Um importante assessor do papa Bento 16 afirmou na quinta-feira acreditar que o líder da Igreja Católica abordará os assuntos do aquecimento global e das mudanças climáticas ao reunir-se com o presidente dos EUA, George W. Bush, em junho.

O cardeal Renato Martino afirmou a repórteres, durante uma conferência científica sobre as mudanças climáticas patrocinada pelo Vaticano, que os líderes religiosos do mundo todo deveriam lembrar os integrantes de seus rebanhos sobre o pecado de danificar intencionalmente o meio ambiente.

Bush deve encontrar-se com Bento 16 no Vaticano, em junho, enquanto estiver na Europa para participar de uma cúpula do Grupo dos Oito (G8). A Alemanha, atual presidente do grupo, deseja usar essa cúpula para moldar um acordo internacional de combate ao aquecimento da Terra.

“Não cabe a mim dizer sobre o que o papa e o presidente Bush deveriam conversar. Mas, certamente, eles devem comentar as questões atuais e, por isso, imagino e espero que façam isso (discutam a questão climática)”, afirmou Martino.

“O assunto certamente merece essa atenção”, disse o cardeal, que, na qualidade de chefe do Conselho Pontifical para a Justiça e a Paz, é o homem forte do Vaticano para as questões sociais, entre as quais inclui-se a do meio ambiente.

O governo Bush, que não assinou o Protocolo de Kyoto (um acordo de combate às mudanças climáticas), vem resistindo às pressões para diminuir a emissão de gases do efeito estufa, responsabilizados pela elevação do nível dos oceanos e por provocar um aumento no número de secas e enchentes.

Bush retirou os EUA do tratado, que o governo norte-americano anterior (comandado pelo Partido Democrata) havia assinado em caráter provisório, argumentando que o documento prejudicaria a economia do país e era injusto por excluir das metas compulsórias de corte nações em desenvolvimento como a China e a Índia, grandes poluidores mundiais.

Em uma mensagem enviada aos participantes da conferência, entre os quais o ministro do Meio Ambiente da Grã-Bretanha, David Miliband, o papa disse ter esperanças de que as pesquisas atuais façam nascer “estilos de vida e padrões de consumo e produção cujo objetivo será respeitar a criação e incentivar o progresso sustentável”.

Nos últimos anos, as principais religiões do mundo começaram a se interessar pelas questões ambientais em meio à corrida para salvar o planeta.

Questionado sobre se danos ao meio ambiente provocados intencionalmente eram um pecado, Martino respondeu: “Sim, porque deixar de usar o meio ambiente de forma correta é algo ofensivo não apenas contra você mesmo, mas também contra as outras pessoas que fazem uso do meio ambiente.”

Segundo o cardeal, todos os grupos religiosos deveriam envolver-se nas causas ambientalistas, tentando chamar atenção para o aquecimento global.

“Temos de começar no nível das escolas de ensino básico, a fim de garantir que as crianças aprendam a respeitar a natureza e para que tenham consciência dos problemas do mundo”, afirmou.

“Não podemos esperar até que fiquem mais velhas. Isso deveria ser feito naturalmente em aulas de religião, em grupos de estudos religiosos espalhados por todos os lugares.”

Fonte: Reuters