Dois ex-membros são suspeitos de desvios de até R$ 20 milhões do dízimo. A instituição disse que não vai responder as declarações do advogado.

A ação na Justiça do Espírito Santo movida pela Igreja Maranata contra o ex-vice-presidente e um contador, por suspeita de desvio de dinheiro do dízimo, “é uma forma de ludibriar os fiéis”. É o que disse ao G1, por telefone, o advogado do grupo de ex-membros que denuncia o esquema que, supostamente, desviou R$ 20 milhões arrecadados das colaboração dos seguidores. Ele contesta o valor exigido como ressarcimento pela igreja, 10% desta quantia. A direção da instituição informou que não comentará as declarações e que está amparada por uma auditoria externa.

A Igreja Maranata move na 8ª Vara Cível de Vitória uma ação contra um ex-vice-presidente da instituição e um contador por suspeita de desvio de dinheiro do dízimo dos fiéis e cobra o retorno de R$ 2 milhões. Mas, um depoimento, dentro da investigação interna realizada pela igreja, uma pessoa diz que a soma de notas fiscais chega a R$ 20 milhões. Com base nessa informação, o grupo dissidente cobra outra postura da instituição. De acordo com a Maranata, esse procedimento administrativo motivou uma auditoria externa, que ainda não foi concluída, e levantou, até o momento, documentos que apontam um desvio de R$ 2 milhões.

De acordo com o advogado dos ex-membros que fizeram a investigação interna, Leonardo Schuler, a igreja abriu um procedimento administrativo e viu todos os depoimentos que provam as irregularidades. “Causa muita estranheza pedir R$ 2 milhões e processar apenas duas pessoas, quando há todo um sistema”, conta.
Shuler ainda diz que o grupo que representa não vai entrar com nenhuma ação na Justiça, apenas vai aguardar mais apurações. “Não vamos tomar nenhuma medida, fazemos isso apenas para dar satisfação ao público. Além de dízimos doados, são vidas dedicadas à igreja. Vamos fiscalizar a Justiça e esperamos que eles apurem mais profundamente essa situação”, informa.

[b]Outro lado
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A Igreja Cristã Maranata disse que o processo ainda é muito recente para saber se há possibilidade de conciliação entre as partes e que “os procedimentos terão o seu curso na forma de lei”. Sobre o valor de R$ 2 milhões pedidos, a igreja informou que a auditoria externa, que identificou este valor, continua. Se surgirem fatos e novas provas, outros processos podem ser abertos.

O ex-vice-presidente foi procurado pelo G1, mas não atendeu as ligações. Já o contador Leonardo Meireles Alvarenga disse que só vai se pronunciar na Justiça.

[b]Repercussão[/b]

A divulgação de que a Igreja Maranata processa dois suspeitos de desvio de dízimo e demais fraudes na igreja divide a opinião dos fiéis na internet. Há quem defenda a posição da igreja de entrar com uma ação na Justiça contra o contador e o ex-vice-presidente da instituição e há os que exigem esclarecimentos por parte da igreja.

Em uma rede social, uma comunidade com mais de 8 mil usuários foi dominada nos últimos dois dias com a repercussão das denúncias. Para um dos usuários, não há associação das denúncias com a fé dos seguidores da igreja. “Continuarei dizimando normalmente, a corrupção não pode abalar a fé”, disse, por telefone, o internauta que não quis se identificar. Outro leitor salientou que a situação não é ‘privilégio’ apenas da igreja Maranata. “Acontece em diversas outras, mas por ser uma igreja centralizada é mais suscetível a isso”, afirma.

Um ex-membro da instituição, que também não se identificou, disse que é alvo de perseguição. “Lá não se pode questionar nada. O pastor que saiu, saiu porque questionou o presidente acerca do desvio e foi afastado de todos os cargos. Está havendo cobertura da atual presidência, apesar do processo que corre em juízo e do procedimento administrativo aberto por eles mesmos”, relata.

Nas ruas de Vitória, o assunto fez os jornais esgotarem nas bancas. Mas, segundo a proprietária de uma revistaria em Vitória, Jane Maria Lima, muitos compradores queriam esgotar as vendas. “Teve gente que veio aqui e comprou pilhas de 50 exemplares, cada”, disse.

[b]Denúncia[/b]

A suspeita de desvio de mais de R$ 2 milhões arrecadados do dízimo pago por fiéis, além de compras superfaturadas e caixa dois, fez ex-membros da Igreja Maranata, no Espírito Santo, processarem três pastores e um contator. Entre eles, está um ex-vice-presidente da instituição, criada há 43 anos no estado e que já possui 5,5 mil templos no Brasil e em outros país.

O Ministério Público Estadual (MP-ES) informou que as denúncias direcionam para diversas irregularidades. O contador suspeito de participar do desvio Leonardo Meirelles de Alvarenga disse, em nota, que só se pronunciará sobre a ação por meio de sua defesa. O G1 tentou contato com ex-vice-presidente da igreja, investigado no processo, mas ele não atendeu as ligações.

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Como funcionava?
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Um serviço que custaria, por exemplo, R$ 5 mil, era registrado como se valesse R$ 8 mil. Segundo a denúncia, a igreja pedia nota fiscal com valor superfaturado e no acerto de contas as empresas ficaram com o valor real do serviço. Os demais R$ 3 mil, nesse exemplo, eram desviados para o ex-vice presidente da igreja ou por pessoas indicadas por ele. “Vi documentos que comprovam que o patrimônio de um dos denunciados é assustador, incompatível com o que ele ganhava”, exemplificou o ex-pastor, que preferiu não se identificar. Ele ainda disse que há evidências de que a fraude acontecia desde 2006.

[b]Fonte: G1[/b]

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