Como em outros anos eleitorais, a Aliança Cristã de Igrejas Evangélicas da República Argentina (ACIERA) acompanha a oferta de candidaturas a líderes evangélicos ou o pedido do apoio evangélico a candidatos e dá “graças a Deus” que a idéia de um partido evangélico não tenha prosperado no país.

“Vemos como alguns pastores tentam somar adesões a certos candidatos ou partidos porque prometeram ‘benefícios’ para os evangélicos ou alguma quota de poder”, diz declaração da ACIERA.

Os políticos se equivocam quando, entusiasmados com o crescente número de evangélicos, acreditam que, se conseguem somar à sua causa alguns líderes, atrás deles virá “o voto evangélico”. Esses políticos não entendem o que é a igreja evangélica e como ela funciona, sustenta a Aliança.

Para a ACIERA, esse pensamento corresponde à idéia de ver as igrejas evangélicas como seitas e pensar que os membros são seguidores dóceis de seus líderes. “Não existe tal relação de influência direta entre os líderes e o povo evangélico. A maioria dos que na América Latina tentou isso não chegou a somar nem mesmo os votos de sua própria congregação”, garante a organização argentina.

O presidente e o vice-presidente da ACIERA, Rubén Proietti e Jorge Sennewald, indagam se é ruim que evangélicos participem da política? Eles respondem que não. “Devemos animar nossos irmãos e irmãs a se fazerem presentes, com excelência, entrega e santidade em todos os âmbitos da sociedade. Isso inclui também o âmbito da política”, definem.

Mas pretender participar na luta política como igreja ou “povo evangélico” é uma distorção da missão da igreja, sustentam. A transformação social jamais se dará a partir do poder. “Quem quiser atingir a sociedade em nome de Jesus Cristo o fará com serviço e não desde o poder”, disseram.

Há poucos meses, o diário Clarín, principal matutino argentino, publicou nota informando a respeito de contatos de líderes religiosos e políticos, sobretudo em Buenos Aires. A nota apontava para o crescente poder das “massas evangélicas”.

Na Argentina existem três federações de igrejas evangélicas: a Federação Argentina de Igrejas Evangélicas (FAIE) que congrega, principalmente, as comunidades “históricas”, a ACIERA, que reúne as igrejas conhecidas popularmente como “evangélicas”, e a FECEP, Confraternidade Evangélica Pentecostal, que agrupa organizações pentecostais.

Fonte: ALC