Cerca de 30 evangélicos ocupam área do Cemitério de Maruí, onde adeptos de Umbanda e Candomblé participavam de culto
Cerca de 30 evangélicos ocupam área do Cemitério de Maruí, onde adeptos de Umbanda e Candomblé participavam de culto

Imagens de um grupo de pelo menos 30 evangélicos expulsando cerca de 15 adeptos da Umbanda e Candomblé que participavam de um culto no Cemitério de Maruí, no bairro Barreto, em Niterói, no Rio de Janeiro, estão viralizando nas redes sociais.

O fato ocorreu no Dia de Finados. Só uma postagem do Facebook, feita pela Agência Afro Notícias, por exemplo, já atingiu quase um milhão de visualizações.

Pelas imagens, de um minuto e dezessete segundos, homens e mulheres vestidos com camisas amarelas, invadem a área em que os seguidores de Umbanda estavam, próximos a túmulos, na localidade conhecida como Cruzeiro.

Aos gritos de ‘Jesus tem poder’, ‘o nome de Jesus é poderoso’ , ‘o demônio sai’ e ‘feitiçaria sai!’, os umbandistas, que estavam em companhia de alguns candomblecistas, ficaram acuados, e acabaram se dispersando.

“Foi uma situação humilhante. Nós estávamos ali num ato de louvor, em homenagem aos nossos antepassados, como sempre fazemos, quando essa turma, que se intitulou ser ‘evangélicos do arrastão de Jesus’, chegou aos berros, nos expulsando do lugar”, lamentou Magno da Conceição, de 30 anos, um dos adeptos de umbanda. Ele conta que o zelador Alan Silva, um dos pais de santos que professavam a fé naquele momento, tentou dialogar com os evangélicos, sem sucesso.

O caso, que será registrado nesta terça-feira na Polícia Civil, será alvo de investigação também da Comissão Combate à Intolerância Religiosa (CCIR). Religiosos e defensores da cultura afro, também programaram protesto para esta quarta-feira, as 17h, em frente à estação das Barcas de Niterói, além de caminhada, a partir de 10h da manhã do próximo domingo.

“Além de ser caso de polícia, o governo municipal também tem que tomar providências, já que se trata de um cemitério municipal. O que aconteceu foi muito grave. Os integrantes do grupo que aparecem no vídeo, têm que ser identificados para responderem por diversos tipos de crimes, desde vilipêndio religioso a constrangimento ilegal”, afirmou o babalawo e interlocutor da CCIR, Ivanir dos Santos.

Para Ivanir, como estavam uniformizados, os evangélicos que participaram do ato ‘tiveram a nítida intenção de se organizarem e, de forma consciente, impedirem a manifestação afro-religiosa’. “Por isso, também entraremos com representação junto ao Ministério Público”, relatou.

Luiz Carlos Faria, diretor do Cemitério de Maruí, afirmou ao DIA que a administração local só soube do ocorrido pelas redes sociais. “Nós temos guardas municipais que vigiam o cemitério diariamente, mas no dia 2, havia muita gente, muita movimentação, principalmente por parte de grupos religiosos. Obviamente que não toleramos nenhum tipo de preconceito a nenhuma religião, seja ela qual for”, afirmou Luiz Carlos, que disse ter encaminhado o assunto ao governo municipal, que, por sua vez, deverá contribuir com a polícia civil, no sentido de identificar, por meio de câmeras internas, os supostos agressores.

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Fonte: O Dia