Cultos e programas editados, além de mensagens em áudio, no formato MP3, já fazem parte de sites de várias igrejas evangélicas como a Igreja Batista Central de Brasília, Assembléia de Deus do Plano Piloto, entre outras. Mas essa interatividade, entretanto, divide opiniões.

Dos Estados Unidos, a brasiliense Erika Santos Pereira, de 27 anos, assiste aos cultos da Igreja Batista Central de Brasília (IBCB).

A administradora de empresas que antes de se mudar para o Texas freqüentava a igreja regularmente encontrou na internet uma maneira de manter o contato com as cerimônias e os fiéis da capital.

A IBCB apostou na novidade de transmitir cultos pela internet em janeiro deste ano. As principais cerimônias são transmitidas em tempo real e tiveram nove mil acessos, somente no mês de março. Com a ferramenta da tecnologia, Erika pode até mesmo “rever” fiéis e pastores com quem convivia aqui no Brasil.

“Sinto como se estivesse na própria igreja. Já me peguei cantando, batendo palma, ajoelhando e até chorando durante as orações”, conta. “É uma forma de ouvir a palavra de Deus e ver várias pessoas que eu conheço”, completa.

Pastor da IBCB, Ricardo Espindola acredita que a iniciativa da igreja de levar a palavra de Deus a qualquer lugar do mundo tem tido um bom resultado. “As pessoas ficam tocadas com a oração e a transmissão online só aproxima os fiéis da igreja”, explica.

Com 10 mil participantes, a IBCB, que completa 40 anos em maio, tem outros projetos na área da tecnologia. A idéia é implantar no site programas de TV, videoclipes, mensagens online, debate e também bate papo. Segundo Espindola, recursos como esses são uma forma de integração entre os cristãos internautas.

Mas não é só a IBCB que investiu na internet como forma de evangelização. A Igreja Presbiteriana de Brasília pretende disponibilizar em breve cultos online. De acordo com o técnico de comunicação da igreja, Matheus Inácio, a transmissão será feita por meio de um sistema de rádio online. Em breve, os fiéis poderão também ouvir os cultos. Disponibilizar as imagens, explica Matheus, são planos para o segundo semestre. O objetivo de investir nessa tecnologia é alcançar membros da igreja que não estão no Brasil, mas que querem acompanhar as atividades.

Cultos e programas editados, além de mensagens em áudio, no formato MP3, já fazem parte do site da Assembléia de Deus do Plano Piloto – Igreja do Novo Dia. De acordo com o pastor Hadman Daniel, os cultos são transmitidos ao vivo há um ano e têm até 100 acessos simultâneos – o limite do provedor. Para atrair mais fiéis, a igreja pretende mudar o sistema para que mais pessoas possam ter acesso ao mesmo tempo à transmissão.

Polêmica

Essa interatividade, entretanto, divide opiniões. De acordo com pastor Daniel, assistir ao culto pela internet e pela televisão não é a mesma coisa que assistir na própria igreja. Ele acredita que o contato espiritual recebido pela internet pode ajudar as pessoas que, por algum motivo, não conseguem sair de casa ou moram longe da igreja. “Não corre o risco de comodismo, mas às vezes alguém se atrasa e, nessas horas, o culto online faz a diferença”, diz.

O professor do Departamento de Filosofia da Universidade de Brasília (UnB) Ubirajara Carvalho acredita que a evangelização online pode causar um grande bem e um grande mal à sociedade. Segundo ele, é preciso que haja um acompanhamento por parte do estado. “O que falta é o acompanhamento ético de preservar valores sociais”, diz. Para o professor, vários crimes têm influência religiosa e a igreja tem de ter o cuidado de preservar os valores cristãos.

Sobre deixar de ir à igreja para assistir a cerimônia em casa, o professor Ubirajara diz que a imagem não é copia da realidade e que “estar presente no momento tem seu valor inestimável”.

O site da Igreja Batista do Caminho das Árvores está em construção, mas a evangelização online, segundo o pastor Lúcio Ataíde, não está nos planos devido ao alto investimento para implantar o projeto. “O fato de uma igreja ter programa ao vivo de culto pela rede mundial de computadores não substitui o privilégio de participar das celebrações, de corpo presente”, explica. “A sensação que a pessoa sente ao vivo difere muito da telinha”, acrescenta.

Fonte: ClicaBrasilia