Colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, será ministro da Educação do governo Bolsonaro
Colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, será ministro da Educação do governo Bolsonaro

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), disse neste sábado (24) que a escolha do futuro ministro da Educação, o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, atende aos “princípios” e “valores” da bancada formada por deputados federais evangélicos.

“Essa pessoa indicada, pelo que eu sei, não é evangélica, mas atende aquilo que a bancada evangélica defende. São os princípios, valores familiares, respeito às crianças”, declarou após participar pela manhã, de uma solenidade militar no Rio de Janeiro.

O futuro presidente, eleito com apoio de deputados evangélicos, declarou ainda que reconhece o “valor” do grupo parlamentar, que reúne cerca de 200 políticos.

Bolsonaro também disse não se incomodar com as críticas feitas a Rodríguez, que é professor de filosofia e crítico do que chamou em textos de sua autoria de “ideologia marxista”.

“Não vou perguntar para Cuba nem para Venezuela. Por isso que estou indicando essa pessoa”, afirmou.

“O que todos nós queremos? Que os nossos filhos sejam melhores do que nós. Escola é lugar de você aprender uma profissão e também ter noções de cidadania e patriotismo”, disse Bolsonaro.

“Se [ensino] plural é ensinar sexo para criancinha em sala de aula, meus parabéns ao meu futuro ministro”, afirmou o presidente eleito.

O anúncio de Rodríguez para o ministério da Educação foi cercado de polêmica. Ele foi anunciado por Bolsonaro em uma postagem no Twitter a última quinta-feira (22).

No dia anterior, porém, fontes próximas ao presidente eleito haviam confirmado que o indicado para o ministério seria Mozart Neves Ramos, atualmente na direção do Instituto Ayrton Senna.

A indicação, porém, desagradou a bancada evangélica, que via em Mozart um nome alinhado à esquerda. Bolsonaro, usando novamente o Twitter, disse que o nome para o comando da Educação ainda não havia sido definido.

O presidente eleito se reuniu, então, com o procurador federal Guilherme Schelb, que passou a ser cotado para assumir a pasta, mas no final da noite anunciou seu escolhido para o cargo.

Valores tradicionais

O futuro ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, tem uma vida acadêmica movimentada, mas pouco conhecida. Desde que chegou ao Brasil, no fim dos anos 1970, integrou um grupo minoritário de filósofos conservadores, orientou dezenas de teses, deu aulas em universidades públicas, privadas e na escola do Exército. E foi alçado ao cargo máximo da educação brasileira quando atuava em uma pequena faculdade de Londrina, cujo curso em que leciona tem nota mediana em avaliações nacionais.

Assim como boa parte da academia e de especialistas do setor, Jair Bolsonaro também não conhecia o colombiano Rodríguez. Seu nome foi indicado por um ex-aluno do futuro ministro, o escritor Olavo de Carvalho, que se tornou uma espécie de guru do presidente eleito.

“Ele foi escolhido por critérios técnicos”, diz o sogro Oscar Ivan Prux, advogado e ex-tenente do Exército.

Segundo ele, o genro foi “sabatinado” pela equipe de transição e teve de apresentar seu diagnóstico da educação e planos para área. “Somos muito patriotas e acreditamos no Brasil. O desafio dele será muito grande, Deus o abençoe.”

Rodríguez tem 75 anos e um filho de 6 com Paula Prux, de 33, a filha de Oscar Ivan, que conheceu numa palestra do jurista Miguel Reale.

Embora não seja um membro assíduo das redes sociais, tem perfil e fan page. A página foi criada em 5 de novembro e já tem 10 mil seguidores. É neste canal que o futuro ministro compartilha textos de seu blog, o Pensador de La Mancha.

Em 7 de novembro, 15 dias antes de ser anunciado para o cargo, ele publicou um texto avisando que havia sido indicado ao presidente eleito. O post deixava claro sua afinidade ideológica, tão cobrada pela bancada evangélica quando Bolsonaro escolhera o educador Mozart Neves para a pasta.

“Escola sem partido. Esta é uma providência fundamental”, diz o futuro ministro, que conquistou a vaga um dia depois da reação negativa dos deputados ao diretor do Instituto Ayrton Senna. “Se o problema para a militância esquerdista é a superpopulação do planeta, a melhor forma de equacionar a questão é a ‘ideologia de gênero’. Com ela paramos de nos reproduzir. A família e os valores tradicionais da nossa Civilização Ocidental irão, claro, para a lata de lixo da história”, afirma, em outro trecho.

Críticas a petistas

Em comentários no Facebook, Rodríguez faz elogios ao papa João Paulo II, que “revalorizou a fé cristã e colocou em maus lençóis o comunismo soviético” e críticas aos petistas Jacques Wagner e Dilma Rousseff (“poste e demiurgo são inseparáveis”).

O novo ministro chamou Lula de “sapo barbudo” e classificou o Marco Civil da Internet de “um entrave do populismo dito bolivariano contra a liberdade de expressão”.

“Ele pode ser acusado de qualquer coisa, menos de falta de erudição e falta de produção intelectual”, diz José Pio Martins, reitor da Universidade Positivo, que comprou a desconhecida Faculdade Arthur Thomas, onde Rodríguez dá aulas de Relações Internacionais.

Ele revela que na juventude o futuro ministro era “esquerdista”. “Agora ele acredita numa educação clássica muito forte, conservadora, que ensina línguas, matemática.”

Segundo pessoas que conviveram com ele em Juiz de Fora, onde lecionou na universidade federal, o futuro ministro sempre foi um homem cordato no trato pessoal e posições políticas bem definidas.

Quando chegou à cidade, em 1985, a UFJF tinha poucos doutores em seu corpo docente. Com um diploma de doutorado em Filosofia pela Universidade Gama Filho, ele se destacou.

De acordo com ex-colegas, a carreira de professor por lá foi discreta. Seu maior esforço de ação na área institucional, a criação de um curso de mestrado em Filosofia, fracassou.

Recentemente, na Faculdade Arthur Thomas, ajudou a organizar um novo curso de Relações Internacionais, do qual seria o coordenador. Por ironia, a documentação espera aprovação do novo ministro da Educação. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo’.

Fonte: Estadão e UOL