É na educação que o Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ) traz algumas das melhores notícias para o Brasil. Entre 2003 e 2007, o analfabetismo de jovens entre 15 e 24 anos caiu de 4,2% para 2,4% e chega a menos de 1% em dez Estados brasileiros.

Também diminuiu o porcentual de jovens matriculados no ensino fundamental, de 17,7% para 12,5%, e aumentou o porcentual daqueles que estão no ensino médio e superior, onde os jovens deveriam estar estudando normalmente.

Mas é também a educação que traz um dos piores dados do IDJ. Se melhorou na quantidade, o Brasil está cada vez pior na qualidade do ensino.

Uma análise dos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) da 8ª série do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio, feita pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, mostra uma queda tão grande no conteúdo que os estudantes aprendem em sala de aula que equivale a uma perda total de nada menos que três anos de escola no período entre 1995 e 2005.

“É como se um aluno estivesse estudando cinco anos em vez dos oito do ensino fundamental”, compara Waiselfisz.

E isso com base no que os alunos sabiam em 1995, que já era pouco.

Disparidade regional

Os índices educacionais também traduzem com facilidade a distância entre os Estados mais pobres e aqueles mais ricos. Entre 2003 e 2006, todos os Estados tiveram queda. Mas o Norte e o Nordeste ainda concentram dois terços dos analfabetos juvenis do País.

Se os três Estados da Região Sul, São Paulo e outras seis unidades da Federação alcançam no máximo 1% de analfabetos, em Alagoas são 8,2%, no Piauí, 7% e no Maranhão, 6,6%.

“A taxa de analfabetismo caiu, mas ainda são 800 mil jovens que vivem praticamente na pré-história da humanidade”, lamentou Waiselfisz.

Ritmo maior

O IDJ mostra, ainda, que cresceu o número de jovens na escola. São, hoje, 46,9%. Mas só 33% deles estão no ensino médio ou superior, onde deveriam estar.

“Nós aplaudimos a meta do governo de, em 15 anos, alcançar a nota que a média dos Países europeus obtém hoje. Mas onde eles estarão então? Vamos ter que fazer outro PAC daqui a 15 anos? Nosso ritmo tem que ser muito maior que o deles ou vamos sempre ficar no fundo do vagão do desenvolvimento”, afirmou o pesquisador.

Fonte: Estadão