Depois do sucesso estrondoso da musica “Faz um Milagre em Mim”, até o Padre Marcelo Rossi resolveu incluí-la em seus “showmissas” e em seus Cd’s. E assim essa canção evangélica de Regis Danese vai rompendo as barreiras segmentárias e invadindo os lares católicos, também.

Aliás, não é a primeira vez que um fenômeno semelhante acontece; o próprio padre Marcelo já gravou outras musicas evangélicas e muitas outras já fazem parte do cancioneiro usado em missas, principalmente as de cunho mais carismático.

Lembro-me bem de um debate que participei em Recife há alguns anos, onde o assunto foi abordado. Entre os debatedores estavam o musico João Alexandre e o Pastor Edvar Gimenes . na ocasião não se chegou a nenhum consenso, mas alguns pontos interessantes forma levantados.

Em primeiro lugar, é preciso dizer que é musica congregacional não se controla; o povo canta o que quer, quando quer e como bem entender. O único controle que se pode ter é em relação à gravações e utilização em shows. Além do mais, nem sempre é possível saber a origem de uma canção, seu contexto e o de seu compositor. O que determina a sua aplicação em um determinado contexto religioso é o conteúdo de sua letra. Se o Padre Marcelo tem achado as canções evangélicas coerentes com a sua crença e a de seus congregados, então ótimo; que usem à vontade.

Resta saber se a escolha foi feita com base na mensagem ou apenas no seu apelo popular ou comercial da canção. Mas, de toda forma, nós também precisamos estar sempre preocupados com critérios desse tipo. Seja para o culto, um show ou uma gravação, a escolha do repertório é fundamental, já que as canções é que carregam em suas letras a mensagem que se vai propagar. Cansei de ver muita banda evangélica que não tem a menor idéia do que está cantando. É preciso ter muito cuidado.

Eu nem sei porque o povo evangélico se incomoda tanto com essa estória toda. Nós deveríamos estar achando bom. Sinto que ainda existe no Brasil uma animosidade muita grande entre católicos e evangélicos, de parte à parte. Não me venham dizer que se trata de uma questão unilateral, porque muitas igrejas evangélicas tem gratuitamente agredido a igreja católica em diversas ocasiões. Basta lembrar do fatídico episódio do “chute na santa”.

Aqui nos Estados Unidos, a relação entre evangélicos e católicos é muito mais suave e amistosa. Vejo muitas igrejas evangélicas se envolvendo em projetos sociais com a igreja católica e até se referindo aos católicos como “nossos irmãos”. Me lembro muito bem de Rick Warren por ocasião do falecimento do papa João Paulo II, vindo à público fazer grandes elogios e até mesmo se referir ao falecido papa com “uma das maiores personalidades cristãs do século XX”. Não vejo ninguém por aqui rotular a igreja católica como a “besta do apocalipse”, “Babilônia”ou coisa do gênero.

Sei que temos diferenças fundamentais em relação à doutrina católica, mas precisamos lembrar que trata-se antes de qualquer coisa de uma igreja cristã. A Bíblia diz que “TODO aquele que NELE crer” será salvo, independente de religião ou doutrina. Não há como deixar de reconhecer o grau de compromisso e amor ao próximo demonstrado por pessoas como Dom Helder Câmara, Irmã Dulce, Madre Teresa de Calcutá e Francisco de Assis, que aliás escreveu poesias belíssimas e cheias de profundidade doutrinária, que nós poderíamos estar usando em nosso cultos sem problema algum.

Esse por sinal é o aspecto que gostaria de deixar para reflexão ao final dessa coluna. Será que estaríamos abertos para fazer o caminho inverso e utilizar em nossas igrejas, shows e Cd’s evangélicos, alguma musica do Padre Marcelo ou do Padre Zezinho, por exemplo?

Um abraço,

Leon Neto