda a comunidade.”

De acordo com relatos locais, o bando armado invadiu a localidade de surpresa e espalhou o pânico entre os moradores locais durante horas de agressões ininterruptas. O porta-voz descreveu os momentos de desespero enfrentados pela população local.

“Os atacantes invadiram a aldeia por volta da meia-noite, desencadeando uma violência que durou quase duas horas. Casas foram atacadas, moradores inocentes foram mortos e muitos outros sofreram ferimentos, enquanto várias famílias foram desalojadas. Enquanto os caixões eram baixados à sua última morada, a aldeia foi dominada pela dor. Homens, mulheres e crianças choravam abertamente, lamentando pelos entes queridos cujas vidas foram ceifadas no trágico ataque. Os gritos dolorosos de parentes enlutados ecoaram pelo cemitério, refletindo as feridas profundas infligidas à comunidade.”

O grupo de apoio cristão Portas Abertas indicou que, entre os mortos confirmados na ação terrorista, estavam dez mulheres e onze crianças, incluindo um bebê de apenas três anos de idade. Moradores da região identificaram formalmente 28 das vítimas do massacre, entre as quais estão Geoffrey Monday, Maria Pius, Ladi Monday, Tabawa Monday, Guntu Balla, Enock Balla, Markus Gashi, Mariyamu Joseph, Maria Istifanus, Nuhu Bulus, Bulus Markus, Ayalla Markus, Monday Danladi, Kaka Umaru, Gundumi Umaru, Joy Ali, Dominion Danladi, Danladi Ibrahim, Mama Ibrahim, Deborah Emmanuel, Friday Emmanuel, Yusuf Emmanuel, Yunana Emmanuel, Irimiya Emmanuel, Pheobe Markus, Saviour Monday, Audi Musa e Sunday Yakubu. Ficaram feridos no atentado os moradores Comfort Monday, Success Monday e James Emmanuel.

Em seu pronunciamento litúrgico, o bispo Julius Yakubu Kundi rechaçou qualquer tentativa de justificar a ação como um conflito territorial comum ou um ato de represália mútua. O clérigo apontou a urgência de uma resposta mais firme das forças estatais diante da impunidade estrutural.

“Deus vê tudo. Ele conhece a dor do Seu povo e recompensará cada um de acordo com as suas obras. Nenhum ato de maldade escapa ao Seu julgamento, e nenhum sacrifício feito com fé é esquecido diante Dele.”

Crescimento da violência contra minorias religiosas

Dados da Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela organização Portas Abertas, mostram que a Nigéria lidera o número de cristãos assassinados por sua fé no planeta. No período avaliado entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025, o país contabilizou 3.490 das 4.849 mortes registradas globalmente, representando cerca de 72% de todas as ocorrências mundiais — uma alta em comparação às 3.100 mortes registradas no período anterior. Atualmente, a nação ocupa a sétima posição entre os países onde é mais difícil professar a fé cristã.

Embora a maior parte da etnia Fulani, composta por milhões de pastores nômades no Sahel, não compartilhe de visões extremistas, relatórios do Grupo Parlamentar de Todos os Partidos do Reino Unido para a Liberdade Internacional de Crença revelam que facções radicalizadas utilizam estratégias violentas semelhantes às de organizações terroristas conhecidas. Lideranças religiosas apontam que esses ataques sistemáticos no Cinturão Médio nigeriano buscam a expropriação forçada de terras agricultáveis e a imposição religiosa, impulsionadas pela perda de pastagens gerada pela desertificação acelerada.

A situação de segurança na região é agravada pela atuação de grupos jihadistas como o Boko Haram e o Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP), que realizam saques e sequestros em áreas com pouca presença do governo federal. Recentemente, a violência expandiu-se para estados do sul e do noroeste com a emergência do grupo terrorista Lakurawa, que atua com armamento avançado e agenda extremista alinhada à rede Al-Qaeda.

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