O cineasta polonês Roman Polanski é considerado por muitos como um dos maiores diretores de cinema de todos os tempos. Ao longo de sua carreira conseguiu sucesso tanto junto à critica especializada quanto ao publico em geral.

Quem não se lembra por exemplo do filme “ O Pianista” de 2002, com o qual ele arrebatou diversos prêmios internacionais? Ou de “O Bebê de Rosemary” (1968) considerado por muitos como o melhor filme de terror de todos os tempos?

Mas Polanski tem uma historia de vida bastante atribulada. Judeu de origem polonesa, conheceu quando ainda pequeno os horrores da segunda guerra mundial, e sobreviveu por pouco ao holocausto nazista. Perdeu sua primeira esposa, a atriz Sharon Tate no início dos anos 70, assassinada brutalmente a facadas por um grupo de hippies. Detalhe: Sharon estava grávida de 8 meses. Em 1977 se viu envolvido em um escândalo sexual por ter se aproveitado de uma menina que tinha treze anos na época; fato este que o fez fugir dos Estados Unidos, onde foi condenado à revelia por estupro. O diretor tinha então 44 anos. Desde sua fuga, Polanski tem desenvolvido sua carreira na Europa, já que não pode sequer por seus pés nos Estados Unidos sob o risco ser preso.

E não é que depois de mais de trinta anos esse ultimo episódio de sua vida volta a assombrá-lo? Há poucos dias, Polanski foi preso na Suiça, que aparentemente tem algum tipo de acordo com a justiça americana. Polanski já esteve tantas vezes na Suíça e costumeiramente passa férias lá, e por isso mesmo nem desconfiou que pudesse terminar no xilindró quando entrou no país novamente para participar de uma mostra de cinema.

A prisão de Roman Polanski tem causado verdadeira comoção no meio artístico internacional e muito atores e diretores tem vindo à publico manifestar solidariedade a ele e protestar pela sua prisão. Até mesmo a garotinha envolvida, hoje uma jovem senhora de 45 anos, já se pronunciou dizendo que não tem mais mágoas sobre o ocorrido. Até o fechamento da coluna ainda não se tinha nenhuma definição em relação a uma possível extradição de Polanski para os Estados Unidos.

Diante de toda essa situação, fiquei um pouco chocado em como alguns tentam justificar o perdão do diretor polonês apenas por tratar-se de um “gênio extremamente talentoso”. A comediante Whoopi Goldberg veio à publico para defendê-lo dizendo que não tinha sido “assim bem um estupro” na acepção da palavra. Parece que para essas pessoas, talento é suficiente para absolver artistas e celebridades de seus crimes do passado. Polanski fugiu covardemente quando foi condenado e não há justificativa para o que ele fêz. E quem o defende deveria se envergonhar disso.

Consta nos autos que Polanski, na ocasião do crime, convenceu a então garota de 13 anos a fazer uma sessão de fotos supostamente para a revista Vogue européia, e quando a sós a embebedou e drogou para depois dela se aproveitar de maneiras tão vulgares que não fica bem descrever aqui na coluna. Se isso não é estupro, dona Whoopi, então eu não sei o que é.

Polanski não merece o perdão de ninguém e deveria ser extraditado e devidamente punido nos Estados Unidos. Atos grotescos e escabrosos como os que ele cometeu não podem ficar impunes. Muito me admira a ala liberal de Hollywood sair em sua defesa, já que são tão menos tolerantes com coisas muito menos graves que acontecem na sociedade americana. Hipocrisia total.

Também fiquei admirado por um crime que aconteceu há mais de trinta anos ainda estar vigente e em vias de ser punido aqui nos Estados Unidos. Que diferença em relação à justiça brasileira que além de morosa e discriminatória é pouco efetiva. Ver uma celebridade ir para a cadeia no Brasil é fato raro ainda mais se o crime aconteceu há mais e três décadas.

A justiça americana está longe de ser perfeita e tem muitos exageros, mas ainda assim pelo menos não faz distinção e tem o braço bem mais longo que a nossa. É para mim inimaginável, por exemplo, saber que no Brasil um homicida confesso não pode ficar preso mais de trinta anos e na maioria dos caso progride para regime semi-aberto após apenas um sexto da pena! Parece que no Brasil quem faz as leis são aqueles que dela se beneficiarão, ou seja os próprios bandidos.

Quem dera celebridades e políticos corruptos fossem tratados com o mesmo rigor no Brasil…

Um abraço,

Leon Neto