Quinze pessoas que protestavam contra o Governo foram detidas na terça-feira numa igreja da cidade de Santiago de Cuba, durante “ato de repressão política” sem precedentes, pela “profanação” do templo, denunciou nesta quarta-feira uma comissão dissidente de direitos humanos.

“Os repressores liderados por um tenente-coronel e outros oficiais da Segurança do Estado profanaram a Igreja de Santa Teresita, após abrir violentamente uma das portas, e agrediram os dissidentes, que se comportavam pacificamente”, disse o ativista Elizardo Sánchez.

Tudo começou quando 25 dissidentes, vestidos de preto protestavam na terça-feira contra a prisão de outro opositor numa passeata que começou às 15H30, hora local (18H30 de Brasília), nas ruas de Santiago de Cuba, indo da catedral até a Igreja Santa Teresita.

Segundo um comunicado entregue à imprensa, o pároco do templo, o padre José Conrado, tentou evitar, sem sucesso, a intervenção policial e a prisão dos opositores.

Sánchez, presidente da ilegal Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN) disse que essa entidade “condena este gravíssimo ato de repressão política praticamente sem precedentes”.

A CCDHRN “espera que o Governo abra uma investigação séria e deixe de encorajar ou permitir ações premeditadas e desnecessárias de brutalidade policial contra cidadãos que tentam exercer o direito de protesto”.

Sacerdote católico confirma “violência” contra opositores em Cuba

O padre José Conrado confirmou, nesta quarta-feira, que agentes da polícia cubana reprimiram um grupo de opositores em um salão de sua igreja, em Santiago de Cuba, o que qualificou de um ato de violência.

Segundo o sacerdote, pelo menos cinco opositores foram detidos no salão paroquial na terça-feira – mas uma comissão de direitos humanos contabiliza 15 os presos.

O religioso contou que a polícia aos gritos e golpes jogou gases em spray, enquanto fora da igreja “mais de 600 pessoas se aglomeravam, entre seguidores do governo e curiosos. Os agentes eram apoiados por 15 ou 20 carros da segurança.

De acordo com o sarcedote, a situação está calma nesta quarta-feira e que o arcebispo de Santiago de Cuba, Dionisio García, está conversando com as autoridades sobre o incidente.

Segundo uma comissão de direitos humanos, os atos ocorreram quando 25 manisfestantes, vestidos de preto, protestavam contra a detenção de outro opositor em uma passeata iniciada às 15H30 locais (20H30 GMT) pelas ruas de Santiago de Cuba.

Sánchez, presidente da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN) -que atua sob tolerância o governo-, disse que essa entidade “condena este gravíssimo ato de repressão política praticamente sem precedentes”.

O governo de Havana acusa os opositores de serem “mercenários a serviço dos Estados Unidos”, e acusa Washington de tentar acelerar uma “recolononização de Cuba com um plano, de 2004, que destina 45 milhões de dólares anuais a atividades da oposição interna.

Fonte: AFP