Milhares de espanhóis se manifestaram ontem em Madri a favor da família tradicional, numa demonstração da força do conservadorismo católico no país, cuja legislação sobre costumes tornou-se uma das mais liberais do mundo no atual governo, do premiê social-democrata José Luis Rodríguez Zapatero.

O ato foi fechado pelo arcebispo de Madri, cardeal Antonio María Rouco, e os participantes receberam uma mensagem do papa, lida diretamente da praça São Pedro, no Vaticano. “Vale a pena lutar pela família e pelo casamento”, disse Bento 16. “Baseada na união indissolúvel entre o homem e a mulher, [a família] é o local onde a vida se abriga desde seu início até o seu fim natural.”

A mensagem foi um recado ao governo espanhol. Sob Zapatero, o país aprovou o casamento gay e simplificou a lei de divórcio. Além disso, o Parlamento aprovou uma Lei da Memória História que abole de vez símbolos franquistas em espaços públicos e recompensa as vítimas do franquismo, enquanto o papa beatificou neste ano quase 500 religiosos mortos na Guerra Civil Espanhola (1936-1939), quando a Igreja Católica ficou do lado dos fascistas de Francisco Franco.

“Estes governos ateus querem nos fazer acreditar que nossa vida não tem sentido”, disse a ativista católica Kiko Arguello. O jornal espanhol “El País” calculou em 160 mil pessoas a multidão na praça Colón de Madri e arredores. O arcebispo de Valencia atacou a “cultura do secularismo”, uma “fraude que conduz ao desespero pelo caminho do aborto, do divórcio express e das ideologias que pretendem manipular a educação dos jovens”.

A manifestação foi vista como ato da campanha para as eleições gerais de março, quando o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) de Zapatero espera manter a maioria parlamentar. A igreja se alinha ao PP (Partido Popular), do ex-primeiro-ministro direitista José María Aznar.

Fonte: Folha de São Paulo