A festa do Oscar, maior prêmio do cinema mundial, esse ano foi bem sem graça. A festa do Oscar, maior prêmio do cinema mundial, esse ano foi bem sem graça. O apresentador, Jon Stewart foi apenas razoável, e não se saiu muito diferente da primeira vez que apresentou a festa, em 2006.

Quem esperava o mesmo humor ácido e politicamente incorreto que ele destila em seu programa humorístico, se decepcionou um pouco ao ver piadas sem graça e nenhuma tirada muito original. Parece que a greve dos roteiristas, que terminou a pouco menos de dez dias da premiação, ainda teve tempo de fazer mais uma vítima.

Em relação aos prêmios, o grande destaque foi para a forte presença internacional nas categorias de ator principal e coadjuvante; todas as estatuetas foram para atores e atrizes de origem européia. Daniel Day Lewis (Inglaterra), melhor ator; Javier Bardem (Espanha), ator coadjuvante; Marion Cottilard (França), melhor atriz; Tilda Swinton (Inglaterra), atriz coadjuvante. Algo assim só havia acontecido uma vêz antes, na historia do prêmio. Quem sabe ano que vem teremos Wagner Moura disputando a mesma categoria.

O grande vencedor da noite foi certamente “Onde os Fracos Não Tem Vez”, que venceu os prêmios de melhor filme, direção e roteiro adaptado, alem do já citado prêmio de Javier Bradem, por melhor ator coadjuvante. Em um ano de disputas muito acirradas, sair da festa com quatro Oscars em categorias importantes foi o máximo que se conseguiria.

Surpresa, muito poucas; alguns esperavam que a brilhante Cate Blanchet ganhasse mais uma vez por seu trabalho em “Elizabeth, a era de Ouro”, mas a atriz francesa Marion Cotillard, fêz uma encarnação perfeita de Piaf, no filme homônimo. Havia uma certa esperança do público em geral, de ver o “simpaticão” George Clooney finalmente ganhando sua estatueta, mas não há termos de comparação entre ele e Daniel Day Lewis. Nem mesmo a premiação da ex-stripper, Diablo Cody, iniciante roteirista de “Juno”, pode ser considerada uma surpresa, já que havia recebido muitas críticas positivas e era considerada uma barbada.

Achei de péssimo gosto a indicação de três das cinco canções originais terem sido de um mesmo filme, “Enchanted”, um charoposo filmeco adolescente. Será que não conseguiram achar nenhuma outra boa canção nos inúmeros filmes produzidos em 2007? Em uma delas, por sinal, o cantor-adolescente (nem sei o nome…), deu umas desafinadas brabas na performance ao vivo! Mas, achei foi bom, quando o prêmio foi para o filme independente “Once”, deixando as chatíssimas canções de “Enchanted” na poeira. Aliás, na premiação dessa categoria aconteceram dois fatos inusitados. O primeiro, a quase queda de John Travolta, logo apos interagir galantemente com uma das dançarinas no palco, e o segundo quando Jon Stewart chamou ao palco novamente a co-autora da canção vencedora do prêmio, alegando que ela não teve tempo para fazer seus agradecimentos. Foi elegante da parte da produção, mas bem inusitado.

Uma festa que terminou sendo meio sem sal, mas que para alívio da indústria cinematográfica, pelo menos aconteceu, a despeito da temida greve dos roteiristas. Só nos resta torcer por “Tropa de Elite” , quem sabe em uma ou duas categorias principais ano que vem.

Um abraço,

Leon Neto