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A Apple confirmou à BBC que foi obrigada a tirar do ar, na App Store da China, um aplicativo do Alcorão e outro da Bíblia. De acordo com a empresa, as autoridades do país alegaram que os apps incluem conteúdos ilegais.

“Somos obrigados a cumprir as leis locais e, às vezes, há questões complexas sobre as quais podemos discordar de governos e outras partes interessadas no caminho certo a seguir”, disse ao portal.

Os aplicativos, chamados de Quran Majeed e Bible App de Olive Tree, foram relatados pela primeira vez como tendo sido retirados do ar pelo site ativista Apple Censorship na terça-feira.

No Google Play, o Quran Majeed tem mais de cinco milhões de downloads, enquanto o Bible App by Olive Tree tem pouco mais de um milhão.

Hasan Shafiq Ahmed, desenvolvedor do Quran Majeed, disse à Insider que está tentando contato com as autoridades chinesas para resolver o problema, “já que quase um milhão de usuários do nosso aplicativo na China foram afetados”, acrescentou.

De acordo com o Washington Examiner, a Olive Tree Bible Software foi informada durante o processo de revisão da App Store que “são obrigados a fornecer uma licença demonstrando a autorização para distribuir um aplicativo com conteúdo de livro ou revista na China continental”, explicou um porta-voz da Olive Tree.

“Como não tínhamos a licença e precisávamos aprovar a atualização do nosso aplicativo para os clientes, removemos nosso aplicativo da Bíblia da App Store da China. No momento, estamos revisando os requisitos para obter a licença necessária, na esperança de poder restaurar nosso app para a App Store da China e continuar a distribuir a Bíblia em todo o mundo”, disse ainda o porta-voz.

Relacionamento da Apple com a China

Conforme a CBN News, a Apple foi criticada por seu relacionamento com a China, já que os fornecedores da empresa foram acusados de depender de muçulmanos uigures que trabalham de maneira forçada.

“Ao obedecer à ordem do Partido Comunista Chinês de remover aplicativos da Bíblia e do Alcorão de sua plataforma na China, a Apple está permitindo a perseguição religiosa por lá, incluindo o genocídio em curso de muçulmanos uigures. Essa decisão deve ser revertida”, disse Edward Ahmed Mitchell, vice-diretor nacional do Conselho de Relações Americano-Islâmicas, um grupo de defesa dos muçulmanos com sede em Washington (EUA).

Ele acrescentou: “Se as corporações americanas não crescerem e enfrentarem a China agora, correm o risco de passar o próximo século subservientes aos caprichos de uma superpotência fascista”.

Censura e perseguição religiosa

A App Store também removeu aplicativos que tratam de tópicos considerados proibidos pelas autoridades chinesas. Entre eles estão o Dalai Lama, a Praça Tiananmen, o grupo religioso Falun Gong e o Tibete. O governo chinês dobrou suas medidas extremas nos últimos anos para reprimir os grupos religiosos no país.

Vale citar que a China é um dos maiores mercados da Apple e a cadeia de suprimentos da empresa depende muito da fabricação chinesa. O presidente-executivo da Apple, Tim Cook, foi acusado de hipocrisia por políticos nos Estados Unidos, por falar abertamente sobre a política americana, mas permanecer calado sobre a China.

Conforme a BBC News, ele também é acusado de obedecer ao governo chinês quanto à censura e de não criticá-lo publicamente pelo tratamento que dispensa às minorias religiosas. Benjamin Ismail, diretor de projeto da Apple Censorship, disse: “Atualmente a Apple está sendo transformada no departamento de censura de Pequim.

Cristianismo sendo atacado

Em maio deste ano, o governo comunista desativou as contas do Christian WeChat, dizendo aos usuários que isso violava as “disposições de gerenciamento de serviços de informações de contas públicas para usuários da Internet da China” e que as contas haviam sido “bloqueadas e suspensas”.

Outros aplicativos da Bíblia foram eliminados da App Store da China e as versões impressas não puderam mais ser compradas online.

De 2020 para cá, a perseguição aos cristãos na China se intensificou, com milhares de cristãos afetados pelo fechamento de igrejas e outros abusos dos direitos humanos.

Entre abril e junho deste ano mais de 400 membros da Igreja do Deus Todo-Poderoso foram presos. A denominação é considerada um novo movimento religioso e, de acordo com Bitter Winter, é também o grupo cristão mais severamente perseguido na China.

A China é o país onde prédios cristãos e igrejas mais são atacados contendo 90% dos ataques às igrejas registrados no mundo todo. Os ataques a prédios cristãos na China variam desde remoção de cruzes até a demolição completa das igrejas.

A China ocupa o 17º lugar na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2021 e os seguidores de Jesus no país lidam com a perseguição severa, vinda de todas as esferas da vida. A intensa pressão exercida cada vez mais sobre os cristãos pelo governo trouxe um aumento de seis posições em relação à LMP do ano passado. Em apenas três anos, o país subiu 26 lugares, refletindo uma piora na liberdade religiosa para os cristãos no país.

Folha Gospel com informações de Yahoo, BBC Brasil e Portas Abertas