Cerca de mil católicos chineses e os principais líderes comunistas, entre eles o presidente, Hu Jintao, e o primeiro-ministro, Wen Jiabao, assistiram ontem ao enterro do bispo de Pequim, Fu Tieshan, que morreu no dia 20 de abril, aos 75 anos.

Dez bispos da Igreja Católica Patriótica, ligada ao Partido Comunista Chinês (PCCh) e que não reconhece o poder do Vaticano participaram da cerimônia no cemitério de Babaoshan. Cerca de 150 sacerdotes também foram ao funeral.

O PCCh definiu o bispo, através de um comunicado, como “um distinto líder religioso e patriótico, um conhecido ativista social e um bom amigo do Partido”.

Fu nasceu em 1931, foi ordenado sacerdote em 1956, após a chegada dos comunistas de Mao Tsé-tung ao poder, em 1949, e em 1979 foi nomeado bispo da diocese de Pequim.

Sua sucessão deverá ser um teste para o processo de aproximação entre a China e o Vaticano, após meio século sem relações diplomáticas.

A sucessão de bispos na China geralmente acontece sem consultas ao Vaticano. A Igreja Patriótica chinesa, ligada ao Partido Comunista, não reconhece a autoridade papal e não permite a “ingerência de Roma em assuntos internos”.

Nos últimos anos, alguns bispos nomeados pela China receberam indiretamente o sinal verde do Papa, como prova da aproximação. Mas também houve casos nos quais o vaticano criticou as decisões, com ameaças de excomunhão que aumentaram as tensões bilaterais.

Fu era o presidente da Igreja Patriótica desde 1998, outro cargo cuja sucessão pode gerar polêmica.

As tentativas de restaurar as relações diplomáticas entre China e Vaticano aumentaram em 2006 com a nomeação do bispo de Hong Kong, Joseph Zen, como cardeal. Era conhecida a sua rivalidade com o bispo de Pequim.

O Papa Bento XVI fixou como um dos principais objetivos de seu pontificado a “recuperação” dos mais de 12 milhões de fiéis chineses.

Fonte: EFE