A história recente da “Renascer em Cristo” tem sido mais surpreendente do que qualquer roteiro de cinema poderia formular. Após a prisão de seus líderes, Estevam e Sônia Hernandes, em 2007 por evasão de divisas nos Estados Unidos, a Renascer agora vive a ressaca de uma tragédia inesperada com o desabamento de sua sede na Lins de Vasconcelos.

E logo seu templo principal, que eu, inclusive, visitei por diversas vezes; quem imaginaria? Tivesse sido um galpão qualquer no interior da selva amazônica ainda poderia ser esperado, mas o mega templo de uma das maiores denominações evangélicas do Brasil, em plena São Paulo, realmente parece cinema-catástrofe.

Claro que depois do ocorrido, muita gente apareceu querendo dar uma de sabido e dizer que já tinha visto indícios de mal estado no teto da Igreja, de ter visto pequenos desabamentos do forro e coisas do gênero. Falar agora é muito fácil, mas por quê essas pessoas não se manifestaram antes? Talvez a tragédia pudesse ter sido evitada.

Nesse momento tão triste, nossas orações e pensamentos ficam com as famílias dos que perderam suas vidas e com os que ainda estão hospitalizados, alguns lutando pela vida. Oramos para uma recuperação plena e pela reconstrução da sede da Renascer, seja no mesmo local ou em outro qualquer.

Porém, duas coisas me preocupam bastante diante do fato e das reações populares que normalmente se seguem depois de catástrofes como essa.

Em primeiro lugar, é importante não sair por aí já colocando a etiqueta de culpado na liderança da Renascer. É muito fácil apontar o dedo, principalmente diante de tantas denúncias recentes contra seus líderes. Mas, é preciso ter calma e analisar todos os fatos detalhadamente antes de promover uma “malhação de judas”. Certamente os culpados precisam ser identificados, mas fica difícil imaginar que a Renascer fosse ser negligente justamente com o seu templo central, o mais frequentado e visível de todos.

Em Segundo lugar me preocupa ver surgir aquelas opiniões de quem, da mesma forma que aconteceu na época da prisão de Estevam e Sônia, espiritualiza tudo e fecha os olhos para as evidências. Afinal de contas, um prédio daqueles não desaba assim sem motivo ou causa. É preciso ter discernimento nessa hora e saber distinguir o que é batalha espiritual e o que é dimensão humana.

O que me preocupa em relação aos dois pontos que citei, é o risco de que ao invés de tomar ações concretas para se evitar novas tragédias, o povo evangélico fique mais uma vez se digladiando em discussões vazias que não levam a nada. O que eu espero é que espontaneamente, todas as denominações façam vistorias em seus templos e que sejam extremamente cuidadosas com construções e reformas; que façam mais do que aquilo que é exigido por lei para se certificarem de que seus templos estarão seguros e em boas condições. Nós deveríamos ser exemplo para a sociedade e não fazer “vista grossa”ou “dar jeitinho” em nada que se relacione à segurança de nossas congregações.

O que eu espero da liderança da renascer, é que colaborem com as investigações e que assumam a responsabilidade, caso erros sejam identificados. Espero também que não fiquem somente alegando perseguição religiosa ou batalha espiritual, como costumam fazer com tudo o que lhes acontece, mas que tomem ações efetivas para verificar a segurança de seus outros templos Brasil à fora.

Enquanto isso, a Rede globo continua explorando o desabamento de todas as formas possíveis e imagináveis, com o sensacionalismo barato travestido de jornalismo de elite, que lhe é peculiar.

Um abraço,

Leon Neto